“Não sabia mais de nada. E apesar de se sentir agora muda em relação ao Deus, percebia em si a vontade intensa quase pungente de se lamentar, de acusar, sobretudo de reivindicar. Parecia-lhe que já fora tão experimentada que agora lhe deveria chegar, dentro da lógica romântica dos humanos, a hora de receber a paz. Já nem ousava pensar em alegria, que ela não sabia propriamente como era, mas em paz. O que seria uma alegria? Ainda teria capacidade de reconhecê-la, se viesse? Ou já era tarde demais para que soubesse distingui-la? Pois ela adivinhava que a alegria viria talvez como um som simples quase aquém do nível de audição.”

Clarice Lispector, Uma Aprendizagem ou O Livro dos Prazeres (1969)

One clap, two clap, three clap, forty?

By clapping more or less, you can signal to us which stories really stand out.