Marxismo Cultural: Uma falácia tediosa da Direita Brasileira
Patrick Silva de Carvalho

(Foto: Fábio Aleixo)
Se calar perante as incongruências, as falácias disseminadas na sociedade de forma escancarada e sem escrúpulos é ou deveria ser um crime. Se esconder em bolhas e cair na ilusão de que “está tudo bem, isso não tem a ver comigo”.
Isso me leva apenas um desabafo sobre o que a prestigiosa e indecorosa Direita Brasileira idolatra e tem paixão em martelar sobre tudo e todos: o Marxismo Cultural.
A Direita Brasileira consegue o incrível feito de ser mais abrangente de alcançar o grande público, as massas do país. Diferentemente da Esquerda “Lacração” ou a “Esquerda Universitária” que não dialoga com o grande público e se prende a infinitas discussões dentro “mesas redondas”, círculos viciosos de auto discussão nas salas de aula ou a pretensão de se achar superior a qualquer forma de pensamento que não seja o seu. Mas retornando ao que interessa aqui, como a Direita alcança o grande público pela lógica neoliberal-pós-moderna, o Marxismo Cultural é um dos temas favoritos dos ditos intelectuais cultuados atualmente na Direita. O Marxismo Cultural é qualquer forma de pensamento ou ideologia que vai contra os seus ideais (Conservadores ou sobre o Livre-Mercado e são designados a sua origem de termos como “comunismo”, “socialismo, “ esquerda”, “revolução”, “ateísmo” ou a atroz “ditadura gayzista”.
A alcunha Marxismo Cultural, atribuída a pensadores críticos na ótica do pensamento marxista, principalmente a Antonio Gramsci (1891-1937). Grosso modo, teoricamente, uma revolução de cunho socialista, que seria feita paulatinamente através da cultura (Revolução Passiva e Hegemonia Cultural). A propagação de ideias que tangem o pensamento socialista e ir incluindo aos poucos na sociedade, de maneira discreta. Sem o uso de armas físicas e sem sangue derramado.
Gramsci defende a livre propagação do conhecimento, através da democratização do conhecimento por uma linguagem filosófica, política e econômica que sejam claras ao grande público, nada que impeça por um consentimento geral a assimilação na guerra ideológica por ideais marxistas, ou seja, não é um fascismo que impõe, que escraviza e controla. A Direta Brasileira conseguiu assimilar de modo fantástico de que organizações como o Estado (principalmente nos governos do Partido dos Trabalhadores, o que é uma falácia), os grandes meios midiáticos, monopólios de empresas privadas que sustentam a lógica do capital no Brasil e inclusive o sistema educacional estão infectados por esse Marxismo Cultural.
Um governo que tem “a faca e o queijo na mão” não fez o que deveria de fazer, me referindo ao período de 2002-2010, até 2014, mas aqui teria mais controvérsias do que esse texto. Pequenas reformas populistas ali e aqui, mas nada que se equipare a possibilidade de reformas para a alteração das terríveis raízes e cicatrizes socioeconômicas que preenchem o país. “Ideologia e pensamento é uma coisa, fazer é outra história”, “O poder subiu à cabeça”, ou ainda, por uma interpretação inocente ou não, a história irá julgar, “Foram reféns do capital”, são algumas das preposições prontas que circulam na sociedade em relação aquele período. Mas o que é certo, é que o neoliberalismo, desde o final do século XX, esteve e está presente na mentalidade do alto escalão da política brasileira.
A insanidade que parte ainda, a crença de que os grandes veículos de comunicação estão infectados por esse tal Marxismo Cultural que a Direita martela com unhas e dentes. É notável na atualidade, uma tendência desses veículos midiáticos e dos grandes monopólios de empresas atenderem demandas exigidas por grupos minoritários e oprimidos pela sociedade. Empoderamento, emancipação e representatividade, por exemplo, são de alguma forma incorporados pelas grandes corporações e os utilizam para a manutenção do ciclo vicioso do capital. É sempre bom lembrar que a Pós-Modernidade e o Neoliberalismo estão “andando de mãos dadas”. Grupos cada vez mais rechaçados da Esquerda, lutando apenas pelas pautas que tangem suas ideais através de alguma forma de luta optada por eles, fechando-se em seus núcleos, permitem esse tipo situação desagradável cada vez mais crescer.
Porém, isso não deslegitima a luta contra as opressões nefastas de nossa sociedade, o racismo, o machismo, a LGBTfobia e entre outras, mas deve ser uma luta ciente que as raízes desses problemas, estão no sistema controlado pelo capital que permite essas atrocidades contra a humanidade.
Por fim, a intolerável e pífia acusação da Direita Brasileira de um sistema educacional que visa a doutrinação marxista dos futuros cidadãos da sociedade. Se realmente tivéssemos uma doutrinação consensual no sistema educacional brasileiro, teríamos um número considerável de revolucionários e não uma horda de adolescentes conformistas, mimados, conservadores em relação às gerações passadas ou que idolatram a imagem de um mito, ou ainda de mitos mirabolantes relacionados a economia e a política. Como o próprio significado de mito já diz, é uma narrativa de caráter simbólico-imagético.