.viagem presente: Buenos Aires em dois dias.
.aprendi que as melhores coisas da vida, definitivamente, não são coisas.
Por isso, no dia das mães desse ano realizei um sonho que, a princípio, era muito meu: sair do país com a senhora Djanete. A primeira viagem internacional dela. E a primeira que estávamos somente ela, minha irmã e eu.
Foi surpresa.
Escolhi a Argentina pela facilidade e por ser um país novo para mim também. Procurei as passagens, comprei para dali um mês e mandei a confirmação pro WhatsApp da minha mãe pouco antes do almoço daquele domingo. Quando cheguei em sua casa ela estava meio ‘tonta’, surpresa e até preocupada com o fato de que iria sair do país. Minha irmã se animou e decidiu ir com a gente. O que foi perfeito.
Com o passar dos dias e as preparações o receio da minha mãe foi dando espaço ao entusiasmo e a ansiedade. E na sexta-feira, 10 de junho de 2016, saímos do Aeroporto Internacional de Guarulhos, por volta das 19h30, rumo a Buenos Aires.

Confesso que dessa vez me preparei menos. Um pouco por ser uma viagem curta, um pouco porque depois dos 15 dias chilenos, viajar para uma metrópole fora do Brasil já não me assusta muito. Fechei apenas a hospedagem. Não planejamos exatamente o que fazer nos dois dias que estaríamos em BsAs, havíamos pesquisados lugares legais para visitar e conversado com alguns amigos. Eu também tinha olhado o valor do Peso Argentino em relação ao real. Eram 4 para 1.
Chegamos lá por volta das 23h, no aeroporto Ezeiza que fica em uma cidade vizinha de Buenos Aires. Estava bem frio. Já sabíamos que teríamos que pegar um táxi, então demos início a saga do câmbio.
Trocar e converter dinheiro sempre será a função chata de qualquer viagem internacional. No Banco Nacional pagaram 3,60. Um tanto abaixo do que eu tinha pesquisado. Mesmo assim era mais vantajoso trocar o real por peso para pagar o táxi. Depois de algumas pesquisas conseguimos, fora saguão do aeroporto, uma viagem por 500 pesos. Dentro do aeroporto o valor era de 580 a 600.
E como toda boa viagem, a primeira sorte. O taxista que levou a gente até o hotel, o senhor Horacio, nos falou sobre a cidade e até desviou um pouco do caminho para nos mostrar o obelisco. Foi onde comecei a fazer uso do meu portuñol e perceber que ele está melhor do que imaginava.
O hotel reservei pelo booking.com, localizado no centro da cidade, próximo ao metrô e por um valor bom. O quarto estava sempre quentinho. Apenas o café da manhã deixou a desejar. Justo o café da manhã que tanto amo!. rs. Mas ok.
No sábado acordamos cedo, comemos e saímos pela cidade. Decidimos ir primeiro até a Plaza Mayo.
Pensamos inicialmente em seguir caminhando, mas como o tempo estava curto, logo resolvemos ir de metrô. Foi uma missão um pouco mais difícil do que imaginamos.

No metrô e bus de BsAs só é possível pagar a passagem através de um cartão (tipo o bilhete único de Sampa), lá não é possível pagar com dinheiro como aqui. A questão foi achar o tal cartão. No metrô não vendia e ninguém sabia nos informar aonde comprar. Fomos caminhando e perguntando em cada loja até achar uma banca de jornal que vendia. Ufa! Entramos no primeiro metrô que vimos e conseguimos carregar o cartão.
Depois que embarcamos, foi rápido até a Plaza Mayo, onde está a Casa Rosada, museu e sede da presidência. Como não havíamos feito o cadastro no site não podíamos entrar. Então seguimos para conhecer o Puerto Madero.

Caminhamos bastante. O lugar é bem bonito, e no sábado de manhã estava meio vazio. Encontramos uma cabine para auxilio à turistas. Fomos nos informar aonde poderíamos fazer o câmbio de dinheiro: Rua Florida, com pessoas comuns, porque sábado as casas de câmbio não funcionam. Nos informamos e também conseguimos preencher o cadastro para fazer a visita guiada na Casa Rosada na parte da tarde.
Caminhamos.
Na Florida pessoas gritando os valores do câmbio. Muita gente e muito comércio. Trocamos dinheiro e também compramos, com um brasileiro depois de algumas pesquisas, um show de tango no Romero Manzi, com direito a jantar e bebida.


Depois disso tivemos que comer correndo. Na Casa Rosada conhecemos parte da história arquitetônica e política de BsAs. Voltamos para o hotel para nos arrumarmos para o tango. Um carro foi nos buscar às 20h.
Foi lindo, foi a realização de um sonho ver um show de tango na Argentina. Comemos bem, bebemos vinho e vimos músicos e dançarinos profissionais no palco. Estar ali com minha mãe e irmã já era suficiente para valer a viagem.
Pensamos em ir para uma balada, eu bem que queria mas estava morta e com muiiiiito frio. A mais animada, menos cansada era minha mãe. É disso que falam sobre a idade estar no espírito. É, não deu. A balada ficou por conta dos sonhos num quarto bem quentinho.
Para o domingo programamos de conhecer a flor gigante de metal que abre com o sol e fecha a noite, a famosa Floralis generica. Depois conhecer o estádio do Boca e o Cassino. Foi um dia loooongo.
Decidimos fazer tudo de transporte público. Caminhamos um montão.

A flor é linda de viver! Valeu a caminhada de 30min, depois de desembarcar na estação mais “próxima”. De lá decidimos ir para o Boca. Foi outro rolê até conseguir achar um lugar para recarregar o cartão. Quando conseguimos, pegamos um bus até próximo do estádio. Caminhamos por aquela região um tanto apreensivas, mas chegamos no estádio que.. é.. bem.. por fora não é tão legal.. rs
Fomos conhecer a Rua Caminito e almoçamos do lado.
Nosso único causo tenso da viagem se deu nesse almoço. O couvert, que aqui em São Paulo desde 2011, caso seja pago, só pode ser servido se o cliente solicitar e apresentando claramente o valor, em BsAs eles servem sem solicitação, mas é pago. Nós não sabíamos e, pior, estamos com pesos contados e, quando fechamos a conta, ela era maior do que nosso dinheiro na moeda local. Mas deu uma confusão. A dona queria que a gente deixasse o celular, minha irmã falando de chamar a polícia, eu argumentando em espanhol, puta da vida. Agora lembrando dou risada, mas na hora foi bem tenso. rs. No fim o garçom tirou peso do bolso para pagar a diferença e nós deixamos reais com ele num valor mais alto do que devíamos. Nunca mais comemos entradas na Argentina antes de perguntar o preço. rs.
Depois da confusão, caminhamos pela costa um pouco e partimos de bus para Puerto Madero. Minha mãe e irmã queria conhecer o Cassino de lá. Eu também. Mas antes fomos tomar um café no Havana da perto da Plaza Mayo. Um delícia de lugar. Andamos, andamos e andamos mais um pouco. No Cassino entramos e ficamos pouco. Ele é deprimente como qualquer outro. Pessoas velhas hipnotizadas pelas máquinas e jogos.

Voltamos para Plaza Mayo lugar que já estávamos nos sentindo em casa. Fomos em uma padaria comer para ir pro hotel. Saímos de lá às 22h e o metrô estava fechado, então pegamos um táxi. No caminho aproveitei para perguntar quando ficaria a corrida até o aeroporto, o valor era mais barato do que com o senhor que nos levou quando chegamos, então fechamos com ele.
Capotamos casadas do fim de semana intenso e cheio de andanças que tivemos. Mas às 03h30 da manhã saímos rumo ao aeroporto.
Foi uma viagem curtinha, mas bem intensa. Foi uma experiência inesquecível para nós, sem dúvida. E apensar de ser nosso país vizinho, as fronteiras que cruzamos juntas não foram nada curtas..
Um feliz todo dia mãe, te amo! E o mundo nos espera!.
