E se Nós Parássemos o Mundo?

OCCUPY YOUR MIND — MANIFESTO COMPLETO

OCCUPY YOUR MIND

São Paulo, 25 de maio de 2013.

Há alguns dias, começamos a divulgar a primeira parte deste manifesto, que sintetiza aproposta de ação coletiva. Hoje, divulgamos o manifesto completo, contendo uma segunda parte, que se destina a explicitar o raciocínio que orienta a ação coletiva.

Enquanto apenas a primeira parte seja necessária para que se possa AGIR, o entendimento da segunda parte é relevante, especialmente para aqueles que nos dias atuais têm se dado a missão de ajudar no despertar de outros seres. E se, para AGIR e compartilhar, basta o entendimento da primeira parte, para haver o mínimo sentido num debate acerca do manifesto, a leitura e compreensão da segunda parte torna-se absolutamente indispensável.

Mensagem de Ação Coletiva

E SE NÓS parássemos o mundo?

Apenas por um tempo, apenas por 2 dias?

Começando na sexta à noite, e indo até o domingo à noite?

Todos nós já vivemos momentos em que simplesmente queríamos que algo parasse.

Que por um breve tempo que fosse, parasse todo o consumismo, todo o nervosismo, toda a correria. Todo o stress e todo abuso.

E se fosse fácil, assim, de um modo que qualquer um saiba o que fazer: NADA.

Nada que se pague, nada que se consuma, nada que estresse, nada que gaste.

E se todos ficássemos em casa, sem ligar o carro, sem comprar pão, sem ir à rua,

E todos nós usássemos esse tempo apenas para estar com quem amamos, ler os livros que já temos, cantar as musicas que gostamos?

E se muitos de nós usássemos esse tempo para meditar, orar, pedir, pensar?

E se muitos de nós usássemos esse tempo para desligar a TV, as luzes, os filmes, deixássemos os jornais na porta, do lado de fora?

E se aqueles de nós que tem filhos dissessem a eles sobre o que se trata, para que eles também brinquem com o que já tem e não precise ser ligado na tomada?

E se muitos de nós usássemos esse tempo para olhar nos olhos e para olhar para dentro, verdadeiramente?

Se alguns de nós usassem esse tempo para dormir, profundamente, muitas e muitas horas?

E se desligássemos os celulares e os telefones e não respondêssemos emails nem ligássemos o computador?

E se muitos entre nós não usassem nenhuma forma de energia elétrica, e outros ainda, fizessem um jejum?

E se, muitos de nós fazendo isso, pudéssemos dizer ao MUNDO: eu quero que isso PARE. EU QUERO QUE ISSO MUDE.

E se isso fosse, com o tempo, crescendo e se transformando numa mensagem REALMENTE PODEROSA?

E se muitos outros, como nós, pudessem entender essa mensagem?

E se da primeira vez fôssemos centenas… na segunda vez fôssemos milhares, e na terceira vez.. MILHÕES…

E se isso pudesse COMUNICAR ao MUNDO uma mensagem CLARA, SIMPLES

A DE QUE QUEREMOS VIVER DE OUTRO MODO

Mais simples. Mais fácil. Mais verdadeiro

E se isso fosse tão fácil quanto apenas FAZER ISSO?

E se ao invés de dizer que gostou da idéia, você a compartilhasse com TODOS que você conhece?

E se ao invés de apenas falar a respeito, você FIZESSE ISSO?

E se o mundo começasse a MUDAR ao ver que milhões querem exatamente isso?

Queridos, muito queridos:

Esta semana começamos a apontar uma direção de Ação bastante importante. Importante porque ela oferece uma resposta quanto àquilo que pode ser FEITO pelas pessoas, no sentido de retomar suas conexões reais e verdadeiras, ao mesmo tempo em que fazem uma declaração, embora silenciosa, poderosa ao mundo.

O poder dessa Ação, em temos do aspecto coletivo do mundo, reside na soma, no compartilhamento, na criação da massa critica necessária. Entretanto, exercitar esta resposta, mesmo antes que ela aconteça com seu pleno potencial; traz inegáveis benefícios no aspecto de cada uma das individualizações que a executa.

Para todos aqueles que já buscaram sugerir ou indicar caminhos de ação para as pessoas, fica claro, rapidamente, a grande dificuldade que separa, na maioria dos seres, o conhecimento da ideia (Teórica) da efetiva ação manifesta no mundo. É sempre com grande dificuldade que as pessoas, em geral, conseguem FAZER algo que esteja fora do roteiro normal de suas vidas cotidianas.

E isso, em si é um problema, porque é preciso romper com a ação impensada e automática para alcançar uma compreensão mais ampla do que a visão distorcida da mente pequena do homem. É preciso a re-conexão, e para isso é preciso o silencio interior. Para chegar ao silencio interior, é preciso CESSAR o fazer constante e principalmente o barulho mental que acompanha a vida no “piloto automático”.

No aspecto coletivo, sabemos o quanto é difícil mover os grandes volumes de pessoas. Os impedimentos práticos que elas enfrentam no dia a dia são, para as pequenas consciências que se manifestam através das barreiras da matéria, desafios difíceis de vencer.

Adicionalmente, é preciso que aquilo que seja solicitado tenha um caráter absolutamente inclusivo, ou seja, permita a participação de todos os seres, bastando-lhes a necessária vontade, e nada mais. Assim é com a forma de re-conexão que chamamos meditação, não é mesmo? Qualquer individualização pode meditar (orar, acessar o espaço do coração, ou como prefiram nomear) porque NADA é necessário ou requerido; nada deve ser comprado ou adquirido, nenhuma condição externa é indispensável para o ato. Reflitam nessa absoluta igualdade contida na meditação. São muito poucos os atos no mundo que igualam totalmente as pessoas. No momento em que se medita, todas as características e valores mundanos perde o significado. Aquele que tem recursos, dinheiro, prédios — no momento de meditar, tem exatamente as mesmas condições e oportunidades e dificuldades que aquele que nada tem de material. Como nos mostram os muitos exemplos de mestres indianos, aliás, talvez a condição de possuir muitas coisas materiais seja inclusive algo que aumenta dificuldades, pois a maioria dos que possuem muito, tem muitos apegos neste mundo.

O fato, para além de qualquer interpretação é que o mundo não reflete o que QUEREMOS (individual ou coletivamente), mas reflete, perfeitamente, o que FAZEMOS coletivamente. Assim como o que NÃO FAZEMOS.

Esses aspectos estão presentes na ideia proposta, que é uma forma de exercitar aquilo que Lao Tzu chamou de WU-wei; ou “Agir pelo não agir”. Quando pedimos às pessoas que simplesmente deixem de agir, temporariamente, estamos apontando uma direção que pode tornar-se um caminho para muitos, e cumprir, realizar, no mundo, papéis fundamentais:

Primeiro: no nível individual, a abertura de um tempo de silenciar e experimentar um primeiro passo de re-conexão a si mesmo. No nível da convivência com aqueles que compartilham um lar, provê a oportunidade da interação verdadeira, sem a mediação de todos os aparelhos, sons e imagens externas que tanto causam extrema distração. Que isso seja atingido por alguns períodos, mesmo temporariamente, mesmo que como estado de exceção, é, em si e para muitos, já uma grande conquista nesses tempos tão turbulentos.

Segundo: porque baseado no princípio do Agir pelo não agir, cria uma oportunidade que pode ser aproveitada por todos, ao menos em seu tempo livre, ao menos nos dias em que não estão dedicados ao trabalho e à busca do seu sustento. Pedir àquele que trabalha que deixe de trabalhar é um caminho certo para o insucesso de uma iniciativa, posto que a pequena consciência raramente consegue desligar-se de seus apegos e dúvidas de ordem material. Ainda mais, vem ao encontro de uma exclamação que tantos fazem com tanta freqüência hoje: “eu gostaria que, mesmo que por um tempo, tudo parasse”. Essa necessidade de repouso, de calma, está em basicamente todos os corações hoje. O modo que os homens vivem tornou-se insustentável e insuportável, causador de males e doenças que absolutamente não o estariam atingindo, neste nível epidêmico, sem a atuação do stress constante que enfraquece o sistema imunológico. O stress tornou-se uma ferramenta para manter os homens cativos e num estado precário de saúde que é bastante peculiar: saudável o suficiente para produzir e consumir para o sistema– mas doente o suficiente para “necessitar” dos remédios e químicas vendidas para este fim, e fraco o suficiente para render-se a todas as “distrações” e “alívios”, sempre desenhados para criar o consumo excessivo, apresentado e vendido como “paliativo para todos os males”. A primeira e mais importante “venda” do sistema a ser eliminada é o próprio stress. Somente o homem livre dele pode pensar, avaliar, estar saudável e ter condições de escolher com consciência e vontade livre.

Terceiro: Quando se pede que algo seja feito, ativamente, muitas problemas se interpõem. Para ir a algum lugar, é preciso transporte. Para muitos, é preciso roupas adequadas. Para outros, é preciso estrutura para levar os filhos, ou um lugar para deixá-los. Se a ação se estende por várias horas, é necessário alimentar-se longe de casa. Vêem como todos esses fatores, de um modo ou de outro, exigem meios e criam um consumo e uma série de limitações para aqueles que não tenham os meios? Pedir ao homem que fique onde está, não se transporte, evita gastos e elimina atos de consumo por toda parte. Pedir a ele que consuma aquilo que já tem em casa ajuda a equilibrar desperdícios tão comuns hoje em dia — e também estimula que as pessoas preparem juntas seu alimento, posto que terão tempo para isto… E neste particular é importante ressaltar que os ATOS wu-wei devem ser, naturalmente, PONTUAIS e dirigidos para dias e momentos em que o tempo seja do indivíduo. Nos demais dias, ele continuará movendo-se, em contato com o mundo, freqüentando suas cerimônias e grupos, do mesmo modo. Não sugerimos que as pessoas abandonem as práticas que fazem em grupo — ao contrario — essas práticas são altamente positivas, quando voltadas para o auto-desenvolvimento e relacionadas à importância da comunidade para o caminho do despertar; ao apoio que os homens recebem uns dos outros. É por ser um estado de exceção que o ATO wu-wei é simples, e exige muito pouco de qualquer um.

Agora, examinemos um pouco mais o efeito desses atos, quando multiplicados por grandes números de pessoas.

Sempre que se pede a alguém que faça algo, subscreva ou apóie uma ideia ou vá a algum lugar, pede-se que ele se apresente, se identifique como apoiador desta ideia. Isso demonstra seu engajamento… mas permite que se crie modos de reação a este engajamento. Quebrando o anonimato, o homem está exposto a toda sorte de possibilidades, posto que pode ser identificado. Nem todos terão essa disponibilidade e desapego, e isso impede a criação de grandes números, da tão necessária massa critica. É possível reprimir um protesto em qualquer lugar, discutir ou invalidar afirmações, ameaçar ou processar pessoas, quando se pode identificá-las. É possível retirar uma máscara, depois de deter um cidadão. E devemos sempre lembrar que a ideia de que “não se pode prender todos os cidadãos” pode ser válida; mas que CADA cidadão tem uma preocupação anterior ao coletivo, que nasce dos seus apegos pessoais: a preocupação com o fato que se pode facilmente prender UM cidadão, e a conseqüente preocupação de que este cidadão seja ELE. Quando se considera agir pelo não agir, o resultado é que não se pode mais distinguir o ativista altamente engajado na causa em relação àquele que, alheio a tudo, apenas dorme em sua casa. Somente a impossibilidade de identificar (e provar) que um determinado cidadão esteja, num determinado momento, engajado em alguma causa, simplesmente porque ele está em sua casa, tendo nada específico como atividade, concede o verdadeiro anonimato.

Absoluta liberdade e inclusão

Engajar em massa exige um caminho que elimine as diferenças e trabalhe apenas com as semelhanças, aquilo que todos tem como pontos em comum. Pedir a um cristão que tome parte numa cerimônia budista, ou pedir a um agnóstico que ore não vai ajudar a unir as pessoas, porque isso ressalta suas diferenças. Pedir a cada um que não consuma, que fique em sua casa, fazendo aquilo que lhe aprouver, aquilo que lhe é caro e familiar, é unir de fato pelas semelhanças. Sugerir que se use este tempo para re-conectar a si mesmo e aos seus, é igualmente trabalhar com semelhanças. Pode-se argumentar que algumas crenças exigem o comparecimento a um local específico numa data específica — e aí caberá a cada um decidir o que lhe indica sua consciência, posto que raríssimas são as pessoas que nunca faltaram a uma só data religiosa por algum motivo ou outro. Antes de tudo, a única coisa indispensável para realizar o ATO wu-wei é a vontade para tal.

No aspecto coletivo, de massa, o ATO torna-se uma mensagem poderosa. Provavelmente acontecerá muitas vezes com pequenos números envolvidos; e neste caso, trará benefícios para estas pessoas e seus grupos diretos. Mas ao persistir e divulgar, mais e mais pessoas engajando-se, torna-se uma manifestação de grande importância. Porque quando milhões cessam suas atividades e fecham-se em casa, consumindo o mínimo, isso envia um recado muito forte, claro e relevante para as forças que controlam o atual panorama da sociedade. As empresas e governos não são afetadas pela ação de uma pessoa, ou por cem pessoas. Mas sabendo o papel fundamental das “leis de oferta e demanda” no cenário atual, o potencial de rompimento que surge quando grandes números aderem é inegável.

Cria-se um fato novo, um fator intencional coletivo a alterar o padrão de demanda. Por um período, cessa uma demanda que, de outro modo, estaria lá. Isso cria um alteração detectável no cenário econômico de uma comunidade, relativa ao tamanho e localização do ato.

Uma mensagem inequívoca e que não pode ser distorcida; porque é uma mensagem que não depende de palavras. E este é um ponto fundamental: toda mensagem que se utiliza de palavras, escritas ou discursadas, vai inevitavelmente encontrar opositores, detratores, discordantes — se não da ideia, ao menos de tais termos utilizados na manifestação. É um erro depender de palavras para comunicar-se com forças que não tem olhos e ouvidos, e que utilizam a inconsciência das massas e a força econômica como meio. Para comunicar-se e ser entendido, é preciso responder através da mesma linguagem: o movimento consciente de grandes massas e sua conseqüente força econômica.

Uma vez que esse ato, como ferramenta para “unir as pessoas e enviar uma mensagem” seja incorporada ao rol de possibilidades humanas, cria-se alguns fatores realmente novos. Terá sido criada:

Uma união efetiva das pessoas pelas suas semelhanças, por aquilo que almejam em comum.

Um meio de comunicação clara das pessoas para a “ordem vigente”, onde hoje só existe comunicação efetiva no sentido oposto.

Um meio para as pessoas demonstrarem claramente que não darão o seu apoio a determinadas ações.

Agora, imagine por um instante que essa ferramenta esteja já desenvolvida e que as pessoas a estejam utilizando no mundo todo. Imagine que o governo de um pais A demonstre a intenção de declarar guerra a outro pais, B. Imagine que isso veio a público durante a semana, e que a partir da sexta-feira seguinte, até o domingo, as ruas de ambos os países ficaram simplesmente desertas, porque as pessoas não saíram de suas casas, não foram às compras, não saíram para passear ou visitar os parentes. Elas simplesmente PARARAM tudo para mostrar que não aceitam a guerra. Como discutir, argumentar com tal demonstração tão clara? E com quem discutir? Como impedir? E como não reconhecer os efeitos? Como negar o que houve, se todos sabem, pelo silêncio e a inatividade? Como negar que as lojas que estavam abertas não tinham clientes e não fizeram vendas? (lembre-se, aqueles que estavam ligados ao trabalho, talvez tenham ido ao trabalho, não nos cabe pedir a eles que se prejudiquem, cabe apenas a eles considerar este assunto, até porque o objetivo não é criar uma greve, que em si não representa nada novo… mas sim uma cessação do consumo e da colaboração com o funcionamento social dirigido e estimulado pelo consumo… ) Ou que os parques ficaram vazios e os transportes circularam sem passageiros? Como negar que as pessoas mostraram que não querem participar desta guerra? Como negar que durante aqueles dias, houve um profundo vale nas vendas, na arrecadação de impostos e na economia em geral?

No início, é preciso compartilhar e explicar a idéia. Mas uma vez que isso comece a acontecer, as pessoas não precisarão de uma organização central, ou liderança para que seja feito. Os cidadãos, em qualquer Estado, criticam medidas e reclamam direitos sem que seja preciso ninguém coordenar suas opiniões. Apenas substituindo o FALAR pelo AGIR (no caso, pelo não–agir) a coletividade criará o ato e a “parada”- que será tão grande quanto o numero de pessoas que considera relevante a questão.

E mesmo em questões locais e não nacionais: imagine que numa determinada cidade tenha sido imposta uma lei com a qual os cidadãos não concordem: o ato realizado por dois dias na cidade, por um grande numero de pessoas, vai exercer a pressão correspondente, proporcionalmente ao local.

Percebe aí a criação de uma expressão de inteligência coletiva? Que é auto-gerida, descentralizada, simples; livre expressão das pessoas?

O efeito disso é que as pessoas poderão efetivamente começar a AGIR coletivamente, alinhadas à ideia de que SOMOS TODOS UM e O MESMO. Uma forma de fortalecer os vínculos de comunidade e coletividade e representação.

Este é um passo essencial para a evolução. Do mesmo modo que houve um tempo em que foram necessários lideres, instrutores e guias — e que hoje este papel deve dar espaço para o autoconhecimento e a auto gestão evolutiva… exatamente do mesmo modo, o delegar das nossas decisões coletivas a “representantes” precisa passar por uma profunda revisão. Precisamos assumir individualmente nossas responsabilidades. Fazer DIRETAMENTE nossas escolhas e COMUNICÁ-las diretamente. O sistema de representação de muitos por poucos teve o seu tempo, cumpriu um papel, mas há muito degenerou em uma falsa representação na maioria das comunidades humanas. Tornou-se um sistema anacrônico, distorcido e pouco necessário. Hoje, se é preciso consultar as pessoas, é possível consultá-las diretamente, há meios para isso. E aqui, não afirmamos que não se necessite de organização, ou que se deva eliminar todas as representações, mas apenas e tão somente, que é preciso começar a rever a extensão dessa representação, a fim de preservar representações apenas em pontos específicos, não permitindo a completa condução e manipulação coletiva de muitos por poucos, como o sistema atual realiza.

É muito simples entender que, por exemplo, um sistema de impostos que é mantido apesar de 90% de uma população considerá-lo inadequado, é mantido à revelia desta população, TEORICAMENTE pelos representantes desta mesma população. Ou seja, na prática, esta população não está sendo representada: está sendo manipulada e conduzida, apenas. E conquanto não seja possível que milhões de pessoas elaborem um complexo sistema de impostos, é absolutamente viável que milhões de pessoas decidam qual é o teto máximo que pode ser cobrado em impostos, como fração de seus ganhos. É uma decisão objetiva sobre um número. Milhões podem emitir sua opinião e participar da definição do número que representa uma parte aceitável. Mas não se deve esperar que essa iniciativa nasça de qualquer outra parte, senão da comunidade, interessada em retomar seu papel numa representação verdadeira.

Percebam que, em termos de evolução, o objetivo dessa iniciativa é iniciar o uso de uma inteligência de um tipo novo, coletiva, abrangente. E que o uso desta inteligência é que possibilita o seu desenvolvimento e aprimoramento. Podemos indicar — e estamos indicando — como isso pode ser iniciado — mas a extensão das conseqüências que essa mudança trará só poderá ser avaliada depois que essa inteligência seja colocada em uso. Certamente, ela terá efeitos muito mais profundos do que aqueles que podemos imaginar do atual ponto de vista — que é o de inteligências individuais relativamente desconectadas.

A simples intenção focal de “entender, compartilhar e fazer parte” de uma inteligência coletiva produz modificações que ainda não são conhecidas de todos, embora o homem hoje já comece a conhecer o poder das intenções e da consciência em alterar e projetar-se na realidade à sua volta.

Neste sentido, de influenciar; produzir a realidade à sua volta, é tempo de entender que é preciso tomar para si a responsabilidade de produzir os efeitos que se espera. No novo mundo que se apresenta, não cabe mais, como antes, simplesmente aguardar que os efeitos daquilo que já foi chamado Karma aconteçam. Há novos princípios em funcionamento, e um deles, de enorme importância, é que nesse tempo de amadurecimento da humanidade, cabe a cada individualidade agir de acordo para PRODUZIR o Karma (que significa Ação) que vai gerar VIPAKA (o fruto) que se deseja.

Ou seja, o que desejamos aqui é oferecer um caminho viável para começar a transformar o atual estágio de entendimento das novas responsabilidades em reais atitudes, expressas no mundo e realizadas nas vidas de cada um. Um caminho para transformar a expressão SOMOS TODOS UM num ATO e num FATO a ser vivenciado por CADA UM E POR TODOS.

Que através do AMOR a todos os seres, realizemos o Plano na Terra.

Paz a todas as Criaturas.


Originally published at pauloferreira-sinapse.blogspot.com.br on August 17, 2015.

Show your support

Clapping shows how much you appreciated Paulo Roberto R. Ferreira’s story.