13 dicas para conseguir economizar (e ganhar dinheiro) apesar da crise

Aproveite o momento de crise para organizar as finanças e fazer os juros altos ajudar a aumentar suas economias
Com a crise econômica diariamente no noticiário, fica difícil não ficar contaminado pelo pessimismo. Mas se por um lado a inflação pode dificultar na hora de consumir, os juros altos utilizados para conter que ela cresça beneficiam quem poupa. Por isso, este é um bom momento de deixar de comprar e passar a economizar. “Crise significa que falta dinheiro. Por isso, é um bom momento para conseguir poupar”, diz o coordenador do Centro de Estudos em Finanças Fundação Getúlio Vargas, William Eid Junior.

Se você faz parte dos 75% da população que não tem o costume de guardar parte do dinheiro para o futuro, confira algumas dicas que podem ajudar a poupar cada vez mais e melhor.
1. Observe suas finanças
Muitas vezes, nem percebemos que as mudanças na economia estão nos atingindo. “As pessoas tendem a achar que a perda de renda só afeta os outros, mas não é verdade. Em especial a classe média é mais afetada, já que a inflação em cima da classe média, já que é muito embasada em serviços, que encarecem mais do que a inflação média, que é baseada em produtos básicos”, explica Eid.
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Por isso é importante prestar atenção às suas finanças. Saiba quanto ganha, quanto tem guardado, quantas parcelas ainda tem de pagar e quanto gasta mensalmente com itens fixos e também com despesas eventuais, porém frequentes. Neste momento não deixe de lado nenhum gasto. Mesmo os menores podem fazer uma grande diferença ao acumularem no final do mês. Acrescente também o que você gostaria de guardar mensalmente.
“Quando a pessoa passa a analisar os gastos dela de maneira mais critica, ela passa também a enxergar estratégias de poupar de maneira menos sofrida”, diz Carolina Ruhman Sandler, coautora do livro Finanças femininas — Como organizar suas contas, aprender a investir e realizar seus sonhos.
Para quem nunca parou para observar as finanças, Carolina aconselha a não começar tentando marcar todas as compras do dia, mas observar extratos de meses anteriores e encaixar suas despesas nestas três categorias: essenciais para viver, supérfluos e o que se poupa para o futuro. Desta forma já é possível notar como são suas despesas e traçar estratégias para o futuro.
2. Mantenha controle periódico
Uma vez que tiver feito um estudo geral, o ideal é manter essa prática de maneira periódica. Só assim será possível acompanhar de fato o que acontece com o seu dinheiro, se há maneiras de economizar mais.
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Alguns aplicativos podem ajudar a manter o controle das finanças no dia a dia, com opções para registrar todos os gastos, inclusive. Mas tanta rigidez e disciplina pode não ser a melhor ideia para todos. “Não costuma funcionar anotar todos os gastos, isso é para pouquíssimas pessoas. Na realidade, eu costumo indicar que acompanhe uma planilha mensal”, explica Carolina. “Fazer isso de forma muito rígida, é como fazer uma dieta muito rígida, que dura por pouco tempo e quando sai dela, é até com certa aversão.”
Por isso, confira o que combina mais com o seu estilo de vida, mas não deixe de ao menos uma vez ao mês estudar suas finanças de forma detalhada.
3. Pague suas dívidas
Não adianta pensar em economizar se ainda está devendo dinheiro. Juros de cartões de crédito e cheque especial são sempre muito maiores do que qualquer investimento. Por isso, a regra é sempre evitar ficar no vermelho. Se você já tem dívidas, pague-as antes de pensar em poupar. Se no futuro estiver caminhando para uma, não hesite na hora de sacar uma aplicação, mesmo que não tenha rendido o tanto esperado. “O mais importante é quitar tudo. Não há aplicação que vença as taxas de juros cobradas pro uma dívida postergada”, diz o sócio consultor da Prestec Consultoria de Gestão, Fausto Morey.
4. Trace objetivos
Quando se guarda dinheiro, é bom ter um propósito para isso. Em primeiro lugar para saber quanto será necessário, depois para conseguir resistir às tentações e se manter firmes na economia.
O problema é que, em geral, não se tem um único objetivo, mas vários. “Dinheiro não compra felicidade, mas pode comprar prazer. O problema é que normalmente nós temos mais sonhos do que temos dinheiro, por isso é preciso priorizar”, diz Morey.
Casamento, intercâmbio, filhos, casa própria, aposentadoria… Cada um desses objetivos exige uma preparação e uma economia diferente. O ideal é escolher quais são as prioridades, quanto é necessário para realizá-las e traçar estratégias financeiras diferentes para cada uma. Isso se refletirá na escolha da aplicação para poupar. Conheça aqui quais as melhores opções para curto, médio e longo prazo.
5. Tenha uma reserva de emergência
Uma vez que se pensou em tudo que se deseja, por vezes, a pessoa acaba deixando todo o dinheiro preso em aplicações de longo prazo para garantir que não vai mexer nele, mas essa pode não ser a melhor escolha.
É bom ter um fundo para emergências. “Se você perder seu emprego, qual a estimativa de tempo para você voltar a encontrar um emprego? Se for um ano, você deveria ter recursos para se sustentar neste período. É claro que você vai baixar o seu consumo, mas é bom calcular. Essa é a emergência básica: perder o emprego”, diz o professor da FGV, William Eid Junior.
Por isso é melhor optar por fazer uma parte da reserva em um investimento de fácil resgate, como um fundo DI, um CDB ou uma LCI (se as siglas não fazem sentido para você, clique aqui para conhecer essas e outras opções rentáveis mesmo com a inflação). Somente a partir do momento que esta reserva já existe, se passa a buscar outros investimentos.
É bom sempre lembrar também do futuro. “Se a pessoa conseguir guardar 10% da sua renda, ao longo de uma vida, ela conseguiria uma renda similar ao que tinha trabalhando”, explica o professor.
6. Se obrigue a poupar
“Se sobrar alguma coisa no fim do mês, eu guardo”, essa é uma das maiores pegadinhas para quem quer economizar. “A pessoa que não consegue poupar é porque não tem disciplina para tirar da conta”, afirma o coordenador do laboratório de finanças do Insper, Michael Viriato.
Por isso, o melhor é já tirar o dinheiro da conta assim que o salário cair, assim como acontece com os impostos descontados direto na fonte. “Ninguém diz que não tem dinheiro para pagar o Imposto de Renda que é descontado do salário, então você não deveria fazer isso com você mesmo. Não deixe seu investimento ser passível da sua vontade”, diz Viriato.
Se você não tem força de vontade para fazer isso, contrate um serviço de poupança automática ou de alguma aplicação que já desconta mensalmente um valor combinado na data em que o salário é depositado.
7. Guarde (nem que seja) na poupança
Não é preciso ser um especialista em finanças para começar a economizar. Muita gente prefere esperar encontrar a aplicação perfeita com melhores taxas para começar a guardar dinheiro, mas o melhor mesmo é começar a guardar. “A principal dica é economizar: não interessa o tamanho. Vai fazer mais efeito no longo prazo, você guardar dinheiro, do que efetivamente investir em um lugar melhor”, diz a planejadora financeira Andrea Rezende. Por isso, se você ainda não conhece todas as opções de investimento que vencem a inflação, use a poupança como instrumento inicial e se informe.
8. Negocie na hora de investir
Não fique preso a seu banco. Há diversos bancos brasileiros, corretoras e instituições que oferecem serviços financeiros com taxas diferentes. Por isso, se informe, compare e negocie melhores condições. “Vá a outros lugares, converse, assim como quando vai comprar carro usado. Não entendo por que em uma situação vai a todas concessionárias, investiga, sabe tudo sobre todos os modelos, mas quando vai investir é diferente. Senta no primeiro lugar e fica por lá”, diz Eid.
9. Compare preços
Não é preciso comparar só na hora de investir, mas também para conseguir economizar. Com a inflação batendo 9% ao ano, por vezes consumidores podem perder a noção dos preços reais dos produtos, assim como empresários podem encarecer seus produtos antecipando uma alta dos preços gerais da economia. “Pesquisar preços parece uma tarefa inglória, só que é essencial para conseguir entender o que é um nível correto de preço e saber onde há exagero e fugir das ciladas”, afirma a autora de “Finanças Femininas”.
É bom dedicar um tempo para pensar as compras de supermercado. “Os gastos em supermercados correspondem a uma porcentagem significativa de nosso orçamento mensal e se for feita de forma inteligente pode economizar muito”, diz Carolina. Por isso, é bom sempre ter uma lista em mãos já com um cardápio pensado para reutilizar alimentos e não deixar sobrar. E para encontrar os melhores preços há aplicativos que ajudam como Meu carrinho, Facilista ou Boalista.
10. Fuja dos parcelamentos
Outra dica na hora de comprar é pagar à vista. Além de ser possível negociar um desconto, é uma garantia maior que o valor se encaixe no seu orçamento. Além disso, mantendo-se longe dos parcelamentos, o controle sobre o dinheiro é maior.
“A gente tende a perder o controle das contas parceladas e acaba esquecendo. Sem falar que pode não ter emprego daqui a três meses, então é melhor evitar. Ainda mais em períodos de crise”, afirma a especialista.
11. Repense seu padrão de vida
Na hora de economizar, vale repensar seu padrão de consumo. Você precisa mesmo do seu carro ou será que trocá-lo por um táxi pode ser vantajoso? Seu filho precisa de um super celular super tecnológico só para entrar no Facebook e no Whatsapp? A TV a cabo ainda é necessária? Será que vale almoçar todos os dias em restaurantes ou vale levar marmita de casa? Você frequenta a academia que paga todo mês? Será que vale trocar por uma caminhada do parque?
“É sempre bom ver a questão com a ótica anual, analise de forma racional quanto seus gastos, sua estrutura e seu cotidiano valem ao longo de um ano todo. A maioria das pessoas consegue diminuir seus gastos de 20% a 30%, fazendo essa analise mais cuidadosa”, afirma o professor de finanças da Faculdade de Economia da Universidade de São Paulo (USP), Luiz Jurandir Simões.
Nesse momento de observar os gastos, é preciso se policiar para não ser muito auto-indugente. “Tome muito cuidado com o ‘eu mereço’, ‘eu quero’. Faça uma avaliação se seus gastos condizem com suas prioridades de vida. Guardando espaço para os prazeres da vida, mas sem exagerar”, diz Carolina.
12. Deixe o shopping para lá
Para muita gente o programa de final de semana é frequentar o shopping mais próximo. O problema é que mais da metade dos brasileiros afirmou ter comprado por impulso, de acordo com o Serviço de Proteção ao Crédito (SCPC), e não há locais mais propícios para compras por impulso.
“Comece a pensar em outros passeios. Deixe o dinheiro bem separado pelos objetivos. Vendo o dinheiro todo disponível, você pode se empolgar e achar que pode comprar algo. Lembre-se do planejamento e tenha disciplina”, aconselha Eid.
13. Separe um valor para supérfluos
Pode parecer incongruente falar em gastar com supérfluos em uma lista de como economizar, mas é bom pensar na economia como em uma dieta. Um planejamento muito restritivo pode gerar escapadas mais danosas, assim como um obeso que tenta emagrecer 30 quilos em um único mês somente com uma dieta detox. Ao se frustrar, buscará guloseimas e não um franguinho com salada. “É um momento que exige um equilíbrio muito fino, por que uma pessoa que passa a se privar de muitas coisas, de sair, de lazer, de brinquedos, acaba tendo uma vida tão restrita que qualquer probleminha, acaba descambando para gastos muito maiores”, afirma Carolina.
Por isso, o ideal é separar um valor definido para gastos supérfluos, assim também os pequenos confortos não sairão do controle. “Em um momento de crise, quando corre o risco de perder o emprego, este valor pode ser revisto, mas é bom não cortar demais e ficar sem ter nenhuma comodidade.”