Não existe mais espaço para a democracia?

Conceito criado na Grécia antiga, e mais especificamente Atenas, a democracia se traduzia na ideia do “governo do povo”: os cidadãos (naquela época homens, maiores de 18 anos e de origem ateniense), independentemente da sua classe ou função, tinham direito à palavra, eram iguais perante a lei e participavam de forma equivalente no exercício do poder.

Na modernidade, a ideia de democracia se transformou no conceito base da legitimidade do poder político. Isto, partindo da teoria da existência de um contrato social de Rousseau, onde os homens são por natureza livres e abdicariam em parte desta liberdade para criar um contrato social (implícito), a fim de garantir a paz e proteger o interesse de todos — o famoso “bem comum”. Assim, o homem político seria o representante e a voz do povo.

Portanto, a democracia, nas suas diferentes fases, foi baseada no respeito à liberdade de escolha do outro e tinha como fundamento a manutenção da paz e organização social (não existe situação perfeita e alguns têm que ceder!).

É claro que muitos — corretamente — apontaram a democracia como a “ditadura da maioria”. Contudo, até hoje, salvo algumas falhas tentativas comunistas, ninguém conseguiu propor e implementar um sistema mais eficaz, que substituísse a democracia na política.

Parece, no entanto, que na sociedade do século XXI, a democracia não tem mais espaço.

Se isto é uma consequência da facilidade do escoamento de informação, da velocidade da comunicação, de uma geração “y, x ou z”, não está ainda claro.

Independentemente do mérito ou qualidade do eleito, a tendência em alguns países do mundo é que as “minorias”, inconformadas com os resultados das eleições, têm se movimentado para retirar os representantes eleitos democratamente pelas grandes massas. Este é o caso da Dilma Rousseff no Brasil (a violação à lei de responsabilidade fiscal foi devidamente uma desculpa para tirá-la do poder!). Isto é o que está acontecendo igualmente nos Estados Unidos, onde até mesmo as “estrelas hollywoodianas” e pessoas de renome tem se juntado para criticar e até “ameaçar” o Donald Trump (por exemplo, nesta última semana, o DJ moby).

Reitero que, independentemente da qualidade do eleito, bem como do seu governo, o fato é que eles foram eleitos politicamente.

E se não fosse a Dilma ou o Trump o objeto da inaceitação (e muitas vezes, repudia e agressão!), seria o candidato da posição.

Verdade é que, ao que parece, nós não aceitamos mais o sistema democrático de eleição: nós não acolhemos a liberdade da maioria que votou no candidato da oposição.

Solução: voltar à monarquia (sem brincadeira, nos UK funciona!)? Defender a anarquia? Promover uma educação (não só elementar, mas filosóficas, cultural e politica) mais homogênea?

Bem, a questão novamente não está clara.

Resta apenas evidente que a instabilidade política criada pela falta de legitimidade dos líderes não é sã e não nos leva a lugar nenhum. Ela apenas cria inimizades, desavenças e tensão entre os diferentes grupos da sociedade.

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