Retratos

Não olhe pra câmera e não diga xis

Gosto de tirar fotos espontâneas, assim, quando você não tá olhando. Você não gosta muito de tirar fotos. Fica sempre bem nas fotos, mas quando a foto é combinada, não é você quem sai ali. Melhor, não é o “você” que eu conheço. É alguém que tá ali com um meio sorriso forçado, rígido, sem saber muito bem pra onde olhar, onde colocar a mão. Não é o sorriso que eu conheço, aquele de quem ri com os olhos, com as bochechas e com o rosto inteiro. Gosto de capturar o olhar perdido na tela do celular, a concentração com o lápis na boca, o meu mundo.

Dizem que fotografias são frações do tempo eternizadas. Não sei quem disse, mas com certeza não saiu sozinho da minha cabeça. Sou uma colecionadora de frações dos seus momentos, talvez na tentativa de tornar eterno o seu tempo comigo. Talvez um dia eu me cubra com essas fotos e com as lembranças de um tempo que passou. Talvez eu as guarde num HD e reencontre, muito tempo depois, sem lembrar que as havia tirado. Talvez eu apague todas elas e abra espaço pra novas fotos, novos momentos, novas frações do seu tempo. Do nosso tempo. E entre uma foto e outra, passe longos períodos te olhando ao vivo. E não pela tela do celular. Torço por isso.

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