É preciso autoconhecimento para se lançar à existência.

Não quero que me encontrem, não mesmo, não quero ser encontrada, não quero que me busquem, nem quero que me percam. Quero estar só, e na condição de lobo solitário sorver a minha solitude e a transformar em algo bom, algo bonito, quero olhar no espelho e pensar que só eu sou aquilo que compõe a melhor trilha que poderia soar no decorrer da minha passagem pela Terra, sozinha, sem sombra de dúvidas, só a sombra que me acompanha pelo existir e é minha, e o é porque eu sou, e quando eu deixar de ser, ela não mais o será.

Quero estar tranquila, dividir reflexões com meus botões, e mesmo que eles não adicionem nada, já tenham adicionado antes, por meio da certeza de que a mente pode ecoar reflexões genuínas e debatê-las no silêncio e furor da inquietude humana. Poucos podem preencher tanto tuas reflexões que o eco da tua própria mente, ela é a única, que pode gritar ao mesmo tempo que silencia, que pode atordoar-se ao mesmo tempo que cala e enrijece, ela, somente ela, tu, somente tu. Isso aqui não é uma ode à solidão, é mais um sopro delicado de um sussurro, que diz que sim, existe completude quando se está a sós, e somente tirando um tempo para se estar somente consigo, é que terás estômago e sanidade para transcender o que se é com outros.

Curtam seus momentos, seus suplícios, suas dores, suas alegrias, conhece-te a ti mesmo, como um bom marinheiro conhece o interior do seu navio, sabe como conduzir o leme, sabe quando deve atear as velas, só assim se pode enfrentar os ventos, as tempestades e os maremotos, só assim se pode encarar as calmarias, de nada adianta abraçar a vida sem ter dado um abraço profundamente apertado na própria alma, pois somente de bem com a própria alma é que se pode sentir os braços da vida te envolverem com plenitude. Conhece-te a ti mesmo, que ai estarás apto a se lançar na existência, de verdade e com verdade, podendo encarar todo o tipo de vivência com a certeza de que não irá se perder de si, perdas costumam doer, mas nenhuma delas pode ser pior do que a perda do que se é, a perda de si mesmo por seja lá o que for, tu é o que tu tens de mais válido e importante e somente sendo fiel a si, é que tu podes fazer coisas incríveis por outros, pela vida, pelo existir.

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