Evento discute formas de evitar o suicídio

Começa nesta segunta-feira na PUCRS evento que contará com a participação de uma dos principais pesquisadores dos fatores que levam alguém a tirar a própria vida
Um dos mais respeitados especialistas do mundo em suicídio estará em Porto Alegre para o evento Traumas e a Repercussão no Desenvolvimento da Pessoa, que tem início nesta segunda-feira na Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS). Nascido na Argentina e radicado no Canadá, com parte da formação realizada no Brasil, o psiquiatra Gustavo Turecki será um dos participantes da conferência de encerramento, na quinta-feira.
Diretor do Departamento de Psiquiatria da Universidade McGill, em Montreal, Turecki se dedica ao estudo do tema há 15 anos, com atenção especial à influência de fatores ambientais nas funções cerebrais e a relação dessa interação com o risco de depressão e de suicídio. — Meu trabalho foca em como as adversidades do início da vida regulam a expressão de sistemas-chaves de genes. Acredito que essa regulação genética alterada leva ao desenvolvimento de um comportamento diferencial, que por sua vez deixa os indivíduos mais sujeitos a um comportamento suicida, especialmente quando estão deprimidos. São relações complexas, que não podem ser explicadas por fatores isolados — afirma Turecki.
De acordo com o psiquiatra, entre 60% e 70% dos suicídios registrados no mundo ocidental envolvem pessoas diagnosticadas com depressão pelo menos seis meses antes. Determinar por que alguns pacientes deprimidos tomam a medida extrema de tirar a própria vida, enquanto outros com a mesma doença não o fazem, também está entre os objetos de estudo do pesquisador. — Existem certos fatores comportamentais, clínicos e de desenvolvimento que aumentam o risco de suicídio entre indivíduos afetados por depressão grave. Entre eles, traços mais fortes de um comportamento impulsivo-agressivo estão mais consistentemente associados a níveis mais elevados de suicídio. Transtornos de personalidade e transtornos relacionados ao uso de substâncias também são importantes fatores de risco — comenta Turecki.
Lucas Spanemberg, doutor em Psiquiatria e professor do curso de especialização em Psiquiatria do Hospital São Lucas da PUCRS, participará da exposição de Turecki como debatedor. A prevenção do suicídio será outra das abordagens destacadas pelos médicos. Intervenções precoces em casos de violência física, abuso sexual e negligência emocional na infância, com investimento na preservação da saúde mental e da qualidade de vida, são essenciais para impedir atitudes extremas. — Não se pode negligenciar as implicações disso para o futuro. Os maus-tratos associados aos pais, pessoas que deveriam cuidar e trazer uma sensação de proteção, aumentam a possibilidade de deixar a pessoa mais propensa a ser reativa a eventos estressores. Ela fica menos resiliente, com menos capacidade de lidar com frustrações, tem reações negativas, tende a confiar menos na rede de apoio por causa da experiência anterior de não confiança — explica Spanemberg.
O EVENTO
Temas de Psiquiatria 2015 — Traumas e a Repercussão no Desenvolvimento da Pessoa
De segunda a quinta-feira, a partir das 19h30min, no Anfiteatro Irmão José Otão do Hospital São Lucas da PUCRS
Informações e inscrições: (51) 3320–3367 e (51) 3339–5798
COMO AJUDAR A PREVENIR O SUICÍDIO — Depressão, transtorno bipolar e transtorno de uso de drogas e álcool são as três principais causas de suicídio. Acompanhamento especializado é fundamental nesses casos. — A maior parte das pessoas que comete suicídio falou ou quis falar sobre isso dias antes da morte. Fique atento ao discurso que deixa transparecer desesperança e falta de perspectivas para o futuro. — Construa uma rede de apoio em torno da pessoa que está cogitando tirar a própria vida. Inviabilize métodos (retire armas de fogo de casa, recolha medicamentos), nunca a deixe sozinha, localize os fatores estressores que serviram de gatilho (perdas afetivas ou materiais). Por vezes é necessária a internação. Quem já pensou em se matar antes ou tem histórico de tentativas prévias está mais propenso a cometer suicídio.