Empreender: O melhor MBA que existe

Já faz um ano. Em 30 de abril de 2016 eu metia fogo nas caravelas, explodia as pontes atrás de mim e iniciava uma das maiores aventuras da minha vida. Resolvi deixar uma situação relativamente estável (a única estabilidade absoluta é a morte) e me dedicar full time a um propósito.

Construir a Comm Cloud tem sido o melhor MBA que eu poderia fazer. De uma hora para outra precisei me tornar vendas, financeiro, contador, office boy, marketing, tudo. Precisei entender das alíquotas do Super Simples ao Spin Selling, da contabilidade gerencial ao recrutamento e seleção. A corporação opera como uma carapaça em torno do profissional, que assim pode assumir o seu papel. O empreendedor sente as intempéries do ambiente econômico na própria cara.

Empreender te torna mais empírico. Não dá para dourar a pílula, torcer e distorcer os dados para, como na Enron, transformar prejuízo em lucro. A realidade se apresenta diante de você sem filtro. Diante dela, é necessário enfrentá-la e tomar decisões e para que o negócio não se perca. No período em que se vai de Zero a Um, como diria Peter Thiel, a decisão mais estratégica é sobreviver.

Enquanto isso, crescemos para dentro. Dizia são Josemaria Escrivá que enquanto não crescemos para fora, devemos crescer para dentro. Melhorar como pessoas, profissionalmente, espiritualmente. Assim foi conosco. Sim, porque não há nada melhor que empreender em time. No nosso caso, Bia Beviláqua e eu formamos um time imbatível, complementar, e conseguimos ser um o apoio do outro, especialmente nas horas difíceis.

Jim Collins dizia que nas empresas feitas para vencer o time vem antes do negócio. “Primeiro quem”, ele afirma, “depois o quê?” Ed Catmull, por sua vez, afirmava que um bom time consegue transformar uma ideia ruim em algo bom. Isso diz muito sobre o que a Comm Cloud se tornou. Se só agora chegamos ao conceito de PR de Performance, ele já estava presente em nossos primeiros clientes, especialmente a Pet Anjo, o Zimp, a Peerdustry e a Unimove, com quem trabalhamos em 2016.

Transformando-se em herege

O PR de Performance apareceu quando aplicamos à Comm Cloud I’m ensinamento de Aaron Ross, co-autor de Hipercrescimento e principal referência em metodologia de vendas para SaaS hoje: “conquiste o mundo, um nicho por vez”.

Encontrar o nosso nicho significou delimitar produto — PR, não marketing digital as a whole — persona — empreendedor — e dor — escalar vendas, gerar demanda, por meio de mais e melhor visibilidade. Por outro lado, e isso é ainda mais desafiador para nós de comunicação e marketing, isso exigia de nós uma disciplina tremenda para dizer não e recusar o que estivesse fora do nicho.

Quem trabalha com SaaS conhece a “armadilha da customização”. O modelo da full service agency é a nossa versão da armadilha da customização. Mas, o que é pior, é o padrão de mercado. Este foi o momento em que a Comm Cloud deixou de ser uma aventura e passou a ser uma heresia.

A vantagem de ser herege é que você não precisa fazer sentido para o mundo. Basta satisfazer seus seguidores. No nosso caso, pouco importava se o nosso posicionamento de mercado não fazia sentido para os colegas de PR, ou mesmo para um eventual investidor. Bastava fazer sentido para o cliente. Nisso tem nos ajudado a consultoria e a metodologia da Exact Sales.

E isso, o foco trazido pelo conceito de PR de Performance, é que nos permitiu crescer de forma consistente desde o final de 2016. Em abril fizemos nossa primeira contratação, mais um passo para o futuro.

O mais interessante foi olhar estudos de gestão de negócios, especialmente os trabalhos de Jim Collins, e identificar nas decisões fundamentais que tomamos os elementos das empresas que dão certo. Por menores que sejamos agora, conseguimos olhar o que temos e ver o protótipo de algo grande, transformador.

Outro dia mencionava alguns de nossos processos a um pesquisador especialista em gestão de agências, e pude ouvir que estávamos fazendo algo inédito no mercado. Ouvir isso não me deixou orgulhoso, mas assombrado. Voltando meus olhos para Deus, pensei “Caralho, isso aqui é foda, e fomos nós que fizemos!”

Há um ano atrás, por mais confiante que estivesse no projeto, jamais imaginaria que viveria um crescimento pessoal e profissional tão intenso. Olho para o lado, e vejo uma Bia também dez anos mais madura. Que programa de coaching, mentoring, MBA, daria um retorno assim?