Basta estar.

Eu vim até aqui esperando aquele momento, aquele exato momento em que as vistas cruzam e o coração acelera.

Caminhei uns anos esperando aquele momento em que o corpo todo vibra pela certeza de um algo qualquer que não sabemos nem o que é, mas que está ali, tão eterno, tão agitado, tão nosso, tão certo.

Uma vida toda esperando o momento em que os pulsos ardem de tão quentes, o espaço da batida fica pequeno e a frequência a torna ensurdecedora.

Aí cheguei nesse momento outro, em que fui envolvida do azul mais intenso e levada pelo ritmo mais suave.

Esse momento que me dei conta que eu mesma já acelero sozinha, e ali, naquela hora, encontrei nessa calma um tanto de paz.

Uma tarde inteira cruzando com essas cores perfeitamente emolduradas, com batidas tão lentas, tão calmas, num pulsar tão confortavelmente morno.

Sem perspectiva de para onde iria, sem notícias de onde veio, sem sentido algum pra narrativa padrão da história. Um momento tão desconhecidamente necessário.

Só estava ali, relembrando uma vontade já esquecida de permanecer, numa frequência que tornava inaudível todo o resto do mundo todo.

Bastava estar. Sem pretensões, sem planos. Só estar nesse azul, nesse momento, nesse agora. Vivendo um algo qualquer, tão efêmero, tão calmo, tão nosso, tão incerto.

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