Ausência

Untitled — Sofia Ajram

Não ter você me faz cometer as maiores loucuras. Como preencher espaços com estranhos e acordar no dia seguinte me perguntando — por quê?

Sua ausência cria a sensação de que a vida é vazia, mesmo diante dos mais envolventes atos.

Quando você falta, eu sinto que faltam peças do quebra-cabeças que é a vida.

Você ausente é causa de uma dissonância que anula todas as ressonâncias que acontecem à minha volta.

Se você não está, eu vivo memórias como se elas fossem a história de agora.

Não ter você me faz imaginar as piores coisas, mesmo quando estou com um sorriso no rosto, rodeada de tantas outras pessoas.

Sua ausência provoca o caos da contradição, estabelecendo razões incoerentes para você não estar.

Quando você falta, ainda assim você faz coisas por mim: deixa meus dias mais escuros e minhas noites em claro.

Você ausente distorce a minha visão e cria a insistência de que está tudo bem não estando nada tão bem assim.

Se você não está, eu me questiono quem eu sou e porque estou aqui, como se o aqui fosse um incômodo não-lugar esquecido no espaço e no tempo.

Não ter você me faz abraçar outras pessoas e, com os olhos fechados, eu imagino que aquele calor é seu, subvertendo o reconforto em uma verdade exponencialmente cruel.

Sua ausência me faz conviver diariamente com a agonia de não saber se você fica, se você vai ou se você volta.

Quando você falta, me confundo se realmente te perdi ou se nunca te tive.

Você ausente me deixa ausente, sempre e cada vez mais.

Se você não está, eu apenas sinto que também não consigo estar nessa imensidão de vazio e silêncio.

E sigo relutante, sentindo que quanto mais ausente você está, mais dolorida se torna a sua presença nas longas horas de todos os dias.