O macho: a última fronteira da civilização

A civilização avançou nos diversos recantos do mundo. Na segunda metade do século XX as últimas fronteiras da Oceania e da Antártida foram integradas à Modernidade Ocidental. Astronautas já pisaram fora do planeta. Falta apenas uma fronteira: o homem heterossexual.

Olhe ao redor. Mães abandonadas por companheiros e que se desdobram entre o trabalho e os filhos. Filhos que veem os pais poucas vezes no ano. Pais sem controle emocional e que acabam matando seus filhos. A violência sexual como arma de guerra. O abuso como rotina e costume. São sinais de que há uma imensa população ainda a ser civilizada.

É fato que os gestores de políticas públicas já descobriram há tempos esse problema. Por isso verbas e recursos sociais são geralmente destinados à mulher. É o caso das casas do CDHU, do Bolsa Família, ou mesmo das cestas básicas distribuídas pelas forças de paz da ONU. As estatísticas são globais: se este recurso é destinado ao pai, o mais provável é que seja gasto em qualquer outra coisa antes das necessidades do filho.

Neste ponto é preciso fazer um reparo no primeiro parágrafo: esse comportamento talvez seja mais efeito da modernização. Em sociedades pré-modernas — e o livro O Mundo até Ontem de Jared Diamond mostra isso — os papéis e as responsabilidades são bem definidos, assim como o controle social sobre eles, o que torna mais difícil a um pai fugir de sua responsabilidade. Na modernização, a readequação do papel do homem e de sua responsabilidade é uma tarefa ainda a ser feita. O resultado são homens que chegam à idade adulta imaturos e incapacitados de exercer o papel paterno, seja no modelo tradicional, seja no modelo moderno.

Ser pai, ser homem na Modernidade não é tarefa fácil. Há que se compartilhar responsabilidades com a mãe, há que se exercer uma autoridade com afeto junto aos filhos, há que se educar e praticar a tolerância, a liberdade e a responsabilidade. Há que se estar preparado para encarar os desafios da sexualidade, tanto própria quanto dos filhos, sem moralismo nem relaxamentos. Isso exige que o pai, o marido, seja um homem maduro, não um moleque mimado de mais de 30 anos.

Do contrário, seremos meros animais imersos na Modernidade.

One clap, two clap, three clap, forty?

By clapping more or less, you can signal to us which stories really stand out.