Foto: Isabella Lanave

Melancolia

Sacrílega do amor fortuito,
Caim amaldiçoado.
Na seiva de seu abraço
escoa o soturno regalo.

Entorpece os sentidos
lobotomiza o espírito,
faz da letargia o rito
onde Sentir é o não-sentir.

Estátua de talco,
se beijada, desvanece.
Toda sorte de rimas fenece,
e a boca, já sem saliva, alimenta-se do vazio.

E assim o mundo satisfaz seu luto
na bela face que deleita-se no rio
e reflete o murmúrio de Narciso.

Moira! Parca!
De que lhes adianta tecer o destino dos homens
se a ti mesma resta a lânguida solidão?

Sílfide! Oh bela…
Beije a estátua de bronze
e ela lhe sorrirá.

(Escrito em 18/05/2014)