Ah. O Amor, a droga do amor.

Não que eu tenha me decepcionado, apenas te via de um jeito errado. Eu te idealizei, achava que podia ser a dona dos meus sonhos, achei que você fosse estar do meu lado, me levar para conhecer sua família e trazer aquele velho gg, que você sabe que amo, mas não admito, quando viesse me ver, eu te via como a mulher, da minha vida, mas você estava longe disso.
Eu te via da maneira que eu queria te ver, e não como você realmente era, e provavelmente ainda é. Eu a via como meus olhos te fantasiavam, eu te via com realização, necessidade e salvação. Eu prometi a mim mesmo, que poderia sarar meus tombos e arranhões, mas eu estava vendo errado.
Eu estava criando coisas, imaginando situações, me afundando em um buraco tão fundo que é difícil de sair agora. E a culpa não foi sua, a culpa foi minha. Criei e depositei expectativas que não existiam, você não me decepcionou, eu que me decepcionei, eu que me sabotei, me ralei, me fudi, me machuquei, me pisoteei.
Dizem os grandes sábios, que quando nos apaixonamos ficamos cegos e é verdade, todo mundo quis me mostrar a realidade, mas eu com meus óculos de o iludido sonhador na cara. Eu sou a minha própria decepção. Você não tem culpa das minhas ilusões.
Autoestima não é só se achar bonita. Muito mais importante e decisivo que isso, ter autoestima é ter amor próprio. É gostar de si mesma o suficiente para rejeitar situações que não sejam boas para si.
Uma pessoa que chamarei de Maria Alice, no ano passado, me contou sobre como seu relacionamento com o atual marido e pai de seus três filhos começou. Eles começaram a sair, foram saindo com mais e mais frequência, até que foram se envolvendo e o cara parou tudo: disse que tinha acabado de terminar um relacionamento longo, não queria outro relacionamento sério agora, mas gostaria de continuar saindo com ela. Maria Alice respondeu que não iria mais sair com ele, já que ela gostava dele e queria um relacionamento sério, tinha planos de casar e formar uma família, então, se não era isso que ele queria, era melhor se separarem, pois os dois tinham objetivos diferentes. Ele acabou mudando de ideia e dando uma chance ao relacionamento, que virou família e já tem dez anos. Mas não é da decisão dele que quero falar aqui. Quero falar da atitude da Maria Alice.
Quando ouvi essa história, a primeira coisa que passou pela minha cabeça foi: isso é autoestima. Fiquei pensando em como, naquele momento da minha vida, eu não teria tido a mesma atitude e, francamente, como eu já não tive a mesma atitude em contexto muito semelhante. Arrisco dizer que a maioria das mulheres que conheço e digo mulheres, por ter sido com mulheres que conversei sobre o assunto teriam feito o movimento inverso. Pensariam que ter pouco é melhor do que não ter nada e aceitariam continuar saindo, tentando se adequar ao que o cara queria nada sério ou ficariam na esperança de que, com o tempo, ele percebesse seu valor e mudasse de ideia. Embora não pareça à primeira vista e eu mesmo não tenha me enxergado dessa maneira quando passei por situação parecida, isso é um problema de autoestima.
É preciso ter muita autoestima e muita clareza de nossos objetivos para nos colocarmos em primeiro lugar em uma situação assim para realmente entender que, no amor, ter nada é melhor do que ter pouco. Quando Maria Alice decide terminar tudo com o rapaz, ela está escolhendo a ela mesma. O que o cara fez depois, não importa. O mais interessante na história da Maria Alice é a segurança que ela teve de deixar para trás um cara de quem ela gostava muito ao perceber que ele não queria o mesmo que ela. Ela está dizendo: eu sei o que eu quero e é isso; se você não quer o mesmo, é uma pena, porque eu gostaria que fosse com você, mas vou seguir minha vida com meus objetivos e em algum momento encontrarei alguém que queira o mesmo. Requer um pouco de pragmatismo também: para que perder tempo da sua vida insistindo em algo que a pessoa já te disse que não quer? Vale a pena mudar seus objetivos pessoais e abrir mão do que é importante para você por uma pessoa que diz que não está a fim de investir nisso?
Muitas vezes, na tentativa de não ficarmos sozinho, acabamos nos metendo em relações. Aceitamos atitudes que nos desrespeitam, achamos que suportar tudo é amor de verdade. Mas é só falta de amor próprio. Quando a gente acredita que vale mais que isso, a gente começa a não aceitar menos e, aí sim, começa a ter relacionamentos mais felizes, que nos fazem bem. É como aquela frase do livro que virou filme, As vantagens de ser invisível: “Nós aceitamos o amor que achamos merecer. ”
Se o sentido da vida
Somos nós quem precisamos dar
Então não há prova maior
De que a vida não faz sentido algum
Pessoas nascem e morrem lá fora
Enquanto eu me pergunto por que diabos estamos aqui
Nus e a sós numa cama
Trocando salivas e sujeiras
E todo esse pó de estrelas
Grudado no corpo porque na verdade isso é o corpo
E cada fio de cabelo e músculos e ossos e órgãos
A pele é órgão
E é a ela quem deveriam chamar coração
Porque o amor não se concentra em um só ponto
Mas se espalha pelo corpo todo.
Ignora essa parte a baixo; escrevi pra por pra fora
Sabe eu acho que você vai errar feio quando não me escolher, eu me sento Bulbasaur, totalmente ignorado, sem ninguém vindo buscar, porra, eu te levaria um beck, levaria tudo, quando estivesse no trabalho, e isso pra mim é a maior declaração que eu posso imaginar, porra é um beck.
É estranho pensar em você depois de tudo, não sei se escrever sobre você é invadir o seu espaço pessoal, mas bom, não consigo parar, esse texto é sobre eu e você, como tudo tinha sabor e aroma de amor, como conversar com você era divertido.
Parecia que o meu prato sempre era o próximo a ser entregue pelo garçom, e não havia reclamações, tudo era perfeito, o sabor, forma e gosto, eu até tentei te conquistar, mas não deu certo, não deu.
E bom o fim não é nada certo, nem concreto, depois que você saiu, os sentimentos tem gosto de ferro, é como viver numa ressaca, mas bom, toda ressaca uma hora passa.
Eu poderia dizer quantas vezes eu tenho ficado angustiado durantes os dias e da vontade que dá de abrir a garganta pra ver o que rola. Essa semana a minha vontade de ir voltou a atacar e eu não sei se foi o que eu andei fazendo ou se isso é só mais uma das coisas que te acontece quando se vive.
Eu ando escutando suas música preferidas e fumando um cigarro atrás do outro e tossindo por causa deles e eu arrumo a casa porque se minha mãe aparece e encontra essa bagunça ela enlouquece, Moça, eu ainda tenho sorrido como se a vida não me doesse como se você não me doesse como se a minha cabeça não doesse e tudo o tempo todo lateja.
Olha bem, Moça, você me deixa com saudades assim que vira a esquina de casa e aí nessas horas eu queria ser deus porque ao menos deus aprendeu a ser sozinho quando tudo era nada.
É sério ignora essa parte a baixo.
A angústia de um grande amor perdido faz um diabo na minha cabeça e eu tô tão fodida, Moça, eu não sei te oferecer outra coisa além do meu amor.
Essa semana eu sai pra comprar o verdinho, e voltei antes que a saudade comesse o meu pulmão mais do que o thc. Todos os becks me lembravam que crianças começam a fumar ao verem adultos fumando e todas as batidas no meu peito me lembram que o amor é um câncer em metástase consumindo minha alma meu zodíaco meu destino e minha chance de acreditar em deus.
Meu celular apitou e era uma mensagem sua, bem no meio da semana, no dia que brindei com cerveja ao bom sexo que não posso pagar e aos amores que agora eu tirei da conta. “Quero você em todas as minhas mesas de bar”.
Eu não me importo se você não quiser ficar. Amanhã a gente fuma um e fala de amor de novo.
Mas eu nem fumo mais.
Eu nem sei se te amo mais.

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