Maternidade: A parte que ninguém te contou

Depois de um tempo você descobre que ser mãe não envolve apenas ter um bebê

Uma coisa que sempre digo às pessoas sobre mim é que eu nunca quis ser mãe. Uma coisa que eu também sempre tento recomendar ao maior número de mulheres que me perguntam é “não sejam mães”. Ainda que eu mesma seja mãe. E pode me perguntar, não precisa ter vergonha. Se eu gosto de ser mãe? Não. “Nossa, que horror”, eu sei que foi isso que você pensou, mas eu explico: Amo meu filho, acho até gratificante ver que alguém que saiu de mim pode ser um ser humano bacana, que, em um mar de erros, pelo menos uma coisa pode ter saído certa (pensamento egoísta e inerente à todas as mães). Mas isso não resume a maternidade. Não precisa ser mãe para educar uma criança. Aliás, acho que é até mais fácil educar uma criança se você não é mãe. O resultado deve ser melhor sem todos os dedos apontados à categoria “mãe”. Porque ser mãe é ocupar um espaço muito bem definido na nossa sociedade: o banco do réu. Tudo o que der errado na vida daquele ser humano, vai ser culpa da mãe. A mãe que criou, ou malcriou, ou nem pôde criar, mas ainda sim a culpa é dela. A filha da puta que pariu, em uma alusão à própria mãe da mãe, em um ciclo de culpa eterna.

A verdade é que desde que a sociedade decidiu que cada mulher poderia ter só uma caverna e um marido, ser mãe se tornou uma atividade solitária. Não importa quantas pessoas venham te visitar no ritual de ver o bebê, ou que você tenha um companheiro todos os dias, disposto a massagear seus pés que passaram o dia inteiro caminhando pela casa, enquanto você embalava um bebê com cólica. Você vai passar a maior parte do tempo sozinha com a sua cria. E é muito provável que quando estiver com outras pessoas, o único assunto também vai ser a sua cria.

A sociedade transformou a maternidade em um caminho solitário e culpabilizador. Depois pintou em tons pastéis e vendeu como um passeio na Disney. E você, mãe, não pode nem reclamar por ter levado gato por lebre, afinal, engravidou porque quis, disseram.

“Nossa, mas você acha que as pessoas não deveriam ter filhos?”. Não. Eu acho ótimo essa coisa de filho. Pode até ter suas desvantagens, mas nem chega perto do “ser mãe”. É por isso que, se eu pudesse, escolheria ser pai. As vantagens de se ter um filho continuam lá, mas sem ⅓ da cobrança de quando se é mãe. A cobrança é a pior parte.

Quando eu estava grávida e aparentava estar levando tudo numa boa (só aparentava mesmo) me falavam: “Espera só chegar a primeira fralda de cocô” ou “espera só a primeira noite com cólica”. Foi fichinha. A fralda mais cheia nunca foi nada perto dos olhares de todos os médicos, enfermeiros, pessoas em geral, ao verem uma mãe jovem segurando seu bebê. As noites sem dormir nem de longe me deixaram tão desanimada quanto todas as vezes em que disseram que minha vida não me pertencia mais. Que eu não poderia usar as roupas que quisesse, por ser mãe. Não poderia ver meus amigos, por ser mãe. Não poderia me divertir, por ser mãe. Não poderia seguir a carreira que quisesse, por ser mãe. Nenhum choro de cólica me desestabilizou tanto quanto todas as vezes em que disseram que eu estava fazendo tudo errado. Não importa o que estava sendo feito, estava errado. Todos dizem que as mães estão sempre certas, mas, sempre que podem, se viram para uma mãe e dizem que tudo o que ela está fazendo está errado.

Ter um filho é o menor dos problemas da maternidade.

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