Às vezes nos sentimos desconectados da realidade, como se não fizéssemos parte, não fôssemos pertencentes ao todo, o todo passa a ser simplesmente o que te envolve e não mais te toca, nos sentimos presos em nós, como se a mente estivesse presa em si, e girasse em torno de si, reagisse somente a si mesmo. Talvez isso ocorra por estarmos plenamente focados em algo que nos pertence, ou talvez seja um subterfúgio do cérebro para não pirarmos, parar às vezes faz bem, mas é estranho, o ser que pára estranha a sensação da desaceleração incidindo sobre o espírito. Somos seres primordialmente sociais, desconectar parece loucura, mas às vezes, somente às vezes, somos tomados por essa sensação, e nada mais parece nos abalar, porque somos uno, conosco e somente conosco, e talvez com Deus, nessa parte sinta-se à vontade para imaginar o deus que lhe cabe. A alma humana é brilhante, não se sabe o porquê da existência, muito menos o pra quê, mas ainda assim me parece brilhante o existir. A sensação de parar numa cadeira com o todo em volta estático, olhar pela porta e ver a luz incidindo em folhas que começam a balançar lentamente, é brilhante, pode ser considerado nada para a maioria de nós, mas é fílmico, a vida é fílmica, nós é que somos mesquinhos de só enxergamos isso quando em frente à telas de cinema.

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