Se aceite, de verdade, sem implorar pela aceitação dos outros

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Aceitemos, de uma vez por todas, que algumas pessoas não nos amarão da forma que merecemos. Não adianta insistir com quem ama pela metade. Mas, também é uma cilada acreditar que sempre será assim. O desprezo, a indiferença e o pouco caso de alguns não será o desprezo, a indiferença e o pouco caso de todos. Cada coisa em seu devido lugar. Por amor a nós não generalizemos tanto. Igualmente no que tange ao generalizar, faz um bem enorme não criar expectativas. Nutrir esperanças, baseadas em promessas ou em desejos, é abrir espaço para feridas profundas em nossa alma.

Se esperarmos o pior, cairemos no fatalismo. Se esperarmos o melhor, viveremos na ilusão. Então, não esperemos. Assim, o coração estará aberto, seja para lidar melhor com o sofrimento, seja para acolher aquilo que vier de bom.

Por mais que você se esforce para respeitar a todos é possível que muitos não lhe respeitem. Inclusive, seu corpo. Só não deixe de respeitá-los por esse motivo. Você não precisa ser magra, negra, branca, ruiva, alternativa, gentil, esbelta, recatada ou sempre jovem para ser bonita. Muito menos carece de cabelo crespo, liso ou loiro para ser aceita. Você não necessita ser másculo, sensual, atlético, alto, metrossexual para ser reconhecido. Tanto mulheres quanto homens podem ser tudo isso e mais um pouco. Contudo, o belo ainda reside no amor-próprio.

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A intervenção de um esteticista, de um médico ou de um odontólogo pode sim resgatar a autoestima. Mas, não há procedimento estético ou cirúrgico que corrija uma pessoa que não se ama, não se respeita e não se valoriza.

Abrace o seu próprio corpo por inteiro, pois é ele a primeira casa que você habita. Encare cada ruga. Tenha a coragem de acolher as estrias que traçam a sua pele. Aceite os cabelos grisalhos e, até mesmo, o início da calvície. Há procedimentos médicos e estéticos para cada um deles. No lugar de simplesmente corrigir, eles vêm para melhorar. Inclusive, para que nos amemos ainda mais. Cada um possui o direito sobre o seu próprio corpo. Ninguém tem a prerrogativa de impor a ele suas próprias regras, visando dominá-lo, coagi-lo ou vilipendiá-lo.

Mas, às vezes, sem o perceber de fato, consentimos com tudo isso e acabamos menosprezando o cuidado para com aquilo que nos faz bem. Não nos esqueçamos de que a beleza também é uma construção cultural em permanente transformação. O belo de ontem pode não ser a belezura de amanhã. Possivelmente, há de se despertar “em si o olhar crítico sobre a cultura na qual está inserido, seus valores e seu comportamento, podendo entender os elementos que a compõem e que, como a própria cultura, são passíveis de mudança” (FREITAS et al, 2010, p. 401).

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Lembremos que, no momento do ‘tudo ou nada’, quando nos sentimos desamparados e solitários, não serão as curtidas, o número de seguidores ou a avalanche de elogios que nos ampararão, mas tão-somente nós mesmos e aqueles outros que não impõem condições para nos amar como somos. Reconheça: tem gente que só vai nos curtir / procurar quando precisar de nós. Isso não tem a ver diretamente conosco. Na verdade, tem a ver com pessoas que tratam as outras com utilidade, como se fossem mercadorias, disponíveis a seu bel-prazer.

Usam quando necessitam e apenas nessas circunstâncias. Depois, jogam fora. Ainda assim, é somente nós quem podemos romper com esse ciclo de descarte. Se for para ser utilitário que seja por uma boa causa. Afinal, é melhor estar só do que mal acompanhado.

A aceitação passar primeiro por nós. Talvez, só tenha a ver com a gente e com mais ninguém. Diferente do conformismo, se não aceitarmos a nós ficaremos à mercê da aceitação dos outros. É preciso nos amar no lugar de implorar pelo reconhecimento dos demais.

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No fim das contas, faz-se imprescindível “aceitar-se (como se é), querer-se (a si mesmo), sentir-se e escolher-se” (TEIXEIRA, 2006, p. 295). O movimento é de dentro para fora: “Se o sujeito conseguir […], por um olhar próprio e autônomo […] buscar sua constituição de forma singular, passa a não ser estimulado pelos ideais exteriores” (BOLSONI, 2012, p. 13). Lutemos sempre para não sucumbirmos à ditadura do belo nem sofrermos por padrões irreais.

Paulo Crespolini — Psicólogo — CRP 06/132391, Graduado em Filosofia e pesquisador em Psicologia Analítica.

REFERÊNCIAS

BOLSONI, B. V. O cuidado de si e o corpo em Michel Foucault: perspectivas para uma educação corporal não instrumentalizadora. Passo Fundo, p. 1–16, 2012.

FREITAS, C. M. S. M.; LIMA, R. B. T.; COSTA, A. S.; FILHO, A. L. O padrão de beleza corporal sobre o corpo feminino mediante o IMC. In: Revista Brasileira de Educação Física e Esporte. São Paulo, v. 24, n. 3, p. 389–404, jul./set., 2010.

TEIXEIRA, J. A. C. Introdução à Psicoterapia Existencial. In: Análise Psicológica. Lisboa, v. 3, n. 24, p. 289–309, 2006.

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