Crítica | Esquadrão Suicida (sem spoilers)

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Quando Batman vs Superman: A Origem da Justiça foi bombardeado com críticas pesadas que sepultaram os planos de Zack Snyder para seu universo de tom mais sombrio dentro do DC Filmes, Esquadrão Suicida de David Ayer já havia concluído suas filmagens e seu tom já havia sido definido, que apesar de mais leve não seria tão engraçado e colorido como a versão que chegou aos cinemas.

Com o resultado de BvS a Warner interviu no trabalho de Ayer e investiu mais alguns milhões para que o filme ficasse mais colorido e mais engraçado agradando o público como testado em sessões testes.

Desta maneira as refilmagens interferiram inegavelmente no filme, criando o seu verdadeiro vilão: A edição.

O seu inicio confuso mostra claramente isso, em meia hora somos apresentados aos personagens presos em Belle Reve com direito a flashback’s narrados pela surpreendente Amanda Waller (Viola Davis) contando como cada um dos futuros integrantes do Esquadrão foi preso, utilizando de cortes rápidos e diversas músicas (muito boas por sinal!) de fundo. Acontece que apesar de agradável tudo é jogado de maneira confusa na tela, com piadas claramente inseridas fora do contexto e as vezes fora de tom.

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Arlequina (Margot Robbie) e Pistoleiro (Will Smith) como esperado são os personagens com maior destaque, com o Coringa (Jared Leto) como um coadjuvante de luxo em aparições pontuais. O resto dos personagens tem o seu devido destaque, porém com menos tempo de tela e menos aprofundamento, como no caso do Capitão Bumerangue, Katana, Crocodilo e Amarra. O Pistoleiro ganha profundidade na pele de Will Smith devido a relação com sua filha, mostrando que o personagem apesar de um assassino tem um código de conduta em não matar mulheres ou crianças, só faltando deixar bem claro que ele só assassinava “homens maus” e que “mereciam aquilo”, transformando-o em mais em um Anti-herói do que em um vilão de fato. Já Arlequina rouba atenção sempre que aparece ou faz uma gracinha na interação com os personagens, a performance totalmente transloucada interpretada pela bela Margot acaba inclusive por esconder os exageros de na interpretação devido ao grau de insanidade (ou seria infantilidade?) da personagem.

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Capitão Bumerangue (Jai Courtnei) que deveria ser o alivio cômico do filme até funciona, porém foi prejudicado já que a maior parte de suas cenas de destaque foram entregues nos trailers, com exceção do flashback com a participação do Flash (Ezra Miller). Katana (Karen Fukuhara) é uma espécie de guarda-costas de Amanda Waller e Rick Flag (Joel Kinnaman) e não se tem muitas explicações da motivação de trabalhar para eles, mas sua personagem é sempre forte e determinada quando necessário. Magia (Cara Delevingne) chama a atenção, mas sua personagem é muito subaproveitada e não é aprofundado a interessante dominação no qual ela não tem controle da entidade, assim como sua relação com Rick Flag que busca o filme inteiro salvar a vida de sua amada. El Diablo ( Jay Hernandez) é um dos personagens mais interessantes e melhor trabalhado, sua jornada e superação é bem explicada e até aceitável entre todos os personagens secundários do grupo, por fim Crocodilo ( Adewale Akinnuoye-Agbaje — o eterno Mr. Eko) é o que mais me incomodou e talvez não fosse necessário, ele não demonstra a força esperada para o seu tipo de personagem e tentam colocá-lo como alívio cômico, muitas vezes fora de hora e de tom novamente, e sua maquiagem pesada não ajuda em nada, talvez pudessem ter optado por uma maquiagem mais leve que pudesse ajudar o ator.

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O Coringa de Jared Leto chama a atenção sempre que aparece, mas falta uma cena de impacto com o personagem que talvez tenha sido retirada desnecessariamente no corte do filme, já que é conhecimento de todos que muitas cenas vistas nos trailers não estão no filme final, então o personagem acaba sendo somente apresentado, mas não é uma apresentação digna do que o personagem representa, nisso o filme falha bastante e nos resta esperar suas próximas participações no Dc Filmes, provavelmente no filme solo do Homem-Morcego que aparece em mais de uma cena durante o filme, com uma muito especial.

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Pode não parecer, mas apesar de não aprofundar o suficiente e não ter tempo para isso a maior força do filme são exatamente os personagens e sua relação, a busca entre eles de um pouco de companheirismo em determinado momento no qual inclusive começam a se enxergar como amigos, por mais que seja piegas e o momento em que decidem deixar as diferenças de lado para combater um mal maior, por mais que a aquela luta não seja deles, a busca por um pouco de redenção ou por não ter nada melhor para fazer como diz Arlequina em determinado momento.

Esquadrão Suicida é um filme engraçado, porém se prejudica muito pelo Hype excessivo criado e por a maior parte de suas piadas de impacto já terem sido divulgadas em trailers, em um claro desespero até desnecessário da Warner/DC de passar a mensagem de que o caminho trilhado agora é outro e mais reluzente, que acaba por sabotando o próprio produto final, não estraga mas prejudica bastante um passeio que poderia ter sido muito mais divertido.

Por fim, a DC Filmes continua sua caminhada com menos erros do que os filmes antecessores (Homem de Aço e Batman Vs Superman), porém ainda falta uma longa caminhada para que convença tanto a crítica especializada que tanto massacrou, que apesar de impiedosa não deixa de ter razão em muitos pontos, quanto o público em geral que não tem nada a ver com isso e só quer ver um filme divertido, e nesse ponto o filme cumpre bem sua missão se pensarmos com a expectativa correta.

Agora aguardamos os próximos capítulos com Mulher-Maravilha e Liga da Justiça, ambos já sobre a batuta e controle total criativo de Geoff Johns que pode trazer a organização que o DC Filmes precisa.

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