O ditador e o poeta [2]

Paulo Barradas
Jul 28, 2017 · 1 min read

Estou em uma casa de campo. A luz amarela da manhã entra por frestas nas paredes de madeira encaixada. Um fogão a lenha começa a estalidar, perfumando todo o ambiente com cheiro de fumaça quente. Estou de pé, ao lado do fogão, aguardando a comida. O cozinheiro faz os ovos frigirem sobre o cobre, quando um homem de feições plácidas empurra a porta e abanca-se à mesa. Enquanto comemos, o homem dirige-me a palavra, do outro lado da mesa. Diz-me qualquer coisa que não entendo. Seus olhos, no entanto, percebem-me por inteiro — enxergam-me além de todas as aparências. Mais do que isso: são como espelhos onde a verdade é refletida. Com a ajuda daqueles olhos, vejo a mim mesmo. São olhos de um poeta.

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