Meu 2015 de eventos

2015 foi um ano marcante no meu ponto de vista como mulher. Nunca discutimos tanto sobre o nosso papel na sociedade. Discussões que me ajudaram a desconstruir muitos (pré)conceitos — como diria meu @ailen — e que me tornaram mais forte (e ao mesmo tempo mais fraca) ao me identificar nas histórias de outras mulheres.

Sendo da área de tecnologia percebi que deveria aproveitar a oportunidade, o hype das discussões, para ajudar a trazer mais diversidade para a área. Esta então era a minha oportunidade de retribuir para a comunidade tudo o que ela já havia me oferecido até então, em agradecimento. Contudo, não sou palestrante, não tenho artigos renomados publicados, não sou uma referência na comunidade. Como então poderia ajudar a dar voz a uma minoria?

Django Girls Niterói

Em março, a Vivian Macedo estava a procura de ajuda para realizar uma edição do Django Girls em Niterói. Eu não tinha nenhum conhecimento em como organizar eventos, mas tinha muita vontade de ajudar. O Django Girls disponibiliza um guia completo de como realizar uma edição do evento, perfeito para marinheiras de primeira viagem. Com a ajuda da comunidade traduzimos todo o material, que até então não estava disponível em português.

30 partipantes, 14 treinadores e apenas R$ 200,00 de caixa para um evento totalmente gratuito.

Em Junho de 2015, reunimos aproximadamente 30 meninas, das mais diversas regiões do estado do Rio de Janeiro com um objetivo em comum: aprender Python e Django. Concretizou-se assim a primeira edição do Django Girls na América Latina.

Women Techmakers

Em março, o GDG Rio de Janeiro estava à procura de um grupo de mulheres para ajudar a organizar a versão carioca do Women Techmakers. Este evento foi marcante para a comunidade carioca em diversos aspectos:

  • Foi o primeiro evento “completo” (com palestras e workshops) voltado para o público feminino.
  • Todas as palestrantes eram mulheres.
  • Não foi um evento exclusivo, mas apenas 7% do público foi masculino.
7 palestras e 4 workshops em trilhas simultâneas. O evento contou com ingresso simbólico de R$ 15,00

O fruto de muito stress e suor concretizou-se em Julho de 2015. Conseguimos realizar o evento que contou com a presença de aproximadamente 70 participantes.

JS4Girls

No final de julho a Dayany Espíndola, uma das organizadoras do Women Techmakers Rio, decidiu realizar a versão carioca do JS4Girls. A edição seria somente mais uma de muitas que iriam acontecer simultaneamente pelo país, em agosto. Tínhamos pouco tempo e muito trabalho para fazer em duas semanas.

O evento contou com palestras sobre Git, HTML, CSS, JavaScript e foi totalmente gratuito.

Recebemos aproximadamente 20 meninas (alguns rostinhos já familiares de eventos anteriores). O cronograma curto impossibilitou arrecadarmos alguma verba, então tivemos que arcar com os custos do café da manhã e da tarde para as participantes.

InsideOut

Eventos proprietários, relacionados à marcas ou pessoas, podem ter suas vantagens, mas também podem dar algumas grandes dores de cabeça. Depois de ter que lidar com algumas tretas relacionadas à empresas e/ou pessoas, decidimos fundar o nosso núcleo de realização de eventos. Assim poderíamos realizar os nossos eventos, com a nossa dinâmica, sem depender da autorização de entidades externas.

Eventos e pastéis são levados a sério quando se trata do InsideOut.

Assim, em agosto, nasceu o InsideOut que já conta com alguns eventos bem sucedidos no currículo.

Django Girls São José dos Campos

Com a aproximação da data da Python Brasil, a conferência nacional de Python do país, criou-se a expectativa de uma edição do Django Girls dentro do circuito da conferência. Sendo assim o @renatooliveira, entrou em contato com a organização do Django Girls de Niterói para saber como poderíamos ajudar nesta missão.

Contactamos diversas meninas da comunidade no Brasil e, principalmente, meninas de São José dos Campos, já que as participantes beneficiadas seriam da região onde a conferência iria ocorrer este ano.

O evento foi organizado remotamente, com diferentes frentes entre Rio e São Paulo.

Em novembro de 2015 toda apreensão foi finalmente posta de lado. Conseguimos receber e auxiliar 60 participantes com a ajuda de 25 treinadores voluntários. Ah! E com apenas R$ 110,00 em caixa, ainda assim conseguimos realizar um evento totalmente gratuito.

Muitas das meninas ainda ganharam gratuidade para participar da Python Brasil, podendo assim completar a sua imersão na comunidade.

PyLadies Duque de Caxias

Como integrante do PyLadies pensei em usar a bandeira da comunidade não só para fomentar a área de tecnologia da minha cidade, mas também para difundir essa linguagem que tanto amo. Então em setembro, decidi fundar o PyLadies Duque de Caxias.

Fui invadida por certa apreensão pois sei que Duque de Caxias, no Rio de Janeiro, não é uma cidade referência em tecnologia. Principalmente, sei que ainda hoje boa parte das pessoas que se formam na região, jamais irão atuar no mercado de TI. Mas decidi ainda assim seguir com a ideia, acreditando que o pontapé inicial seria a parte mais difícil da tarefa.

Workshop de Python realizado na Unigranrio Duque de Caxias com a ajuda do PyLadies Rio.

Em novembro, realizamos o nosso primeiro workshop de Python, totalmente gratuito. Primeiro de muitos que ainda estão por vir!

Rails Girls

Em agosto de 2015, depois de dois anos em hiato, a Samanta Cicilia, Yui Cruz e a Jac Abreu Lopes decidiram realizar uma nova edição do Rails Girls no Rio de Janeiro. Eu não manjo nada de Rails ou de Ruby, mas novamente tinha muita vontade em ajudar.

Pela primeira vez senti a dificuldade em conciliar a organização de mais de um evento simultaneamente. O Django Girls São José dos Campos exigia muito da minha atenção, enquanto o Rails Girls contava com as boas mãos de veterenas na edição. Gradualmente acabei me dedicando mais ao Django Girls e passei a atuar cada vez menos no Rails Girls. Apesar disso, foi incrível poder acompanhar a organização de um evento por um ângulo de apoio. Aprendi muito sobre equipes e pessoas a partir deste ponto de vista.

Estou em dúvida agora se o amor mora no Django ou no Rails.

Em dezembro, finalizando o ano, aconteceu: com a ajuda de 11 treinadores, recebemos aproximadamente 40 participantes em um evento totalmente gratuito.

E essa foi a minha retrospectiva que não coube em uma postagem de Facebook. Deixo então a minha mensagem de que se você quer agitar alguma coisa, basta acreditar e arregaçar as mangas. Outras pessoas virão até você com a mesma garra e fé e então nada mais será necessário para que o objetivo seja alcançado.

** Gostaria de agradecer à inúmeras pessoas que tornaram esse meu 2015 possível, entra elas Annanda Sousa, Bianca Rosa, @Darlene Medeiros, Dayany Espíndola, @Estefania Maria, Felipe Arruda Pontes, @Jessica Ferrari , Jonatas Emidio, @Raissa Ferreira, Samanta Cicilia, @Tomaz Cunha, @Veronica Maria, Vivian Macedo, Yui Cruz. Sem a ajuda de vocês, definitivamente nada do que foi escrito aqui seria possível. Não teria colhido tantos sorrisos, agregado tantas experiências, não teria tido um ano tão rico como este foi.

Show your support

Clapping shows how much you appreciated Paula Grangeiro’s story.