hoje (já) é 4 de novembro e amanhã faz um mês que me mudei. mudei de casa, de cidade, só com minha gata e minha irmã. casa pelada e oca, que estamos aprendendo a chamar de lar. e esse foi só um dos eventos de 2019 que nem acabou ainda. se lá no dia 31 de dezembro de 2018 me falassem que 2019 seria mais insano ainda, eu teria entrado em desespero. 2019 parece que passou num piscar de olhos, mas acho que foi pela vibração, pela intensidade dos acontecimentos, pela força das atitudes. as coisas estão andando rápido e deixando lições valiosas demais.
não estava nos planos me mudar com minha irmã, mas aconteceu. e aconteceu na época perfeita, quando eu precisava direcionar meu foco pra mim, para momentos que me impulsionaram pra frente. foi quando eu precisei ser egoísta e pensar na minha qualidade de vida, no meu bem-estar. e quando pensei que estaria sozinha, minha irmã nunca saiu do meu lado. foi no stress do antes e durante a mudança que nos fortalecemos. e mesmo fora dos nossos planos, está tudo dando certo, surpreendentemente.
nesse ano entendi que gostar de alguém e se envolver é se redescobrir. quando eu fechei os olhos e deixei o coração guiar, foi quando me encontrei. e é sempre errado dizer que uma relação “não deu certo”, pois ela deu certo enquanto estava dando certo para as partes envolvidas. a questão é aproveitar cada momento, viver cada pedacinho daquela alegria e não guardar rancores ou tristezas.
foi preciso engolir mais sapos, lidar com opiniões e atitudes questionáveis. a gente passa a escolher em quais brigas entrar, pois algumas criaturas são empacadas demais e não vão se movimentar. tem horas que é necessário calar para manter a sanidade mental.
tive que baixar a guarda e deixar a emoção sair. até meus pais me abalaram emocionalmente, foi inédito a maneira que eles demonstraram orgulho de mim, e é gratificante ver que minha mãe me enxerga como uma mulher forte, quando ela é minha inspiração pra tudo nessa vida.
e foi necessário ser forte. perdi amigos, me distanciei de situações que só me torturavam, ouvi resumirem minhas dores em “mimimi”, briguei para me entenderem como ser humano e não um objeto de desejo a ser conquistado.
aliás, como briguei em 2019. briguei por mim, pelos outros, por ideias, por opiniões, por sonhos. perdi várias vezes, ganhei em outras. chorei e me desmantelei. me reergui, saí arrebentada, mas sigo andando. briguei até com as redes sociais, coloquei objetivos que cumpri, e acabei voltando, com mais limitações, mas voltando.
e esse foi também o vai e volta de amigos. alguns se vão, outros ficam, existem os amigos que voltam, os conhecidos que se tornam amigos, os amigos que se tornam desconhecidos. e é o ciclo, nem todos ficam para sempre.
tive iluminações de auto-estima e estou aprendendo a me amar, gostar da minha companhia e que está tudo bem em não estar sempre bem.
não terminei tudo que comecei, não recomecei tudo o que tinha parado, não comecei tudo que tinha planejado. mas me movimentei e nada está trancado. e não estou me cobrando para zerar a lista, o mundo já me cobra para ser tanta coisa, eu só quero a paz de saber que estou fazendo o meu melhor.
hoje, numa segunda cansada, não quero saber como 2019 vai terminar, ou o que será de 2020. meus planos são maiores para caberem em caixas, minha força e foco se voltam para sonhar e realizar, e não para especulações numerológicas.
e que tenhamos força para lutar e foco para sonhar.
