Falar mal dos outros é uma beleza.

Se conseguíssemos encontrar defeitos em nós mesmos na mesma velocidade que encontramos nos outros, seríamos no mínimo mais humildes… ou quem sabe, pessoas fantásticas de se conviver.

Falar dos outros é bom. Vai dizer que não é? Apontar pra o outro e dizer:

tá gordo! 
Eita, aquele saiu do armário. 
Nossa como ela é feia.
E aquele ali? tem jeito de bicha.
E outro lá? aquilo é um imbecil
Aquela dá com a mão na cabeça pq se soltar, o tampão “avoa”.
Essa só pode ser quenga.
Aquele ali? Ele é um pilantra que vive enganando os outros.
Rico? Ahh com certeza tá metido em enrolada.
Também né, com o pai rico, quem não seria?
Aquela atriz só tem o corpo bonito por que tem dinheiro.
Empreguinho público… só na moleza.
Eu acho que ele trai a esposa.
Eu acho que ela colocou ponta no marido.
Vive viajando, também né, marido(esposa) rico(a).
Isso é culpa é desse governo…

Boa parte do tempo nós falamos sobre os outros. 
Mas passamos muito pouco tempo procurando nossos próprios defeitos. Por que corrigir de verdade um defeito nosso requer um esforço incrível. Falo por que tento todo dia mudar um pouco quem eu sou. E é difícil pra caralho.

Decidi, já faz alguns anos, que iria parar de apontar o dedo publicamente para os outros. A tentação é grande de chamar meio mundo disso ou daquilo. Mas tento me concentrar na minha própria vida. Talvez maturidade, talvez um pouco de simancol, quem sabe. Mas decidi deixar de lado a busca pelos defeitos dos outros e resolvi focar nos meus defeitos. Foi quando olhei o espelho pela primeira vez e vi uma figura amarga, medroso que de tanto medo parecia até corajoso. Então do espelho eu virei refém, mas diferente de Narciso, sem olhar para mim mesmo e observar primeiro meus defeitos eu não consigo andar mais no mundo.