É tempo de ipês amarelos, e eles estão no caminho. Não na chegada.

Viajar amplia mesmo os horizontes, e eu não falo da perspectiva de olhar pelo vidro do carro, ônibus, avião, ou subir na parte mais alta do barco e avistar literalmente o horizonte, se expandindo e expandindo à medida que se “aproxima”, uma coisa coisa é certa, o horizonte nunca se aproxima, quanto mais ele se expande, mais distante fica, e maior se torna diante dos olhos, tanto o horizonte que se abre para o literal, quanto no seu sentido mais poético reflexivo.

Perseguir o horizonte que se expande é inútil, quando se espera de fato alcançá-lo, o horizonte existe justamente pela perseguição, a caminhada é o que importa, é o sentido da existência. De nada adianta olhar para frente, se não percebermos o mundo que se abre do nosso lado, sob os nossos pés, e em em tudo que nos rodeia enquanto perseguimos o que se avista à frente. Curtir o momento é tão importante quanto conquistar o que tanto se persegue, conquistas são mesmo muito efêmeras, quando elas passam é estritamente natural que sintamos mais falta de tudo que vivenciamos para consegui-las, do que do momento exato onde elas se fizeram presentes. Isso porque a carga emocional da caminhada é muito mais intensa que o momento da realização, você vai olhar pra trás, se emocionar e pensar: “Caramba, quanta coisa maluca aconteceu para que isso aqui pudesse estar acontecendo hoje”; e ai esse momento vai se esvair, e outros horizontes serão alvo do teu desejo, pois o desejo é alimentado pela mudança, pelas conquistas, pelas derrotas e por tudo o mais que se pode imaginar, é a válvula propulsora que alimenta os seres a continuar caminhando, por isso nunca poderemos pôr os pés no exato lugar que se chama horizonte, porque ele não é exato, é sim, tudo que está à frente, e quando passa para o presente e passado, deixa-o de ser.

Tenho pensado muito na beleza dos ipês, e no quanto vivenciá-los tomando conta da paisagem da estrada que eu estive percorrendo nos últimos dias, serviu como um flash que me cegou, ao passo que me abriu os olhos;causando uma expansão de mente tão absurda, que eu fui obrigada a passar para a vertente do emocional, pois o racional já não conseguiria abarcar a amplitude e peso disso. Corremos o tempo todo, estamos sempre em busca de sabe-se lá deuses o quê, mesmo que justifiquemos, muito provavelmente nem nós mesmos sabemos o que tanto buscamos, mas sabemos que buscamos algo, o tempo todo, quase incessantemente. Isso pode ser traumático, nos causar uma ansiedade desmedida, mas podemos lidar com a busca, se não permitirmos que ela anule a nossa sensibilidade de curtir cada passo do caminho, e de apreciar a beleza, os ipês estão no caminho, e eles estão lá para encher nossas buscas de um sentido tremendo, ignorá-los seria uma indelicadeza tremenda com a toda poderosa natureza, que fez questão de pincelar cada parte do que se vê, se ouve, se toca, se sente… sente-se um pouco diante do mar, e sinta a brisa, ela vai fazer bem… para a tua alma.

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