Precisa descansar? Então fique sozinho, conclui novo estudo

Pesquisa inglesa realizada com 18.000 pessoas afirma que a melhor forma de descansar plenamente é ficar sozinho

O que significa realmente “descansar” para você? E o que você faz para ficar plenamente descansado? De acordo com uma pesquisa realizada pela BBC e o Hubbub, um coletivo internacional de pesquisadores vinculados à Universidade Durham, na Inglaterra, a maioria das pessoas precisa realizar atividades “solitárias” como ler, estar em um ambiente cheio de natureza, ouvir música ou simplesmente não fazer nada para de fato descansar. As informações são da rede britânica BBC.

O Teste do Descanso, nome dado ao estudo, foi respondido por mais de 18.000 pessoas em 134 países e traz informações sobre o que significa descansar e qual é a forma mais eficiente de fazer isso em diferentes partes do mundo. Embora possa parecer algo óbvio para muitas pessoas, o ato de “descansar” está longe de ter uma definição única e direta. Enquanto para alguns, a descansar mente e corpo é um ato simultâneo, outros só conseguem descansar a mente após “cansar” o corpo.

Quando questionados sobre quais atividades consideravam mais “relaxantes”, ler ficou em primeiro lugar, seguida de “estar em um ambiente cheio de natureza”, “ouvir música”, e “fazer nada”. Para 16% das pessoas, descansar envolve a prática de exercícios físicos e encontrar amigos e familiares, conversar ou beber socialmente foram atividades que ficaram bem abaixo no ranking das “melhores para se descansar”.

O que chamou a atenção dos pesquisadores é que as atividades mais bem colocadas no ranking são feitas enquanto se está sozinho. Isso não significa que essas pessoas não são sociáveis ou não gostam de estar com os outras, mas apenas que não veem isso como uma forma efetiva de descanso. E isso se aplicou tanto para pessoas extrovertidas — que muitas vezes são definidas como pessoas que recarregam suas energias quando estão cercadas por muita gente -, quanto introvertidas. No ranking das pessoas extrovertidas, essas atividades sociais até apareceram mais para cima, mas ainda bem abaixo das atividades consideradas “solitárias”.

“As pessoas disseram que, quando estão sozinhas, em geral elas focam mais naquilo que estão sentindo, no seu próprio corpo e nas próprias emoções”, afirmou Ben Alderson-Day, um psicólogo da Universidade Durham e coautor da pesquisa, à BBC.

Entretanto, a ideia de que quando as pessoas estão sozinhas, elas estão mentalmente conversando consigo mesmas ou que seus cérebros estão descansando, não é totalmente verdadeira. “As pessoas disseram que só estavam conversando com elas mesmas por 30% do tempo. Há um indício de que quando você está sozinho, além de se desligar das outras pessoas, você tem a chance de se desligar do seu próprio monólogo interno também”, disse Alderson-Day.

Estudos recentes feitos com escaneamento cerebral mostraram que quando estamos descansando, supostamente fazendo nada, nossa mente tem a tendência de passear pelos pensamentos e nosso cérebro acaba ficando mais “ocupado” do que quando está concentrado em uma só tarefa.

Constantemente cansados

É comum ouvir as pessoas reclamarem que é difícil descansar. Cerca de dois terços dos participantes disseram que gostariam de ter mais tempo para descansar. Quase um terço afirmou que precisa de mais tempo de descanso do que a média das pessoas — e 10% responderam que precisariam de menos tempo do que a média.

Uma das questões do teste perguntava quanto tempo as pessoas haviam descansado no dia anterior, deixando-as livres para responder da maneira que quisessem. A média foi de três horas e seis minutos. Mas não descansar o suficiente pode atrapalhar o bem-estar? Provavelmente.

Descanso e bem-estar

Os resultados do Teste do Descanso mostraram que pessoas que tinham menos horas de descanso no dia anterior tiveram uma pontuação menor na escala de bem-estar. Na verdade, pessoas que não sentem necessidade de mais horas de descanso tiveram o dobro da pontuação de bem-estar se comparadas àquelas que afirmaram sentir falta de mais tempo para descansar. Isso sugere que a percepção do descanso importa. Em geral, se nós não nos sentimos “descansados”, nosso bem-estar despenca.

Os participantes com a mais alta pontuação no quesito bem-estar haviam descansado em média cinco ou seis horas no dia anterior. Mas, nas que tinham tido mais tempo de descanso do que isso, o nível do bem-estar caiu levemente. Isso sugere que talvez um um descanso “forçado” não tem o mesmo impacto no bem-estar do que um descanso voluntário ou ainda que cinco ou seis horas por dia é o tempo ideal de descanso para qualquer um.

Trabalho e descanso

Baseado na quantidade de horas que as pessoas disseram ter descansado nas 24 h anteriores, o grupo que havia descansado menos era composto de pessoas jovens, com empregos tradicionais, renda mais alta e, às vezes, trabalho em períodos noturnos. Enquanto o grupo mais “descansado” em geral era mais velho, com renda mais baixa, sem emprego ou trabalhando em dois turnos diários separados — quando as pessoas trabalham um certo número de horas, depois têm tempo livre e depois voltam a trabalhar bem mais tarde naquele dia.

Embora os homens estivessem mais propensos a dizer que têm menos tempo de descanso do que uma pessoa normal, na realidade, seus relatos mostravam que eles tinham tido, em média, apenas 10 minutos a mais de descanso do que as mulheres.

Uma associação preocupante revelada pelo levantamento foi a associação entre o descanso e sensações como “culpa” e “stress”. Quase 9% das pessoas associaram termos como “culpado” ou até “estresse induzido” ao ato de descansar. O que sugere que essa simples e necessária atividade faça com que algumas pessoas se preocupem com o que estão deixando de fazer.

“Nós realmente precisamos transformar esse conceito de que, quando você descansa mais, você se torna preguiçoso. O fato de que as pessoas que descansam mais parecem ter um nível de bem-estar mais alto do que as outras é uma prova da necessidade do descanso”, afirmou Felicity Callard, diretora do Hubbub.

Quando questionadas sobre se descansar é o oposto de trabalhar, a maioria das pessoas que tinha um emprego fixo responderam que sim. Mas aquelas que eram autônomas ou voluntárias tiveram disseram que não. Uma análise completa das respostas será publicada até o próximo ano, mas esses resultados sugerem por exemplo que seu trabalho pode afetar a forma como você vê o descanso ou se você realmente gosta do que faz, o trabalho em si pode ser visto como “descanso”.

Descanso é relativo

Callard afirma que esses dados prévios já sugerem uma mudança para os médicos. Isso porque, quando eles prescrevem “descanso”, nem todo paciente irá entender essa recomendação da mesma forma. “Existe uma necessidade clínica de ser mais explícito sobre o que você está prescrevendo quando recomenda descanso. Apenas dizer a uma pessoa para não fazer nada pode provocar mais ansiedade do que relaxamento em si.”, diz a especialista.

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