Que legado você vai deixar para esse mundo?

É provável que você não saiba quem eu sou, o que eu faço da vida ou ainda o legado que quero deixar para esse mundo. Não tem problema. Nem mesmo eu sei e é essa a reflexão que eu venho propor aqui através de algumas fotografias.
Essas imagens fazem parte de um trabalho realizado para uma disciplina do curso de Publicidade e Propaganda. O tema surgiu a partir de uma frase (bastante sugestiva) encontrada no título de um cartaz:
“Que legado você vai deixar para esse mundo?”.
Simples e profunda. Essa tem sido uma questão pertinente desde então. Talvez muitos também já tenham se perguntado a respeito. O mundo frequentemente exige muito de nós. Exige que escolhamos e muitas vezes nosso olhar cansado e viciado não nos permite enxergar a delicadeza presente no cotidiano. Como esse tímido dente-de-leão em meio às folhagens, escondido de quem não tem o olhar atento.

Ou esse pássaro que parece observar o “abismo” do gramado serenamente antes de levantar seu voo.

Aqui uma placa cumpre sua função de avisar o espectador do risco de morte do contato com materiais elétricos; ou seria do risco captado em seu reflexo?

Na foto seguinte, o olhar está voltado para o reflexo da janela. Ele é como uma televisão, que nos mostra pedaços de uma realidade. A luz aos poucos é encoberta pela porta do elevador, como se este escolhesse fechar os olhos para o que vê.

Arrisco em dizer que o interessante na foto a seguir é o contraste e similaridades entre formas geométricas. O rolo de papel é o único círculo retratado na imagem e, mesmo diferente das formas ao seu redor, consegue viver em perfeita harmonia com elas.

Essa minúscula formiga fala por si só com sua existência na foto. É pequena e insignificante, mas na sua pequenez, consegue ser útil, talvez um desafio para muitos.

A bola branca é a que “empurra” todas as outras; é a líder seguida do taco e do jogador na hierarquia do jogo. Na pose ela apenas descansa após um “trabalho” bem feito.

Uma janela existe para permitir ou não a passagem de luz. No caso em questão ela é mais que isso. Ela limita nosso olhar através dela. Em compensação, os olhares de fora da janela ainda conseguem se encontrar com o nosso.

Quando o assunto é enxergar, muitos de nós recorrem aos óculos. Vemos o mundo através deles, mas mesmo assim às vezes nem sequer notamos sua presença, exceto numa foto.

Uma escada vazia não tem serventia, mas está sempre lá disponível para levar alguém a seu destino. Ela proporciona uma bela vista de cima, além de uma queda fatal a quem a usa mal.

Enfim.
Diversos olhares estão escondidos na correria do dia-a-dia. A pressa não nos permite que contemplemos os elementos sutis e sensíveis do mundo à nossa volta. Talvez o maior legado deixado pelos elementos fotografados seja o de que cada momento é único. Em um instante após o “clique” eles podem não estar mais lá. E depois? Seu retrato falará por eles.