A distância do ensino

Não gosto de escrever sobre ensino a distância. É um tema que me irrita. Sei que este sentimento é no mínimo parvo. Mas para ser honesto é o que sinto. No entanto não resisto a escrever sobre algumas das ideias que surgiram durante umas jornadas em que estive envolvido. O tema das jornadas não era ensino a distância, ou e-learning, ou b-learning ou qualquer coisa learning, mas sim sobre a tecnologia que se usa para o learning que é do tipo e ou b ou outra coisa qualquer.

Em primeiro lugar a tecnologia. Não sei se por ser o tema, no sentido em que se discutia a tecnologia em si para depois enquadrar o ensino por via da primeira, mas sim porque se falava apenas na tencologia e no que era permitido por ela. A sensação que tive é que se estava a tentar encaixar (literalmente), dar forma, no sentido de moldar, uma prática em função de um conjunto de funcionalidades, de permissões. Uso o termo permissões para ilustrar a sensação de algo que já permite que aconteça alguma coisa que não acontecia antes. A tecnologia já permite que o professor possa ter video num ecrã e a apresentação noutra. O aluno já pode fazer isto ou aquilo com esta tecnologia. Não sei se por a tecnologia ser o tema central, mas fiquei convencido que se está a esquecer alguma coisa pelo caminho. Provavelmente o mais importante — a qualidade do processo de ensino e aprendizagem. Não sou um especialista na área. Não quero sê-lo. Sou apenas um curioso que observa os desenvolvimentos na área das tecnologias aplicadas a contextos educativos por questões profissionais.

Neste meu processo de observação tenho detectado o seguinte (de forma arbitrária):

1 muito entusiasmo pelo uso de tecnologias síncronas, com integração de vídeo, áudio mas que na maioria dos casos replicam estratégias existentes em sala de aula.

2 Inexistência de critérios de avaliação iniciais e finais sobre o processo de ensino aprendizagem com recurso a tecnologia

3 Adequação de metodologias de ensino aos contextos, características e necessidades em que a mesma ocorre (na maioria dos casos usa-se a tecnologia sem a menor preocupação em perceber o modo como a mesma afecta todo o processo)

4 Exposição, exposição e exposição. Aulas sincronas online não se regem (opinião) pelas mesmas dinâmicas das aulas sincronas presenciais.

5 Reciclagem de aulas presenciais para o ensino a distância, nomeadamente pela gravação das aulas em video e posterior utilização das mesmas em “cursos” online

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