16 de agosto no Twitter

Tenho testado algumas ferramentas de monitoramento por palavras-chave e aproveitei a movimentação do dia 16 de agosto para avaliar o Rankur, que parecia ser promissor, mas na prática foi um tanto quanto decepcionante. Por esse motivo, já tinha até desistido de publicar os resultados. Porém, depois de ver esse estudo realizado pelo Scup, resolvi comparar algumas informações que me pareceram inconsistentes ou incompletas. Em especial, as hashtags mais populares, que foram bem diferentes das que eu havia observado no domingo.

Devido às limitações da ferramenta que eu havia utilizado, recorri ao bom e velho Topsy para completar algumas lacunas, e resolvi publicar os resultados aqui — eu estava mesmo precisando de um bom(?) motivo para fazer minha estreia no Medium. Dada toda essa justificativa — que agora eu me pergunto se era mesmo necessária… enfim — , abaixo estão os resultados do monitoramento das manifestações de domingo no Twitter, com alguns comentários.

Observação: optei pela análise de resultados do Twitter apenas, dada a dificuldade de coleta de volumes significativos de posts nas demais redes sociais.

Adesão

Para avaliar a adesão ao movimento, recorri a dados que já tinha das outras manifestações de extensão nacional, realizadas nos dias 15 de março e 12 de abril de 2015. Comparei o número de posts sobre as manifestações com as estimativas da PM de público presente nos atos em todo o país, e o resultado foi o seguinte:

Nas manifestações de março, a adesão foi maior nas ruas e nas redes sociais. O público presente estimado pela PM foi de cerca de 1,7 milhões de pessoas. No Twitter, foram aproximadamente 732 mil publicações, das 00h às 23h59 do domingo.

Em abril, houve grande queda na adesão, tanto nas ruas quanto na rede. Foram estimados 521 mil presentes e coletados 143 mil posts. Proporcionalmente, a queda no número de publicações foi maior do que a queda no número de participantes nos atos.

No último domingo, o movimento voltou a ganhar adesão. Os números, no entanto, continuaram distantes dos registrados no primeiro domingo de manifestações. A PM estimou 610 mil presentes nas ruas. Já no Twitter, foram cerca de 227 mil publicações envolvendo as manifestações. Proporcionalmente, em relação a abril, a participação online cresceu mais do que a participação nas ruas.

Seguindo uma tendência já observada em monitoramentos semelhantes, o estado de São Paulo concentrou 27% das publicações. Rio de Janeiro com 18%, Minas Gerais com 8% e Rio Grande do Sul com 7% foram os outros estados com maior representatividade. Os demais estados somaram juntos 32% dos posts. 8% dos tweets coletados foram publicados em outros países.

O público masculino foi mais participativo que o feminino no Twitter. Perfis de veículos de informação foram contabilizados como “indefinido”.

Sentimento

No eterno campo de batalha entre lovers e haters que é o Twitter, a disputa entre apoiadores e críticos do movimento foi acirrada. Nos números gerais, as publicações de divulgação e apoio às manifestações foram maioria.

Observação 1 : notem que foram considerados positivos os tweets de divulgação e apoio aos atos, e negativos os tweets críticos e/ou irônicos.

Observação 2: análise manual realizada em amostra de 7 mil posts

Na batalha das hashtags, os apoiadores emplacaram 4 entre as 5 mais populares. Entretanto, a hashtag #CarnaCoxinha, usada para ironizar o movimento, foi a mais compartilhada do dia, além de ter sido a única a figurar nos Trending Topics Brasil.

Os TTs, aliás, refletiram o pouco interesse da maioria dos tuiteiros pelas manifestações. Durante quase todo o dia, a lista foi dominada por hashtags e termos relacionados aos jogos da rodada do Campeonato Brasileiro.

Destaques

Apesar de a mobilização não ter sido tão grande, alguns assuntos e perfis tiveram destaque. Entre os principais influenciadores, três perfis de veículos de comunicação: @g1, @jornaloglobo e @veja. Completando a lista, dois perfis de figuras públicas que costumam se manifestar contra o governo: @felipeneto e @danilogentili.

Os tweets mais populares do vlogger Felipe Neto criticaram os pedidos de intervenção militar e pediam a prisão do ex-presidente Lula.

Já o tweet mais popular do humorista Danilo Gentili fez referência a uma manifestante nua na avenida Paulista.

Entre os tópicos mais comentados, tiveram destaque o boneco inflável do ex-presidente Lula, mencionado em 13 mil tweets, os pedidos de intervenção militar, que provocaram reações em 15 mil tweets, e os cartazes levados aos protestos pelos manifestantes, citados em 21 mil tweets.

O boneco do Lula ganhou até um perfil próprio no Twitter, o @lulainflado, que publica montagens com o boneco em situações diversas.

Foi um estudo bem simples com ferramentas que impõem algumas limitações, mas achei válido publicar até mesmo para comparações com outros resultados.

Fico por aqui, já aguardando ansiosa pelos números — e memes — da próxima manifestação. Observações, críticas, xingamentos, nudes(?) estão liberados nos comentários e no e-mail paularibasdm@gmail.com.