.Uruguay del mi corazón.

Patricia Alencar
Jul 24, 2017 · 7 min read

.foram 20 dias no Uruguay, em dezembro/2013.

Independente do quanto me esforce, será difícil exemplificar em palavras o que significou pra mim e para minhas amigas (Dani e Turin) ter visitado esse chiquito país. Por isso, resolvi relatar um pouco como foram nossos dias por lá, desde quando decidimos que iríamos.

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Visitar o Uruguai ficou, sem dúvida, em primeiro lugar no top 10 das melhores coisas do ano passado. E foi meio de supetão, sem muito planejamento. Quando vimos já estávamos comprando as passagens a preço de banana (sério, conseguimos uma promoção muito, mas muito boa). Depois não tinha mais volta, e não gostaríamos que tivesse mesmo.

Então, começamos a pesquisar sobre o país, pesquisar preços e hostels, conversar com pessoas que haviam passado por lá e conversar também com nossa amiga uruguaya (Maytê). Fechamos uma pré rota: Montevideo > Punta Del Diablo > Cabo Polonio > Piriápolis/Punta Del Este > Colonia Del Sacramento > Montevideo. Entramos em contato com os hostels mas não pagamos nenhum antecipadamente, dizíamos apenas que iríamos e contamos com a sorte para que tivesse vaga quando chegássemos. E não tinha como dar errado, o povo uruguayo é receptivo demais, uma simpatia e tranquilidade só deles. Além disso, estávamos indo na baixa temporada.

Chegamos no dia 03 de dezembro em Montevideo, nos informamos no próprio aeroporto de como teríamos que fazer pra chegar no primeiro hostel, a cerca da rodoviária Tres Cruces. E foi no aeroporto mesmo que fizemos o primeiro câmbio de nosso dinheiro, o que depois foi uma das coisas que mais nos fez quebrar a cabeça, trocar ou não trocar os dólares, qual a melhor opção pra perder menos dinheiro… No fim, desistimos de fazer contas e trocamos tudo por pesos uruguayos. E os fizemos render. No geral, o custo de vida no Uruguay é bem parecido com o de São Paulo.

Mas, Montevideo não chega nem perto da lotação de Sampa. Cidade vazia e tranquila.

Ficamos dois dias por lá… A cidade é baixa, poucos prédios, muitos carros velhos pelas ruas. Demos uma boa caminhada pela cidade, andamos de ônibus, conhecemos a Ciudad Vieja, a Biblioteca Nacional — que não tem sistema informatizado -, o Banco da República, o prédio onde fica o presidente Mujica e otras cositas más. Nas noites, nossa amiga Mayte nos levou em alguns ‘rolês’. Fomos a um Candombe de rua — música típica, daquelas que as crianças já nascem tocando -. E conhecemos a Murga, em ensaio de um grupo — que são paródias meio teatrais, muitas vezes políticas, muito bem cantadas e ensaiadas por corais, e que disputam concursos no carnaval uruguayo –. Lá, estávamos turistando e, mesmo assim, andar na cidade a pé as 3h da manhã não demandou nenhuma preocupação a mais, mesmo, nós brasileiras, sendo acostumadas com a sensação da insegurança paulista. No Uruguay deve-se ficar atento, mas não tenso como aqui…

Cozinhamos muito — gastamos pouco…

Nessa viagem optamos por cozinhar na maioria dos dias… Pra economizar uma grana e, também, porque nos restaurantes uruguayos as opções não são as mais saudáveis. Chivito, empanada, milanesa, parrillada, tortilla… Tudo delicioso, mas um tanto pesado.

Foram dois dias em Montevideo, suficientes para nos apaixonarmos. Quase mudamos os planos já no início da viagem. Mas tínhamos ainda 18 dias e voltaríamos para lá depois. Então, colocamos nossas mochilas nas costas e partimos para Punta Del Diablo. Foram mais ou menos seis horas de viagem observando as planícies e as cidadezinhas onde desciam e embarcavam gente.

Uruguay, um país plano…

Em Punta Del Diablo desembarcamos do lado do hostel onde ficamos por cinco dias. O dono de lá (Pablo) nos buscou e ajudou com as malas. Como fomos fora de temporada, Punta estava vazio. Foram dias tranquilos de praia, sol, muito vento e água do mar geladíssima. Lá ficamos sabendo que a juventude uruguaya vai ao boliche a noite pra se divertir.

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Muito tempo livre — alguns exercícios na praia…

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De Punta, subimos até o Parque Nacional Santa Teresa. Fomos em um dia bem quente e nosso plano de ir da Playa de las Achiras até Punta Del Diablo a pé, acabou com uma carona gentilmente dada por um casal e seus dois filhos.

No último dia fizemos um almoço para nós e os donos do hostel (Pablo e Sheila), onde conversamos bastante, conhecemos um pouco mais da vida local e descobrimos que o tal boliche não é bem o que estávamos pensando… Boliche lá, é nossa balada aqui. Foram dias rindo desse causo depois.

#Partiu

Enquanto isso, em Montevideo acontecia a última manifestação pela legalização da maconha, que foi votada no dia 10 de dezembro e regularizada. Agora o consumo damarijuana é legal no país… Mas, mesmo antes, os uruguaios já consumiam praticamente como tabaco…

Seguimos viagem para Cabo Polonio, nosso terceiro destino. Hoje o lugar é uma reserva ambiental onde nada mais pode ser construído. Para chegar lá tivemos que passar por Castillos, e de lá seguir até uma mini rodoviária já perto de Cabo Polonio. Então, pegamos uma espécie de caminhão que leva o povo todo pra Cabo.

E que lindo! Ficamos encantadas. Em Polonio moram 70 pessoas durante o ano, mas no verão chega a ter umas 2000 pessoas. Lá, nada de energia elétrica ou água encanada. Foi rotina diária pegar água no poço… Alguns geradores garantiram o carregamento do celular para as fotos. Passamos dias maravilhosos de muitas conversas Aurélio — daquelas que temos que remexer no fundo do baú da memória para explicar o significado de algumas palavras ditas -, mímicas, novas amizades e muito Candombe. Dias cheios de sol, vento, lobos marinhos e um céu colorido, dos mais lindos que já vi. Dias onde nosso portunhol ganhou mais vida. Lá também fomos ao boliche e dançamos Cumbia. É inexplicável a vivência que experienciamos naqueles cinco dias.

Seguimos para Piriápolis, no Departamento de Maldonado. No Uruguay não tem essa de estados como temos aqui no Brasil. Existe uma divisão por departamento, como chamam. Eu entendi como se o país fosse dividido em cidades e bairros, mas não sei se é uma analogia muito correta.

Em Piriápolis encontramos Mayte novamente, e conhecemos a amiga dela (Maria, que também se tornou nossa amiga), e que gentilmente nos abrigou em sua casa. Maria pegou o Jipe do irmão e fez nossa festa. E nele fomos atrás, em pé, cantando e sorrindo. Conhecemos as lindas praias da região, subimos até o Pan de Azúcaruruguayo em uma noite quente e cheia de vento, é claro. E no dia derradeiro fizemos a melhor pizza que já existiu até hoje por aquelas bandas.

Depois desses dias maravilhosos era hora de voltar à Montevideo e sacar se o encanto inicial permanecia depois de tudo que vivemos nesse “meio do caminho”. Já era 18 de dezembro.

Nosso plano inicial era ficar uns dois dias em Colonia Del Sacramento, mas resolvemos passar só um dia por lá por dois motivos: Colonia é um pouco mais caro e já estávamos ficando sem grana; e gostamos muito de Montevideo e queríamos ter tempo pra conhecer mais!

Colonia del Sacramento é lindo. Construções antigas e museus para conhecer. Praia e rio. É de lá que sai uma embarcação até a Argentina, muitos aproveitam essa facilidade pra dar um pulinho nas terras uruguayas.

Nos últimos dias em Montevideo ficamos hospedadas na casa de Mayte. Conhecemos mais a cidade, principalmente os boliches nas longas noites regadas a novas amizades e conversas Aurélio intermináveis. Turistamos no Mercado del Puerto e experimentamos as famosas carnes de lá, que são mesmo muito boas. Vimos um show da banda Pa’ntrar en Calor, música latina de primeira!

E no ultimo dia…

Acordamos cedo, fomos a um mercado municipal, andamos pela feira principal da cidade, que ocupada dezenas de quarteirões e vende de tudo! Fizemos um super almoço. A noite fomos ao famoso bloco de Candombe de rua, depois fomos ver a banda La Chorona, de chorinho brasileiríssimo. E terminou com muita risada e ótimas cias.

E chegou a segunda mais segunda que já existiu.

No dia 23 de dezembro, segunda-feira, acordamos cedo e partimos para o aeroporto. A triste volta à realidade de São Paulo. Chegamos as 17h, horário de pico, cheio de carros e confusão.

E tudo que vivemos ficou na memória, como um sonho… mas não foi um ‘adeus’, e sim um ‘hasta pronto’.

Patricia Alencar

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