A derrocada do McDonalds (e o que eu tenho a ver com isso)

Eu saí pela porta da sede do McDonalds no Brasil, e aquele foi o dia em que eu resolvi "ir embora".

Alguns anos atrás, eu estava saindo da sede do McDonalds em Alphaville, após uma reunião pela consultoria para a qual eu trabalhava na época. Eu já havia trabalhado para o McDonalds antes, atendendo franqueados da rede no Brasil, através de um acordo com a agência que mantinha a conta na década de 90, a DPZ. Naquele dia, entretanto, havia sido uma reunião importante na sede da rede, um grande projeto para toda a rede no país. Havia sido uma reunião positiva, pelo aspecto dos negócios. Eu deveria estar satisfeito com isso.

Mas eu não estava.

Isso foi um marco importante para a minha consciência sobre o trabalho que eu estava fazendo. Embora ainda não houvessem acontecido todas as denúncias pelo mundo afora referindo os problemas com o que era servido; e ainda estivesse distante no futuro o processo que Jamie Oliver moveu, provando que a "carne" servida era "lavada" com amônia, tornando-a não saudável para consumo humano; eu sabia que aquilo não era de fato algo que pudesse ser considerado propriamente uma refeição.

E a perspectiva de ser responsável por promover "aquilo" para as crianças brasileiras realmente me incomodou demais. E o que senti naquele fim de tarde em Alphaville determinou muitas das minhas decisões posteriores, começando com a decisão interna de que eu não iria trabalhar naquele projeto.

Acabei deixando a consultoria pouco depois, porque não me parecia correto que eu estivesse trabalhando com eles; mas internamente, "torcendo contra" uma conquista comercial importante para aquelas pessoas; aliás, ótimas pessoas.

Isso foi o começo de uma jornada que me levou para fora do mundo corporativo, em direção ao trabalho como escritor, coach e terapeuta. Uma jornada que, no aspecto financeiro, é desafiadora até hoje; anos depois.

Mas que me dá a realização de estar fazendo algo positivo, construtivo para os seres e o mundo. O prazer de analisar os mapas de uma coachee hoje cedo, e vibrar de alegria porque eu consegui encontrar um "nó" que está impedindo seu desenvolvimento e criando dor em sua vida. E vou ajudá-la a desatar esse nó. Hoje eu tenho 100% de alegria nestas atividades; porque acredito 100% no que eu faço; e o que eu faço é para as pessoas, Pró-seres humanos.

É claro que eu não tenho nada a ver com a derrocada do McDonalds, além do fato de que eu e meus filhos não comemos lá há anos. E, talvez, de eu torcer todos os dias e fazer o que estiver ao meu alcance para que as empresas que promovem o que não serve ao ser humano tenham todas o mesmo destino… mais cedo ou mais tarde. E confesso: neste caso está sendo mais rápido do que eu havia previsto. Abaixo, seguem alguns depoimentos de franqueados, traduzidos livremente da matéria do Finance Yahoo:

"Franqueados do McDonalds dizem que a marca está em uma “depressão profunda” e “enfrentando seus último dias”.

“O sistema está muito perdido no momento”

“.. As coisas são quebradas a partir da perspectiva franqueado.”

“Eles estão jogando tudo o que podem contra a parede para ver o que cola”…

A pesquisa de Kalinowski entrevistou 29 franqueados dos EUA abrangendo cerca de 226 restaurantes.

http://finance.yahoo.com/news/mcdonalds-franchisees-brand-deep-depression-160253843.html

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