(Nem tão) Breve manual do (que não fazer no) approach virtual

O mundo tá digital, é isso, aceitemos.

Não faz tanto tempo que a gente fazia coisas o dia inteiro e aí marcava com os amigos um horário pra “entrar na internet”, geralmente depois da meia noite.

Pois é, eu sou do tempo que pra usar a internet a linha do telefone ficava ocupada.

Mas aí hoje acontece de ninguém ter tempo pra nada mas todo mundo ter tempo pra internet, tudo começa a acontecer online, o que, como tudo na vida, tem seu lado bom e seu lado ruim.

Tem o lado bom da praticidade, a vida é de uma facilidade incrível por aqui.

Mas tem o lado ruim, tem uma geração que, como eu, foi pega meio no susto nessa coisa de transportar as relações todas pras plataformas. E se as relações são diversas as plataformas também são.

Eu, até bem pouco tempo, embora tivesse instalado, não entendia bem pra que que servia o Snapchat. 
Qual o sentido de mandar uma foto que vai se destruir sozinha em 10 segundos?
Aí um dia me contaram, “ninguém manda mensagens bíblicas pra que elas se apaguem em segundos”. Entendi. Faz sentido. As relações são diversas, eu disse.

(Calma pais e mães, eu tenho certeza que os SEUS filhos estão usando o Snapchat só pra fazer fotos com filtros de cachorrinhos, não se desesperem).

Conversando com amigas sobre o uso desses aplicativos todos nas diversas relações, identificamos um problema real: temos uma geração de homens que são absurdamente ruins no approach. No dar um oi, no iniciar a conversa, no mandar aquele famoso “olá, tenho interesse”.

Algumas ressalvas:

Eu sei: na vida real também bla bla bla, mulheres também bla bla bla, tem gente que gosta disso bla bla bla. Eu sei, se acalma, respira.

Considerando que “a gente brinca, mas é sério” e que eu (ainda) não mando nada por aqui e ninguém (ainda) é obrigado a fazer o que eu acho melhor, você pode só ignorar.

Mas eu não ignoraria, na boa, vai na minha que é sucesso.

Todos os itens mencionados são inspirados em pessoas reais, alguns em mais de uma pessoa. Em alguns casos eu tenho prints. Eu juro, é real, mas eu também gostaria que não fosse.

Vamos lá:

1- Regra de ouro: Lembre-se, o tempo todo, que você está falando com uma pessoa que você não conhece. Sim, você pode ler os posts da pessoa e imaginar uma vida junto, você pode já ter montado o mapa astral dela, você pode ter procurado o significado do nome e daquele sonho que você teve com ela, mas você não conhece, nada, nadinha, nem um pouquinho. Então evite falar como se conhecesse.

2- Evite parecer um stalker e/ou um maluco, a não ser que você seja um stalker e/ou um maluco. (Inclusive, se você for é até bom que a gente note isso rápido, mas você vai ser bloqueado, saiba disso). Eu sei que vocês devem estar confusos, “como não parecer? Porque nesse mundo do politicamente correto você não pode fazer mais nad…”, calma, vem, eu te ajudo:

a. Alguém um dia disse que curtir fotos antigas da pessoa pode demonstrar interesse. Mas vamos ser sinceras: curtir 25 fotos antigas da pessoa, curtir todas as fotos de perfil, curtir todas as fotos nas quais ela está marcada, especialmente durante a madrugada, só te faz parecer um maluco, do tipo perigoso, a gente quer é distância.

b. A gente sabe que o facebook dá aquele alerta bizarro de “você tem amigos participando de um evento perto de você”. Mas vamos combinar todo mundo de fingir que isso não existe? Por que, um, não deveria existir e, dois, ir falar com a pessoa com a abordagem de “eu sei onde você está” te faz parecer um stalker, real.

3- Mantendo em mente a regra de ouro, evite a abordagem do “eu sonhei com você”, a não ser que você tenha efetivamente sonhado e seja um sonho engraçado e que você poderia contar publicamente numa reunião de família (sim, esse é o filtro para você contar ou não seu sonho com uma desconhecida para a desconhecida). Uma dica (porque eu não sei como é sua dinâmica familiar): um sonho envolvendo momentos íntimos com uma pessoa que você não conhece não é engraçado.

4- Lembre da regra um: você não pode achar que a mulher mais incrível do mundo é uma mulher que você não conhece. Ela também não é sua linda, sua princesa, seu anjo, sua nada, ela não é sua.

5- Evite joguinho. Eu achava que todo mundo já tinha passado dessa fase, mas a real é que ainda acontece. Todo mundo odeia, todo mundo faz, e por quê? Por que, humanidade, por quê? Mais legal ser sincero, mais legal contar que tá querendo puxar papo e talvez nem saiba como, mas segue querendo puxar papo, mais legal.

6- Cutucar no Facebook: só parem.

7- Eu sou do tempo em que pedir o telefone de uma pessoa era um PASSO. Mas pensa NO passo, no caminho da conquista. Não era simples. Hoje as pessoas pedem whatsapp como se isso não fosse pedir o telefone de alguém, gente! Só eu me assusto com isso? Talvez a pessoa não queira passar, e ela não te conhece, lembra? Tá tudo bem não passar.

8- Você tá falando com uma pessoa que não conhece. Não fica cobrando resposta e nem mandando milhares de mensagens até a pessoa responder. Na melhor das hipóteses você vai só parecer muito chato.

9- Nunca, em hipótese alguma, poste no mural de uma pessoa que você não conhece. Nem pra agradecer a amizade, nem pra falar que ela é incrível, nem pra nada.

10- Às vezes a pessoa não quer conversar, tem vezes que o problema não é você (tem vezes que é, se você faz essas coisas todas é até possível que seja, mas tanto faz na verdade), e ela não precisa justificar isso pra você. Ela pode só parar de falar e sumir, ela tem esse direito, ela não é obrigada. Lide com isso. Não força a amizade, migo.

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