Todo empresário é ladrão e explorador

Vira e mexe ouço alguém dizer que todo empresário é um capitalista explorador….

Difícil é se reconhecer o fato de que a maioria dos microempreendedores ganha menos que um funcionário público do alto escalão, e que grande parte “procura emprego todos os dias” ao tentar vender seus produtos.

Ao afirmar coisas como todo empresário é ladrão, as pessoas ignoram o fato de que muitos profissionais liberais atuam com processos pequenos e pagam grandes impostos ao governo, isso vendendo de forma honesta.

Ao dizer que todo empresário é ladrão, sugerimos que a boleira com um CNPJ, que empreende em casa, além de dar conta dos filhos e cuidar do marido, está sendo uma ladra. Que o sapateiro inscrito no MEI é um larápio ao fornecer seus serviços sem depender de um chefe.

Ao dizer que toda empresa rouba, cuspimos em produtos de marcas que consumimos todos os dias, que levamos à nossa mesa, e que foram consolidados no mercado com muito esforço dos seus criadores, depois de serem produzidos com o suor de um trabalhador.

Não seja idiota ao afirmar coisas do tipo, se você nunca teve empresa, se nunca tentou sair da zona de conforto do padrão de trabalho, se nunca conviveu com pessoas justas que empreendem, se nunca nem sequer vendeu um salgadinho por conta própria.

Muitos empreendedores que eu conheço estão lutando todos os dias para fazer algo relevante, e não é o fato de perseguirem também o lucro, que estão sendo desonestos com outras pessoas.

Para girar, a economia precisa de grandes e pequenos empresários, precisa do comércio. A multinacional e o vendedor de cachorro quente movimentam a economia de um país.

Se não gosta de empresas, viva por conta própria, não gaste seu dinheiro com elas e não use nada que não seja produzido por você mesmo. Mas saiba que você corre o risco de se tornar um empreendedor (irônico, não?)

Enquanto escrevia este artigo, fiquei pensando o quão óbvio é tudo isso. De tão óbvio, as pessoas acabam não percebendo, não pensando bem a respeito. Vivemos num país onde ter mérito é pecado, e onde o vitimismo se torna cada vez mais comum.

O interessante é que 76 % das pessoas ainda preferem ser donas do próprio negócio do que ser funcionárias de alguém.

Não acredite em absurdos como estes. Estão tentando convencer o povo brasileiro de que toda a classe empresarial é um corja de aproveitadores, incompetentes, exploradores do restante da sociedade − para desviar os olhares da classe que realmente faz isso, os políticos.

Mas essa é apenas uma das mentiras que nos contam durante a vida, daquelas que aprendemos na escola e em outras frentes da sociedade. Se a pobreza é o problema, a geração de recursos, a produção e o lucro, bem como a boa gestão deles, é a solução.

Como costumo dizer: foco no problema gera vitimização (e generalização), enquanto foco na solução gera transformação.