Empatia para papai.

Pauline Saretto
Jul 24, 2017 · 3 min read

Ele não foi O CARA da minha vida. E acho que nunca vai ser.

Fico feliz pela sorte grande de ter a mãe que tenho. Que, apesar do sofrimento contínuo (o bicha que nasceu pra sofrer), da dor da vida, de ser mãe solteira de três mulheres… mesmo com tudo isso, ela nunca me disse sequer uma palavra de ódio em relação ao meu pai, nunca moldou meu caráter baseado no que ela passou com ele, nunca falou para eu excluir a existência dele de minha vida, mesmo que, a existência dele em sua vida tenha sido em grande parte dolorosa. Acima de tudo ela me ensinou a ter empatia por todos. Algo de grande importância para mim hoje adulta.

Voltando ao assunto pai… Durante anos, EU escolhi não ter contato, EU quis assim, EU preferi abrir mão dessa figura masculina na minha vida. Ele também abriu mão disso, quando digo ~disso~ estou me referindo a minha pessoa. Somos muito iguais.

Hoje, após sentimentos estranhos, nos falamos. Da forma mais torta possível, aos trancos e barrancos.

Nunca vou me esquecer, da primeira vez que conversamos… eu tinha 18 anos. Foi talvez um dos dias mais importantes da minha vida. Chorei como um bebê recém nascido (acho que meio que renasci ali). Ele não faz ideia.

Foi a partir daquele momento, que eu comecei a não só conhecer ele, mesmo que, de um modo superficial, mas vê-lo com empatia.

Acredito que, por mais que meu pai tenha tido muitos filhos, ele não nasceu para ser pai. O mundo e as voltas que ele dá, fizeram com que ele sem querer entrasse nesse barco.

Todo o dia eu penso nele, (ou quase todo dia) e em como, por mais distante que ele foi em minha vida, foi sempre o motivo, mesmo que camuflado, do meu choro nas sessões de análise, dos meus medos, dos traumas…

Aí, eu paro tudo que tô fazendo, e lembro: ele não escolheu ser pai, ele não escolheu ser MEU pai, ele não deveria ser o culpado por tudo (mais uma vez a empatia entrando em ação).

Empatia que minha mãe ensinou e que fez eu não odia-lo por não ter sua presença desde que nasci. E sim, admira-lo… porque, por mais que ele NÃO TENHA NASCIDO PARA SER PAI, a cada dia que passa, sinto que ele se esforça.

Gosto de pensar que a cada filho que ele teve, foi um aprendizado. O primeiro filho, foi o susto. O segundo foi o susto mas tudo bem sabe? O terceiro foi bem obrigada. O quarto, quinto e sexto, bem… acho que é agora que ele mostra o que sabe e ganha o certificado de: melhor pai do mundo! (claro que não de mim, o que é uma pena).

A empatia que minha mãe ensinou, me faz ficar muito feliz pelo pai que possivelmente ele seja um dia. Um pai incrível. Mesmo que não pra mim.

Fico feliz e esperançosa que, por mais difícil que tenha sido a vida dele até aqui. Que, mesmo ele não nascendo para ser pai, ele se tornou um…

Pode ser só ilusão minha. Mas fico tão feliz em pensar que um dia ele vai se tornar O CARA para alguém.

Como já disse, eu já aceitei que ele nunca vai ser esse cara na minha vida. Mas gostaria que ele soubesse, do meu orgulho quando vejo ele na foto do whatsapp, sorrindo abraçado num menininho lindo (que a propósito, é a minha cara rs).

Ele enfim parece feliz, mesmo que não tenha nascido pra isso.

    Pauline Saretto

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