still-frame from True Detective

Eremita

Acordo cedo. Dou por mim a conduzir até casa para acordar o pequeno almoço e tomar a minha irmã…num pensamento habitual da dislexia do conforto e provimento… estou precisada de alimento, também de alguma partilha e conversa, com a mãe e irmã e as memórias cada vez mais remotas da avó Iria…é o nosso dia, de filhas e quiçá futuras mães e avós.

Foi uma pequena viagem onde pensei assim com as ideias e acções trocadas nos tempos, a pensar na família, no futuro naquilo que se quer, naquilo que se quer mesmo, e naquilo que não se quer mas ainda preso ao corpo está… dizem que certas coisas são para se sentir e pronto, mas se eu pudesse premia o botão e puf,

esquecia e pronto.

Sem mágoa, desilusão, sem saudade e sem nada de nada.

Caminho...5ª mudança.

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Eu que não gosto de conduzir mas hoje conduzia até à exaustão.

Foi reflexivo como se estivesse assim bem acompanhada, de nada, a quimera de que há pessoas plenas e perfeitas, famílias perfeitas …mas é como a sorte no jogo as probabilidades são sempre infinitas e improváveis, paradoxais até — quem não aposta não ganha quem não ganha não volta a apostar mais alto.

Continuo a caminhar…4ª mudança.

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Hoje conduzia, conduzia-me em modo automático como se não fosse a nenhum sítio em particular, olhei para as peregrinas de beira da estrada e questionei-me porque o fazem, o que faz estas mulheres umas a caminharem outras a posarem assim, qual foi a sua promessa qual o seu castigo… dei por mim a fazer a minha promessa, a última, mas a que será definitiva para ganhar neste jogo da vida, traçam-se coisas nunca cumpridas antes.

Corro em 3ª.

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Comecei a correr, sinto que me vou dar bem nesta corrida caminhada…

talvez me torne uma eremita, deixo crescer o cabelo, fico com a cara crestada pelo sol, ganho músculo e traquejo, sempre viajo (é a minha grande cruz, não poder viajar como gostaria)… sonho em tornar-me numa respigadora de histórias, de amores colhidos de terra em terra, talvez encontre o que realmente precise de verdade. Deixo a pequena escala do coração e parto para outras latitudes e outras temperaturas afectivas.

Abrando…numa 2ª em segurança e paro no destino. 1ª mudança diz-me para parar. Chego ao destino mas vejo que algo me falta,

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algo me espera, talvez alguém assim a dizer-me ao ouvido:

leva-me,

fica comigo na próxima estação, ou vamos hoje até à outra face do mundo…

e eu ia!
A pé se fosse preciso.

Eu prometo que não saio de cena!
“És a pessoa que me sinto mais próximo numa eternidade.”

Caminho a passo largo.

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