Traduzo em linhas os círculos
de meia-volta que volta-e-meia viram
uma alavanca forjada em 2014

e eu caio
num ponto azul de puro aço
e cabos soltos

É hora de costurar de novo.
Atravesso o tempo, transpasso vidro e tecido na pele. Reconstroem-se os pontos que ainda vertem passado. Memórias pulsantes nas mordidas abertas dos lábios, nas esperanças póstumas.

Aqui jaz uma história platônica. O que sobra? O mundo real é de uma inexistência imensa e escorre nos sulcos abertos, seu sumo salgado, gelado, apático. O vazio transforma-se em símbolos, poesias repetidas, cenas revistas e antigas Nova MPB’s como trilha sonora.

Trabalho em ciclos
condensação, precipitação
e precipício

Volto a contar nos céus os centímetros entre o alinhamento dos planetas. Girou de novo a Roda da Vida e não importa entre quantos tecidos, sigo caindo nas questões do mundo invertido.

Em que nó nós estancamos?


Quanto tempo faz que o sol não acorda assim, do lado de dentro. Abrindo os pulmões, os risos e os dedos, que se agarram pelo caminho. Vão segurando. Dando conta das rotinas, dos motores, das engrenagens e desses amores que, ai, não importa o quão curtinho seja o tempo, não saem do nosso peito.

Os dedos acordaram assim, à favor do vento. E se agarrando sim, para responder às dúvidas, acabar com esses tempos incertos, esses medos que nos despertam no meio das madrugadas úmidas. O sol acorda para fechar os olhos. …


Nascem as asas.

Ace of Cups — Caroline Jamhour

Asa nenhuma é formada. Moldada, esculpida, soldada, atracada.

Não se pode acoplar, não se pode evitar. Nascem as asas.

Nascem entre as entranhas. Estranhas fissuras rompendo músculos e ossaturas. Pesadas escápulas, que escapam sem hora marcada, sem pedir licença à nossa mente, aos outros corpos presentes, ao dia-a-dia dos senhores de respeito, cansados, que andam no circular ao nosso lado, em direção ao batente.

Senhores de respeito, cansados, apressados, mas sempre com tempo de sobra para nos lançarem olhares estreitos. Olhares de fica métrica, que nos medem o tamanho das saias, dos seios e dos medos. Devoram…


Árvore da Esperança — Frida Kahlo

Em silêncio
dou voz à lua nova
que habita
o gênesis
das segundas-feiras

das histórias brutas
ainda
inlapidadas

Nos ciclos das marés,
as ondas
giram Katrinas, catracas,
caras marcadas pelas
crianças que choram a noite,
crianças inconsoladas que somos
nós e nossas
histórias da meia-noite

Cheia de lua eu sou
a origem do dilúvio
entre as pernas,
lavando restos
pratos, prantos e homens
que já não servem

livrai-me
mãe kali
das pestes

O silêncio
gesta um escândalo
crescente.
Lavoura meu sangue
já seco
no asfalto de Maio,
pra que nasçam
novas guerras
em nome das minhas

Choram cuícas
virilhas, pupilas.

Miram as meninas.


Três dicionários abertos e não encontro em página alguma a melhor maneir ade escrever que perdi essa história de amor.

Perdi essa história de amor.

Mas não é jogo, me disseram, e acho mesmo. Não é jogo. Mas por algum motivo a gente sempre sai sabendo quem ganhou e quem perdeu. Sei bem, conheço, me lembro. Com a cabeça avoada, na ponta dos dedos, me lembro das histórias de amor que ganhei - foram quase todas na verdade - e aí teve essa. Essa eu perdi.

Me perdi numa foda gostosa e em três dias de uma viagem não marcada…


Eu quero morar em outra cidade, em outro país. Quero morar no submundo, virar do avesso e acordar em Vênus, num ponto oposto ao que me encontro, abrindo cartas e caminhos pela mata. Cigana solta, eu quero morar em uma casa pequena, na rua mais larga de lugar nenhum e me perder todo dia na porta de casa, dentro de mim.

Sonhei que acordava em Júpiter, mas diz a Nasa que lá tudo é tempestade. Não tem copo d’água. Morro de sede e sugada no redemoinho, magnetizada deslizo direto pro centro do diabo de poeira. Vai me engolir, como fazem…


presidenta
processo
impeachment
em exercício
candidata
aspas
interino
mulher
afastada
derrotado
golpe
vice
presidente

vice-presidente?
não, presidente mesmo.

oxe?
mas, presidente?
em 2016?


A popularidade da astrologia vem e volta de tempos em tempos, de acordo com a época, as perspectivas e necessidades de uma geração (em breve, inclusive, virá o pós, que é a onda do contra, “descoberta de mais um signo/planeta/asteroide pode destruir toda a astrologia” — aguardem!). Sob uma perspectiva de esclarecimento muita informação é uma coisa maravilhosa, porque vai longe! Mas nisso pode ir de todo jeito e acabar gerando ainda mais dúvidas, se pouco ou mal explicada.

Resolvi fazer essa nota para tirar algumas dúvidas básicas sobre astrologia, da minha perspectiva, ajudando vocês a entenderem melhor até onde…

Paula Mariá

V - Assim na terra como no céu

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