Acolhimento humanitário: Brasil dá exemplo

Só em 2014, Brasil recebeu cerca de 2.000 novos imigrantes

Haitianos recebendo suas carteiras de trabalho (foto G1)

O Brasil é um país de muitos contrastes. Seu povo foi anunciado como “cordial”, na acepção linguística de: aqueles que decidem mais pelo coração do que pela razão.

É verdade, o Brasil do Lula, da Dilma, da corrupção institucionalizada, do desemprego, da ganância, das noras, do presidente da Câmara, do deputado Eduardo Cunha, da “Lava a Jato”, é o nosso Brasil. Ele tem muitas facetas…O Brasil de Rui Barbosa, de Hélio Bicudo, de homens e mulheres de bem, que trabalham com afinco, em uma jornada dura e recebem apenas o salário mínimo, o Brasil dos estudantes, dos professores idealistas, é sem dúvida, o nosso Brasil.

Apesar de tudo isso, ou até por isso mesmo, precisamos reconhecer que a ONU (Organização das Nações Unidas) atesta que o Brasil “dá exemplo de acolhimento humanitário de refugiados”.

São homens, mulheres e crianças injustiçadas que encontram aqui um refúgio, apoio, a esperança de um lar, e ainda usufruem do amor e do afeto de um povo cordial.

Com muita alegria, admitimos: esse é o nosso Brasil!

Ou, quem sabe, o Brasil que queríamos ser.

Racismo contra imigrantes no Brasil é constante

Senegaleses: a nova cara da imigração

Embarcação em Dakar — Capital do Senegal (foto G1)

Segundo Nildo Mourão, secretário de Direitos Humanos do Acre, os senegaleses são, atrás dos haitianos e sírios, o maior grupo de estrangeiros agenciados no Brasil. Representando também, o povo que mais pediu refúgio no país. Só em 2014, foram mais de 2.000 refugiados.

Serigne Bamba Toure, senegalês de 23 anos, afirma: “Só vim ao Brasil pela falta de emprego no Senegal, agregado a facilidade burocrática para se entrar no país.”

“A viagem foi longa, para chegar até Porto Alegre, lugar onde moro a oito meses, tive que passar pela Espanha, Equador, Peru, Acre e São Paulo. E decidi vir para o Rio Grande do Sul apenas pela promessa de melhores oportunidades de trabalho”, diz Serigne.

Embora considere o clima do Sul muito frio, decidiu continuar aqui, já que encontrou facilidade para conseguir emprego. Serigne revela que envia a maioria do dinheiro que ganha aqui para os seus pais e irmãos, que estão no Senegal. O imigrante conta que lá os empregos são muitos mais escassos, porém, pretende voltar quando possível, pois ama sua terra, que, segundo ele, é um lugar muito pacifico e bem mais seguro que o Brasil.

Rota seguida pela maioria dos Senegaleses que tem o Brasil como destino

Brasil atrai nova onda de imigrantes nos últimos anos

Bamba Toure conta aliviado sobre como foi bem recebido aqui no Rio Grande do Sul. Segundo ele, muitas pessoas o ajudaram com as divergências culturais, além de receber aulas voluntárias de Português em uma igreja de Porto Alegre. O imigrante, que tem como língua natal o francês e o dialeto regional, conta que se adaptou facilmente ao idioma, apesar de ainda ter algumas dificuldades de pronuncia.

Apesar dos elogios do estrangeiro, se reconhece que ainda existe muito preconceito contra imigrantes em nosso país. Pedro, Leopoldense de 22 anos, diz:

“A falta de acolhimento da parte de alguns gaúchos, pode ser um lado ruim, pois muitas vezes, as pessoas pensam que os imigrantes não têm nada a oferecer, então acabam criando algum tipo de aversão e decidem não ajuda-los, afastando também a oportunidade do contato com uma nova cultura.”
Serigne Bamba Toure, 23 anos

Além do preconceito cultural, muitos acreditam que os estrangeiros estão ocupando vagas de emprego que deveriam pertencer a brasileiros. Antônio, de 61 anos, acha que “tudo bem desde que estejam legalizados e trabalhem honestamente”.

Mas muitas vezes, mesmo com esse pensamento, ainda existe o velho preconceito encravado na mente das pessoas.

“A maioria das pessoas que estão vindo de fora são negros, mas são gente”, diz Antônio, revelando um preconceito, mesmo que involuntário.

Já Pedro, leopoldense de 22 anos, pensa que essa diversidade de culturas é muito rica, pois pessoas de outro lugar sempre têm alguma coisa a agregar. E ainda afirma que:

“O que tira o emprego de alguém é a capacidade, se existe alguém de outro país que é mais capaz do que eu, cabe a mim melhorar. Não é questão de imigração. ”

O número de imigrações cresceu cerca de 86,7% desde 2000. Todos os dias vários estrangeiros pisam em solo brasileiro, do mesmo modo, vários brasileiros pisam em solo estrangeiro.

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