Os temidos 30 e o que eu aprendi em 2017

esse foi o meu bolo de comemoração dos 30. era pão de ló com doce de leite.

Os trinta chegaram, implacáveis.

Eles são temidos, são falados, mas a verdade é que eu estou adorando finalmente ter trinta anos. De dois anos para cá fui meio que obrigada a repensar tudo que eu achava ser certo na minha vida e o que parecia um buraco sem fundo, foi na verdade muito bom.

O baque mudou minha perspectiva das coisas, fez com que eu tivesse que lidar com circunstancias desconhecidas e me vi obrigada a lidar com questões mal resolvidas do passado. Decidi de uma vez por todas a sair do buraco e busquei alternativas para mudar, crescer e me conhecer. Mas nada é da noite para o dia e uma das coisas mais valiosas foi entender que as coisas se desenrolam em um tempo diferente do que a gente quer, ou acha que quer.

Em 2017, senti que minha vida deu um salto enorme. Acho que esse ano eu consegui assentar um pouco os aprendizados e para organizar meus pensamentos achei que seria bom escrever e relembrar sobre algumas das coisas que assimilei este ano e espero ir aprimorando daqui para frente:

1.Aprender a falar não. Como é difícil falar não! Principalmente para as pessoas que a gente ama e se importa. Temos essa necessidade louca de ser amada por tudo e todos mas isso é algo que nunca vai acontecer. Nunca iremos agradar todo mundo e nessa insanidade de querer ser legal a todo custo sempre, quando a gente se dá conta, perdeu muito de si mesmo. Simplesmente não vale a pena. Falar alguns nãos foi muito libertador e algo realmente novo para mim. E sabe? É mais fácil aprimorar algo tirando do que adicionando mais e mais coisas. Os nãos subtraem os excessos de coisas que não estamos afim de fazer ou viver. Como já dizia o arquiteto famoso: menos é mais.

2. Ser mais eu mesma. O fato de aprender a falar mais ‘nãos’ fez com que este ano eu tenha sido muito mais eu. Fui eu mesma como nunca e fui muito mais sincera comigo e com os outros. Acho que isso é algo que deve sempre ser melhorado mas já vi que essa é uma lição muito boa de se colocar em prática. Não quero ir? Não vou. Não quero fazer? Não faço. Estou ainda pegando o jeito mas ouvir mais a mim mesma tem sido ótimo.

3. Valorizar o tempo. De repente eu não aguento mais perder tempo. As horas do dia não dão conta do que eu quero fazer e ainda tem a casa pra deixar em ordem, marmita pra levar, mercado pra fazer, plantas para regar, blog pra escrever, cestas pra tecer, comida para cozinhar, amigos para ver, família para amar. 24h é pouco e os dias passam muito rápido. Meta para 2018: acordar mais cedo, estabelecer uma rotina confortável e fazer meu tempo render.

4. Deixar de assistir séries. Isso é parte do item 3, pois não tenho tido vontade de perder meu tempo me envolvendo por horas e horas em uma história que não acrescenta em nada e que talvez me traga sensações e sentimentos que eu não preciso sentir. Sei que pode ser legal, que pode me acrescentar de alguma forma, mas não quero. O que mais gosto de ver são documentários ou algo em que eu consiga fazer minhas cestas enquanto assisto como Friends (sim, ainda), MasterChef (demora horrores e quase consigo terminar uma cesta em um episódio) ou um jogo de basquete (nesse caso estou somente de corpo presente, fazendo cestas).

5. Nada é tão incrível assim. Fear Of Missing Out, esse fenômeno idiota e comum nesse tempo louco de redes sociais e compartilhamento compulsivo. Todo mundo já sentiu isso em algum nível. Me lembro de sentir isso boa parte da minha vida, antes mesmo do advento das redes sociais. 'Meu deeeeus tá todo mundo indo na balada hoje, eu to exausta, trabalhei o dia todo mas não sou velha, vamos lá, se eu me esforçar um pouco vou me divertir, vou me arrepender se não for'. Multiplica essa bobagem por 1000 com as fotos e os stories e pronto, temos uma pessoa com FOMO. Nunca estive tão certa do que eu quero pra mim (30, isso parece coisa sua e olha o item 2 aí), e se eu estou cansada eu não vou sair. Aliás balada me parece a última coisa a qual eu perderia meu tempo e meu dinheiro indo mas eu me lembro completamente de como eu me forçava a sair, a beber e a ser divertida e jovem porque era o que eu tinha em mente que eu deveria ser. E pode até ser que eu tenha me divertido, como muitas vezes foi verdade, mas essa coisa das pessoas ficarem falando que 'foi muito engraçado tal dia, fulano fez tal coisa', não, nada é tão legal assim. As pessoas floreiam e exageram as coisas pra parecerem muito mais legais do que elas realmente são. Não, não é você que é chato e o mundo inteiro é legal e está se divertindo. Está todo mundo achando tudo normal e forçando a barra pra parecer incrível. Nada é incrível. Você é. Depende do modo como você enxerga as coisas.

6. Estar onde se está. Todos os itens estão interconectados. E se você está onde você está, de verdade, não tem como ter FOMO. E você pode estar no Instagram, mas esteja no Instagram no momento em que você está no Instagram. Esteja com as pessoas quando você está com pessoas. Esteja no seu corpo enquanto você usa ele pra andar, pra pegar o ônibus, tanto faz. Isso é prática, é um hábito e tenho me esforçado para treinar isso sempre que possível. Não sei se são as férias falando, mas eu tenho estado exatamente onde eu estou. Qual o ponto de querer estar onde não se está?

7. Pessoas vão, pessoas vêm. Outra lição difícil. Vez ou outra eu me pego pensando nas pessoas que há dois ou três anos eram minhas amigas. Cadê elas? Pessoas de dez, quinze anos atrás nem se fala! Esse final de ano me peguei pensando nisso depois de ver aquelas fotos de turma que se encontram depois de dez anos e continuam amigos ou aqueles amigos que ontem estavam na sua casa e agora você mal conhece. Bom, essas pessoas sumiram, não sumiram? Você também sumiu, não? Então. Assim são as coisas e tudo segue. Em compensação, vão ter aqueles que estão sempre lá, que você mantém contato mesmo à distância e tem ainda aqueles que você fica uns bons meses sem ver e quando vê é tudo a mesma coisa. Que coisa boa! Mas eles nunca somem, pode reparar. Talvez quem suma seja para sumir mesmo e talvez eu tenha que sumir também da vida de algumas pessoas. Amizades vêm e vão. O fato de elas não resistirem ao tempo não quer dizer que tenham sido menos significativas, verdadeiras ou ruins. Elas tiveram seu tempo, apenas não são mais.

8. Direito de mudar. As pessoas mudam. Mudei tanto nos últimos anos que eu às vezes olhando fotografias de dois, três anos atrás, não reconheço quem eu era, o que eu estava fazendo ou pensando. Mas faz parte, é bom mudar! E é bom honrar nosso passado e quem a gente foi. Estávamos sendo o melhor que dava naquela hora. Lembrar disso também tira bastante o peso do julgamento que temos sobre as pessoas que em algum momento conhecemos. Pode ser que no passado a gente tenha tido alguma questão com alguém ou essa pessoa pode ter sido bem babaca ou você pode ter sido babaca mas não quer dizer que você ou aquela pessoa sejam um babaca. As situações são transitórias, as pessoas evoluem, crescem, mudam. E você também.

9. Adeus Feed do Facebook. Acabar com o feed do meu Facebook foi uma das melhores coisas que já fiz (uso a maravlhosa extensão do Chrome Kill News Feed e indico para todo mundo sempre que eu posso). É incrível a quantidade de desculpas que a gente se dá para continuar ali. 'Preciso me manter informado', 'eu uso só para trabalho', 'preciso para falar com a minha mãe'. Não, tudo isso é bobagem que você conta para você mesmo. Informação: acesse os sites dos jornais e portais de notícias. Trabalho: se você como eu usa o Facebook como trabalho sabe que tem como você entrar somente na página do trabalho, você não precisa do seu feed, nem ter o Facebook instalado no celular. Falar com as pessoas: whatsapp, instagram e aquela coisa que você disca o número, como chama mesmo? Ah, o telefone. Tudo isso a gente fazia antes do Facebook. E você pode sair daquele void de insanidade e opiniões não requisitadas. Não saber da última polêmica envolvendo o clipe da Anitta e o que as pessoas acham disso realmente não me fez falta. E de algum modo as informações chegam até você. Não tem como ficar away do mundo, você apenas se livra do ruído. E como é bom! O próximo passo é sumir de vez dali.

10. Assumir. Se assumir tem a ver com o item 2 e acho que tem muito a ver com fazer 30 anos. A gente pode ainda estar aprendendo e tateando para saber o que quer da vida, mas com 30 anos as pistas parecem ficar mais claras. Não tem muito mais como ficar fingindo ser alguma coisa que não se é porque tudo fica mais evidente e não se tem muito tempo a perder (de novo item 3). Se a gente viver por 90 anos, lá se foi 1/3 da vida! É louco pensar isso porque as lembranças de quando a gente tinha 10 anos são tão vívidas e parece que foram há pouquíssimo tempo. Passa voando! Eu não tenho mais problema nenhum em ter sono às 23h e querer dormir para acordar cedo (como isso foi uma questão algum dia?), nem tenho problema em assumir que eu quero ter uma vida estável e casar, nem em dizer que literatura auto-ajuda (um dia consigo não virar o olho para esse nome) pode ser muito boa, nem que quase todo dia, em vez de ouvir música eu ouço frequências o dia inteiro no fone de ouvido, nem que eu quero me cuidar e comer coisas boas que me façam bem, nem que eu me rendi ao sonho da casa própria (haha queria não ter que me preocupar com isso quando tiver 70) e nem que apesar de eu estar aqui escrevendo, não sei nada. A gente nunca sabe nada e eu prefiro me colocar assim diante da vida aqui "do alto" dos meus 30 anos pois tenho tudo ainda a aprender.

Com essa listinha não quero "cagar regra" sobre nada, só estou aqui compartilhando algumas das coisas que eu assimilei ou ainda estou tentando assimilar. Com certeza tem mais coisas, mas 10 é um número simpático e bonito. Conforme eu for pensando e lembrando de mais coisa, coloco aqui.