O homem sentado à janela

Paula Maia
Feb 25, 2017 · 2 min read

Aperte o play e ouça enquanto lê. Essa música traduz perfeitamente a atmosfera desse escrito.

Ele olhava pela janela, enquanto lá fora aquela multidão inerte se movia pela sua perspectiva… e não era ele quem se movia, ele se encontrava tão inerte quanto o entorno, sentia como se estivesse morto há tanto… porém estava vivo, não vívido… como diriam os antigos:estava na flor da idade… Nunca dá pra saber a que tipo de flor as pessoas se referem quando ditam esse tão conhecido ditado. A questão é que ele estava lá, naquele ônibus que se movia por uma estrada que parecia não ter mais fim, mas que muito infelizmente era muito conhecida, às vezes parecia que o cotidiano o arrastava pra um abismo infindável dentro de si mesmo, ele já não conseguia arrastar-se para fora, pois o fora não existia para ele, o fora…o qual os olhos assistiam pasmos, pasmos por não se sentirem pertencentes a nada nem ninguém, uma vida inteira arrastada dentro de si mesmo, como um espectador que nunca se viu fazendo parte do show… O show… tão enfadonho quanto os olhos que o assistem… Ele estava naquele ônibus assistindo pela janela a vida que se arrastava… o ônibus o levava a algum lugar.. mas mesmo que fosse a mil lugares ele já não iria a lugar nenhum… pois o que carregava dentro de si não era uma faísca de vida. Mesmo que todo o entorno julgasse aquele homem como possuidor de uma sorte tremenda… e se julgassem olhos expectadores da sorte do homem sentado do lado oposto da janela… para ele, a sorte e alegria só poderia estar para além daquela janela… os olhos que espreitam outros olhos, e todos os olhos espreitam a vida que não possuem… não julgam que o entorno seja vívido, mas julgam como sendo vida aquilo que enxergam para além do que podem carregar.