Seis meses empreendendo

Ao final deste mês, terá passado seis meses desde que eu parei de trabalhar em um emprego estável e comecei uma aventura chamada Comm Cloud. Tem sido dureza, mas também tem sido muito bom. Fato é que não me arrependo, mas também é verdade que nem tudo é evidente logo que a gente começa.

Já passei pela euforia do começo, pela angústia dos planos que atrasam, pelo dinheiro que acabou, pelo pivô no projeto original. E posso dizer que aprendi muito nesses seis meses.

A primeira coisa é que os amigos fazem a diferença. Neste aspecto, posso me considerar um empreendedor com muitos amigos, graças a Deus. Serão os amigos que te trarão os primeiros clientes, orientarão sobre o seu negócio, darão dicas ou mesmo ficarão na torcida. E isso é importante. Porque também terá quem torce contra e não admite, quem paga pra ver. E nessa hora que saber-se cercado de gente que quer seu bem, na família e entre os amigos, ajuda a seguir em frente.

Depois, é que a melhor forma de saber o que o mercado quer é metendo as caras. Neste sentido aprendi em seis meses o equivalente a dez anos em um emprego estável — e meu último emprego durou dez anos. Cada não que você ouvir ajudará a refinar o produto, ajustar a abordagem, melhorar o pitch de vendas. A Comm Cloud deve muito ao seu primeiro não, e aos nãos que ouvimos de startups na agência anterior.

Maquiavel dizia que o Príncipe precisa contar com a virtude e a fortuna (sorte), e o mesmo vale ao empreendedor. Nenhum plano resiste à má sorte. Atrasos acontecem, crises pegam os clientes de surpresa. Mas todos os projetos podem virar ao mesmo tempo. Nesta hora, é bom estar preparado.

Pense bem na escolha dos seus sócios. Eles precisam ser complementares a você, e estar dispostos ao mesmo sacrifício. Dinheiro é o menor dos problemas. Todo o caixa do mundo é pouco diante de uma briga de sócios. Neste sentido, a Beatriz é uma excelente parceria, que me surpreende a cada dia.

Por fim, estamos nessa pelo propósito, não pela grana. É importante que ela venha, claro, mas para entregar o propósito. Por isso, é sábio recusar projetos que neguem o propósito. No começo da Comm Cloud apareceu um projeto político, e precisávamos do dinheiro, por isso topamos conversar. Um amigo me lembrou que aquele político poderia estar fora do nosso propósito. Agradeço até hoje por este alerta. Um desvirtuamento logo de cara poderia ter matado a nossa identidade.