Sdds Orkut*

A gente precisa, mesmo, sofrer pelas redes sociais que caíram em desuso?

Era 2008, era novo… mas parecia que estávamos sendo transportados para a década de 60.

Remontagens de peças clássicas, edições de colecionador, turnês e coletâneas The Best Of e novos artistas com sonoridade retrô, num resgate aos 60, 70, 80 ou 90. Maquiagens e roupas com modelagens que remetem à moda de 20 anos atrás. O reencontro com seu primeiro amor. Na vida, no fashion e na arte, o passado vende, prende-nos pelo coração e enche-nos de um sentimento de nostalgia — fortalecido principalmente se o cenário atual não está tão promissor.

E é claro que a relação deste ser humano entediado com a internet não poderia ser diferente.

Mesmo com inúmeros aplicativos para celular surgindo a cada dia e nos prendendo ao smartphone (são mais de 1,8 milhão de apps disponíveis entre iTunes App Store, Google Play, Windows Phone Store e BlackBerry World), um sentimento de “nada novo e interessante acontece” permeia a rede. Só isso explicaria a comoção causada pelo anúncio do fim do Orkut, a ser descontinuado em 30 de setembro deste ano. Perfis já empoeirados foram revisitados, comunidades de humor relembradas, fotos antigas repostadas em novas mídias — lembrando uma época em que essa maneira de se relacionar era novidade no Brasil.

A maior comidade do Orkut era de preguiçosos.

Foi pegando carona no “charme do passado” que retornou o ICQ — acrônimo para I Seek You, “eu procuro por você” em tradução livre do inglês para o português. Usado amplamente em todo o mundo entre o final da década de 90 e o início dos anos 2000, agora quer ser uma alternativa hipster e gratuita ao Whatsapp e Viber, com chamadas em vídeo, conversas em grupo e a possibilidade de ser usado em computadores. Porém não é a primeira vez que o serviço “ressuscita” e, no máximo, deve chamar atenção de curiosos e alguns trintões desocupados.

Agora só falta trazer de volta o buscador Cadê, o Geocities, o Fotolog… Seria engraçado, mas fica a pergunta: você precisa deles?

Localmente, geeks saudosistas conhecidos abriram um servidor de IRC — chat bastante popular com seus scripts personalizados entre 1999 e 2002 no Brasil. E lá estava eu numa segunda-feira, 7 de julho de 2014, retomando conversa com pessoas que conheci 12 anos atrás. “É diferente do Facebook e do Whatsapp”, disse uma amiga, sem especificar o que faz do bate-papo naquele programa algo tão especial. “Talvez seja”, pensei eu, também sem entender a minha felicidade em estar ali.

Quiçá um dia, daqui a uns 15 anos, lembremos com saudade de quando curtíamos, sem querer, fotos dos perfis que fuçávamos no Instagram. “Ali é que era rede social de verdade!”, iremos dizer. E a vida segue.