As minas estão ocupando espaço no mundo dos games

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Por: Paula Farias

Quem acha que mulher não entende nada de game tá por fora! As minas estão conquistando espaço. Segundo a pesquisa Brasil Game 2016, as mulheres representam 52,6% do público que joga game no Brasil.

O estudo, que é realizado pela agência de tecnologia interativa Sioux e a Game Lab, divisão da ESPM, ajuda a traçar o perfil do jogador brasileiro e a quebrar tabus, mostrando que o empoderamento feminino também passa pelo mundo dos games, até então considerado reduto masculino. Para conferir a pesquisa completa clique aqui.

A conquista de espaço

Se antes as mulheres eram retratadas apenas como personagens coadjuvantes e hipersexualizadas pela indústria de games, agora, finalmente, com muito esforço os tempos estão mudando. Essas mudanças são vistas e sentidas pela galera que trampa com games.

“O público feminino está mais presente no mundo dos games, não apenas como consumidor, mas também no setor de desenvolvimento de jogos. A participação feminina contribui para popularizar, desmistificar e agregar valor ao mercado de jogos”, analisa Marcus Imaizumi, fundador da Escola Brasileira de Games e especialista em Marketing e Monetização para Indústria de Jogos e Aplicativos.

“Atualmente, é comum em mercados mais maduros como EUA, Ásia e Europa, a presença de mulheres em posições de destaque em todas as áreas, desde game design, marketing, até em áreas mais técnicas como programação”, completa.

Já para o bicampeão do Concurso de Criadores de Jogos da Ludoteca de Paris — maior torneio de boardgame design da Europa — e vencedor de um Leão de Bronze com um jogo multiplayer para Greenpeace, Fabiano Onça, que também é professor de Game Design da Faculdade Impacta, a valorização cultural dada aos games ajudou no processo de maior participação feminina.

“Eu percebo uma participação crescente do público feminino e uma visibilidade das mulheres cada vez maior dentro do universo dos jogos. Isso talvez seja fruto da expansão dos games como a expressão cultural mais efervescente da nossa geração. O que antes era comunicado pelos filmes, livros, rádio, hoje é comunicado pelos games”, explica.

“É natural que as mulheres também se expressem através dessa linguagem, que apareçam personagens femininas empoderadas. E, finalmente, é natural que as mulheres se apossem dos meios de produção dos jogos. Temos, em nossa faculdade, algumas alunas pioneiras, com ótimas ideias e muita vontade de fazer jogos — e acho isso ótimo!”, conclui.

A luta continua

Mesmo com o aumento da participação feminina no universo dos games, o jogo ainda não está vencido. Pois, a indústria de game está inserida numa sociedade que ainda é machista, que culpa as mulheres, que tida regras de conduta, que expressa pensamentos ultrapassados e conservadores. Sendo assim, as minas precisam estar sempre atentas, já que os desafios continuam.

“Essa expansão feminina não vai ser conseguida sem luta, nenhuma ideologia ou poder dominante vai ceder espaço sem combate. No espaço dos jogos online, muitas vezes as mulheres são hostilizadas. Percebemos também a maneira sexista e conservadora como certas personagens ainda são apresentadas.Portanto, se hoje uma garota resolve ousar e fazer uma faculdade de jogos, ou participar de um clã num jogo online. Por trás dessas atitudes, está um treinamento de anos com os videogames. Essa revolução não vem do nada”, finaliza Fabiano Onça, Mestre e Doutor pela Universidade de São Paulo (USP), trabalhando com o tema Game e Cultura.

Originalmente publicado no site: Na Responsa

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