O ‘despertencimento’ em Dançar tango em Porto Alegre

Dançar tango em Porto Alegre e outros contos escolhidos trata-se de uma coletânea de contos divida em três partes. A primeira parte conta histórias limites que tem como pano de fundo a fronteira do Rio Grande do Sul. A segunda parte traz a infância, as descobertas do sexo, a perda e o medo. A terceira parte, temas como saudade, a mudança, a lembrança vem à tona e os personagens, ou já chegaram a Porto Alegre ou estão a caminho da capital.

De alguma forma, todas as personagens da obra de Sergio Faraco estão num momento de transição, de um conflito interno representado, muitas vezes, pelo deslocamento do espaço e situações limites presente na obra.

No conto que abre obra, Dois Guaxos, o personagem observa o esfarelamento de sua família; tem seus sentimentos confundidos entre a mãe, já morta, e a irmã, que também desperta seus intentos de homem por uma mulher. O Ciúme entre o Bugre e a irmã também se juntam ao abandono, já que seu pai vivi bêbado e parece não se importar com a família. Sua existência não é notada. Todo isso culmina numa vontade de ir embora dali; para ele, não importa onde. Ele não pertence àquele lugar e parte para uma busca, busca de si mesmo. Todavia, suas memórias e seus sentimentos estão enterrados naquela terra junto à sua mãe. Há um não reconhecimento de si mesmo a partir do momento que o personagem perde suas raízes, suas referências simbolizadas pela estrutura familiar que se dissolvem. Nesse desenraizamento fica a busca do personagem por se encontrar, isso é recorrente nos contos.

Dançar tango em Porto Alegre foi publicado em 1998 pela editora L&PM, ganhou o prêmio de ficção em 1999 da academia Brasileira de Letras e até o ano passado está na lista do vestibular da UFRGS. Vale a leitura.