Índigos, cristais e a transformação do mundo

Sri Krishna como um bebê no colo de Lord Shiva

Você já deve ter lido em algum lugar aquela frase que diz “se você não se encaixa neste mundo, é porque veio para criar um mundo novo.” Pois é. Há muitos de nós que nos sentimos assim. Os millenials, muitos deles cristais, sentem-se assim, muitas vezes. Mas, sobretudo, os Índigos tem uma especial dificuldade em adaptar-se, encaixar-se. Isso é assim por uma razão muito simples: os índigos vieram especificamente para transformar. São peças criadas para NÃO encaixar; mas para MUDAR os encaixes. Para questionar, abalar, mudar, desafiar. Para quebrar paradigmas. Desconstruir.

Os que vieram para CRIAR o novo paradigma vieram depois: os cristais, as novas energias, muitas delas presentes nos millenials. É como se tivéssemos três turmas diferentes para reformar a casa: primeiro, vem a turma da demolição. Depois, a turma que limpa a área e prepara as bases para a construção. E só depois, vem a turma que efetivamente constrói o novo.

Neste curioso momento planetário, temos as três turmas por aqui, porque há a necessidade de todas essas etapas, em diferentes lugares e momentos. Entre os índigos, há uma turma que conheço especialmente bem, porque faço parte dela: os velhos índigos. Velho, neste sentido, porque chegamos bem antes daqueles que estão construindo os novos modelos; ainda num tempo em que o velho mundo estava relativamente “no lugar”. Em 1970, quando cheguei por aqui, a velha ordem das coisas estava praticamente “intocada”. As lógicas do velho mundo ainda estavam todas de pé, de certo modo.

É importante saber que houve índigos sempre, desde o primeiro que pisou este planeta, Sri Krishna, milhares de anos atrás. Ele trouxe a energia índigo para a Terra, e a partir dele, essa energia passou a estar no campo de Gaia, de modo que outros podiam vir para cá nesta condição transformadora. E vieram, desde sempre, primeiramente em número muito reduzido e com missões altamente específicas, de transformar aspectos particulares, trazer questionamentos específicos em áreas do conhecimento, da saúde ou da física, por exemplo. Somente mais tarde, no final do anos 40, começaram a chegar em número crescente os que fariam a mudança mais “sistêmica” e geral, este número foi crescente até o final dos anos 80, e depois disso o número de cristais começou a ampliar-se gradativamente.

Embora o representante escolhido para trazer a energia índigo para a terra tenha sido Krishna, que é um Avatar de Vishnu (o mantenedor) a própria energia índigo é mais associada ao Arquétipo de Shiva, o destruidor. De certo modo, é uma suavização, uma forma de equilíbrio: o Avatar do mantenedor traz a energia do destruidor e da transformação. Faz sentido? Sim: se a energia viesse diretamente através de Shiva, talvez fosse destruidora demais, limpando tudo pela frente e criando um “terra arrasada”. Mas a intenção é promover transformação NOS seres humanos — e não radicalmente retirá-los daqui. Assim, trazer a energia da destruição e da quebra de paradigmas através de um Avatar do mantenedor é uma forma de “reduzir o estrago” e tornar a mudança mais “gradual e gerenciável”.

Entre os índigos, as missões e formas de transformação e quebra são muitas e diversas. Mas, de modo geral, estão normalmente associadas a uma ou outra forma de ser “ponte” de ligação; porque viveram e experimentaram o mundo velho, como era antes da transição, com idade, experiência e entendimento suficiente para analisar, questionar e “implodir” a ordem anterior de coisas. Escolheram uma missão um tanto complicada: ser o rebelde, o renegado; o “louco”; o “fora da caixinha” — justamente quem resolve “quebrar a caixinha”. Diferente dos “construtores do novo”, cheios de idéias, de “comos” e “quandos”, gente que planeja, pensa e faz o novo acontecer (e por isso tem a felicidade de viver os resultados do que está criando) o papel do índigo é demolir, desconstruir, incomodar, cutucar, desestruturar. Ou seja: quando é bem-sucedido, ele incomoda muita gente, põe abaixo montes de certezas. E muitas vezes acaba ali, olhando em volta, enquanto as pessoas se afastam desse epicentro de destruição e questionamento que ele representa.

Sem esta atitude, entretanto, jamais haveria espaço para os construtores do novo. Sem que as caixinhas tivesse sido abaladas, quebradas, rachadas ao meio, onde seria erguido o novo? Sem os questionadores que colocaram estas perguntas tão incômodas no mundo, tirando tudo do lugar, os construtores não teriam nem um público para começar a ajudá-los na construção do novo. Hoje, esses destruidores de paradigmas encontram-se numa situação um tanto incômoda: o “gap”, a separação entre os dois mundos, o velho e o novo, é cada vez mais ampla. Aqueles que se apegam ao velho modo estão fugindo, correndo e se escondendo; cada vez com mais força se apegando e negando a transformação. Não raro, são agressivos com os portadores do novo. De outro lado, os construtores do novo querem colocar sua energia em fazer, realizar, criar. E muitas vezes ignoram completamente a contribuição que pode ser dada pelos questionadores. 
É um engano pensar que o tempo de questionar e destruir está terminado. Na verdade, está, ainda, apenas começando.

Os índigos desestruturadores estão aqui com o objetivo de continuar questionando mesmo, abalando, e fazendo com que também os construtores do novo continuem questionando a SI MESMOS e aos padrões que eles mesmos estão criando. Até porque, muitos dos “novos” padrões não são tão novos quanto deveriam: colocam aspectos positivos e sociais naquilo que fazem, mas continuam presos ao stress, ao esforço desmedido, ao desequilíbrio de jamais se permitir leveza, profundidade, tempo. 
Trazem inovações sociais importantes, mas querem levá-las adiante numa correria superficial; ignorando a necessidade de equilibrar a vida; e assim nos deparamos por aí com muitos inovadores cujas vidas pessoais estão desmoronando, cujos olhares se alternam entre o quase “maníaco” da ultra-pressa e o desalento da depressão paralisante.

Sim, é preciso construir o novo e fazer com que tudo isso aconteça. Mas é preciso manter o olhar sobre si mesmo, sobre o equilíbrio, sobre a vida em outra oitava, com mais profundidade e verdadeira re-conexão. E isso ainda está longe, bem longe de acontecer; justamente porque muitos dos cristais construtores do novo estão se apegando à correria e distraindo-se com a velocidade no fazer; esquecendo a profundidade e a sutileza do ser.

Os velhos índigos continuam aqui, a incomodar, questionar e cutucar as suas certezas. Continuaremos vindo, e pelo que parece, por um longo tempo. Há muito o que questionar e destruir, mesmo nos alicerces do que está sendo tão recentemente construído e chamado de Novo Mundo.