Educação: desastre reconhecido

O Brasil está ruim demais em Educação e não é de hoje.
O estudo da SAEB (Sistema de Avaliação do Ensino Básico) referente a 2017, divulgado agora pelo Ministério da Educação apenas confirma isso olhando para o seu próprio umbigo. Obviamente o SAEB não pode ser comparado em confiabilidade ao teste internacional do PISA, por não ter a independência desse.
Escolhi o teste aplicado no último ano do chamado ensino médio porque esse nível é o melhor balizador do resultado que se espera depois de todos os anos de estudo e também se aproxima do que se deriva do teste do PISA, por esse ser aplicado em adolescentes de 15 anos (um pouco antes do final do ensino médio).
A meta do nível geral da 12ª série de Português (3º. ano do ensino médio) é o nível 2 de um total de 9 , que corresponde a um mínimo de 268 pontos. Só Espírito Santo, Goiás, Rio Grande do Sul, e Minas escaparam da degola total e ficaram acima dos 268 pontos.
Na rabeira ficam amontoados, abaixo de 250 pontos, da ordem do menos ruim para o pior; Alagoas, Roraima, Paraíba, Maranhão, Amazonas, Piauí, Amapá, Rio Grande do Norte, Bahia e Pará.
A meta do nível geral da 12ª série de Matemática é o nível 2 de um total de 10, que corresponde a um mínimo de 270 pontos). Só Espírito Santo, Rio Grande do Sul, Goiás e Minas ficaram acima dos 270 pontos.
Na lanterna, se aboletaram abaixo de 250 pontos exatamente os mesmos estados: Piauí, Roraima, Alagoas, Paraíba, Maranhão, Rio Grande do Norte, Amazonas, Bahia, Amapá e Pará.
Em suma, exatamente os mesmos 4 estados foram melhores em Português e e os mesmos 10 estados foram piores em Matemática! Isso mostra respectivamente o foco em Educação de alguns governantes e a total falta de foco de outros.
O próprio estudo do SAEB admite que em Português apenas cerca de 5% dos estudantes do país que participaram apresentaram aprendizagem adequada (níveis 7 e 8 da Escala de Proficiência) que corresponde a 1 aluno em cada 20. Em Matemática esse número alcançou 7% (níveis entre 7 e 10), 1 em cada 14 alunos.
Se pensarmos no ciclo completo que os alunos deveriam se engajar, Espírito Santo está relativamente de parabéns, a moderação do elogio é porque o resultado ainda é péssimo. ES ficou em 1º lugar folgado tanto em Português como Matemática. Goiás pode ser considerado o vice pelo inesperado, já que é um estado relativamente pobre.
Como isso é uma construção de longo prazo, vale lembrar que Espírito Santo foi governado pelo Paulo Hartung (PMDB) por 3 mandatos, entremeado com 1 mandato de Renato Casagrande (PSB). Goiás foi governado por Marconi Perilo (PSDB) por 4 mandatos, com 1 mandato de Alcides Rodrigues (PP). Minas e Rio Grande do Sul tiverem 1 mandato do PT entre 3 mandatos dos PSDB ou PMDB, no caso do Rio Grande do Sul.
No outro lado da linha, temos Piauí, Alagoas, Rio Grande do Norte, Bahia, Paraíba no Nordeste; e Roraima, Amazonas, Amapá e Pará na região Norte.
O Pará é a lanterninha, sendo 2 vezes governado por Simão Jatene (PSDB) e uma vez por Ana Júlia (PT). Outras lanternas nordestinas tiveram todas as cores políticas. Desde a esquerda pura no Piauí (3 vezes PT e um do PSB), passando por uma mescla: Maranhão (PCdoB(1), PDT (1) e Roseana Sarney (2)), Alagoas(Renan filho (1), Teotônio Vilela — PSDB(2)), Rio Grande do Norte(PSD, DEM, PSB (2)), Paraíba (PSB (2), PSDB(2)).
No norte, Amazonas e Roraima tiveram uma salada de governadores e Amapá teve o PDT governando a maior parte do tempo.
O tão decantado sucesso do Ceará em Educação propalado pelo Ciro Gomes ( com um bom resultado nos testes aplicados na 5ª e 9ª série), desaba no final do ensino médio. Fico em 13o. em Português e 14o. em Matemática.
O Ceará ficou ligeiramente acima do malfadado do Rio de Janeiro, com toda a falência do estado, mas ficou atrás do Acre, Pernambuco e Rondônia.
São Paulo do Alckmin e do PSDB ficou na frente do Ciro no ensino médio: 6o. em Português e 10o. em Matemática.
回 回 回
Como pessoa ligada à Educação, nos seus diferentes aspectos, tenho a minha visão, que contém um pouco da minha veia sonhadora.
É óbvio que, analisando os números de gastos de diferentes países, não é a falta de dinheiro em si que provoca esse caos, mas filosofias equivocadas, desvios e má gestão da Educação e do dinheiro público; além de fiscalização deficiente.
Também, ao contrário do que prega alguns conspiracionistas, não dá para atribuir esse desastre à Paulo Freire, à doutrinação ou à educação sexual inapropriada, até mesmo porque arrastamos o cenário desolador da Educação há décadas: antes da Ditadura, durante a Ditadura, na Nova República, Collor, FHC, Itamar, Lula, Dilma e agora com Temer.
A doutrinação é um problema quando ultrapassa a multiplicidade de visões, para virar propaganda político-partidária, mas o projeto Escola sem Partido não é definitivamente o remédio, mas isso foge do escopo desse texto.