O radicalismo desmedido das pessoas inteiras

Dizes que sou de um radicalismo desmedido… É que eu não sei ser metade… Sou fogo e gasolina concentrados numa alma só… E ela tem tantas matizes… Alma branda… Branda? Fogo? Gasolina?… Branda.. fogo e gasolina… é que eu só sei ser extremos.. Posso te fazer sentir flutuar por um universo distinto como se navegasse em meio à luz de uma supernova… e posso te fazer queimar como se estivesse presente na explosão da supernova que te leva a se sentir flutuando em bruma leve…eu posso.. posso tanto que posso os dois ao mesmo tempo… os dois no mesmo frasco romântico e sonhador com estética de carrasco.. às vezes carrasco com estética romântica e sonhadora carregando o mais pútrido dos líquidos… carrasco…

Dizes que sou louca.. tenhas medo dos lúcidos, que de tanta lucidez se perdem em meio ao vão da infinitude de iguais que se acham dignos da diferenciação humana.. É que eu gosto de entregas inteiras… de chegadas que demonstram marcar eternamente caso venham a partir… Imagine quão frustrante seria pedir uma pizza e ela ser entregue somente a metade… se você pagou por uma inteira… Ah! Mas que blasfêmia… comparar relações humanas com tamanha banalidade… Esqueces que eu sou de um radicalismo desmedido… banalidades não podem ter julgamentos diferentes de complexidades.. Afinal… se comparar pizzas com complexidades humanas for também pecado vamos mesmo todos arder…. mas não na explosão de uma supernova.. e sim no inferno… quem sabe o inferno não seja a reprodução eterna da explosão de uma supernova… a metáfora é a mesma.. é a destruição que espalha um brilho ilusório aos olhos humanos…

Quantas voltas o brilho das estrelas nos fazem dar… nos levam até ao inferno… principalmente ao inferno…voltemos às pizzas… Pobre do homem que não souber que entrega é nada mais que o pagamento adiantado daquilo que se espera receber… é aqui que entram meias e pizzas… Se tu te entregas por inteiro.. não vai gostar de receber metades… sejam elas de quais naturezas forem… Imagina o brilho dos teus olhos ao se deparar com a metade de um bolo em tua festa de aniversário, ou melhor.. a falta do brilho dos teus olhos… quem ousa se achar no direito de levar a tua outra parte do bolo? Ouso dizer que uma alma vazia é melhor que uma alma pela metade.. ao menos almas vazias não afirmam nada… Não se espera nada de almas vazias…

elas são vazias.. cumprem muito bem o papel de serem vazias… Agora uma alma pela metade… elas são horrorosamente utópicas… e não venha me dizer que ser utópico é ser sonhador, porque eu sou uma sonhadora de alma lavada… Mas já abandonei a utopia há muito… Uma alma pela metade é daquele tipo que só se atira do abismo se souber que lá embaixo vai ter um colchão para aparar a queda.. Porraaaaa!!! Não é um colchão que vai garantir que tu sobrevivas!! Estamos falando de abismos… abismooooos… Se tu não tiver um pára quedas ou algo mais concreto, tu não vai escapar de te desprender do teu recipiente terreno..

Mas uma alma pela metade sempre vai querer uma justificativa pros seus atos.. mesmo que não convença nem a si própria.. Uma alma pela metade é o oposto do que uma alma deveria ser… ela vive de aparências.. logo as almas.. que deveriam ser interior… até elas vivem de aparências… Se um dia eu tiver que me desvencilhar do meu radicalismo desmedido.. e da alma que alimento para permanecer inteira.. eu escolherei ser uma alma vazia.. ao menos não vou ter motivo algum para não me atirar de abismos…

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