Intruso de si mesmo

Um passo em falso.. Um ou outro tropeço. E a sentença fatídica, que volta e meia se faz presente, como um estalo inesperado de nuvens se chocando uma contra a outra no que parecia uma noite quente de verão… Com um nó na garganta se dá conta de que não é daqui.. Não é dali, não é pertencente a lugar nenhum, nada o pertence, nem vice versa.. Aquela sensação que esquenta o peito e faz a alma adormecer aconchegada, a ele não faz sentido, não faz sentido aos tímpanos, nem à pele, nem ao sentir algum cheiro, nenhum dos sentidos lhe dá o tão buscado pertencimento..

Nada nesse mundo é tão pouco banal a ponto de lhe tirar o equilíbrio por instantes e lhe devolver a plenitude em seguida, nada parece digno de prender-lhe o fôlego. E nada, nem ninguém, pode confortar esse atípico humano sem alma que paira pelo tempo, ou quem sabe é o transbordar de alma que lhe toma.. E o torne tão atipicamente intruso de si mesmo.. E do todo que o permeia.. Ele estranha.. Mas ainda habita a vida.. Ela estranha… Mas ainda é habitada pelo não ser, aquele que não sabe pra que veio, volta e meia não sabe pra onde vai.. Mas continua a sua ida intermitente a lugar nenhum. Caminhar para lugar nenhum é muito normal, ninguém sabe mesmo para onde está indo, mas o nosso ser atípico meus caros, ele não sabe de onde está vindo, nem faz ideia do que seus pés pisaram. E é por isso que não dá pra definir se ele paira sob a vida ou se é a própria vida que paira curiosa sobre ele…