SUS: a saúde da economia não se faz à custa da saúde da população

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Na atualidade, vivemos sob o jugo da crise, entre ajustes, desajustes e reajustes, mas uma coisa é certa: A SAÚDE DA ECONOMIA NÃO PODE SE DAR À CUSTA DA SAÚDE DA POPULAÇÃO. Perante o cenário crítico da recessão econômica, a maior política de inclusão social do Brasil segue ameaçada: o SUS! Gestores públicos e entes corporativos, muitos deles financiados pela iniciativa privada, pensam a saúde enquanto um bem de consumo. Já os antigos constituintes de 1988, muitos deles acolhedores do movimento pela Reforma Sanitária, pensaram-na como um bem coletivo.

Os gestores de hoje falam da saúde por meio de orçamentos e recursos, tal qual um negócio que necessita de um mínimo de equilíbrio financeiro. De outro modo, aqueles constituintes defendiam que a redemocratização do país também passava pelo acesso universal à saúde. Era dever do Estado dela cuidar. São duas visões complexas. Se não quisermos ser unilaterais precisamos conhecer de onde partem e o que elas defendem.

É possível que, diante da saúde, muitos gestores públicos, lidam mais com ‘consumidores’. Na contramão disso, os constituintes do passado enfatizaram a todos no lugar de ‘cidadãos’. Segundo os gestores, a Constituição Federal de 1988 é humanitária demais para com os direitos sociais, responsáveis por inflar o Estado. A defesa maior versa sempre pela estabilidade monetária.

Em contrapartida, para os antigos constituintes os interesses coletivos, inclusive os relacionados à proteção social, precisavam ser assegurados. Seus dizeres continuam a ressoar na contemporaneidade: ‘privilégios devem ser negociados, mas direitos jamais! Entre o discurso presente dos gestores públicos (tidos por recessivos) e a defesa passada dos constitucionalistas (tidos por concessivos), falta uma terceira versão: a narrativa dos excluídos.

São os últimos, aqueles que vivem à margem, depositados nos corredores dos hospitais, mortos à míngua, colocados no indigno lugar das sobras… São eles os depoentes mais fiéis sobre o desmantelamento dos direitos sociais na saúde pública.

Depois deles, os demais usuários, sobretudo, aqueles que têm plano de saúde e, ainda assim, utilizam a estrutura do SUS, poderão criticar a ‘ineficiência’ e a ‘inoperância’ do Estado que os atende quando os seus planos de saúde não o fazem de fato. A dívida dessas operadoras de saúde para com o erário público já está acima dos R$ 1,1 bilhão de reais. E aí? Quem paga pela crise?

Paulo Crespolini, psicólogo -CRP 06/132391- graduado em Filosofia e pesquisador em Psicologia Analítica.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

GONÇALVES, V. M. A cobrança por serviços de saúde lesa os direitos sociais: entrevista. [12 de maio de 2016]. São Leopoldo. Site do Instituto Humanitas Unisinos. Entrevista concedida a João Vitor Santos.

MENDES, E. V. Crise do SUS: desafios são estruturais e conjunturais: entrevista. [26 de janeiro de 2016]. São Leopoldo. Site do Instituto Humanitas Unisinos. Entrevista concedida a Patrícia Fachin.

OLIVEIRA, G. S. SUS: “Brasil nunca investiu para viabilizar plenamente o acesso à saúde”: entrevista. [24 de novembro de 2015]. São Leopoldo. Site do Instituto Humanitas Unisinos. Entrevista concedida a Patrícia Fachin.

TEMPORÃO, J. G. A contaminação do SUS pela fragilidade da atenção básica e má formação dos médicos: entrevista. [21 de janeiro de 2015]. São Leopoldo. Site do Instituto Humanitas Unisinos. Entrevista concedida a João Vitor Santos.

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