A propaganda me salvou de algo grave. Imagine se eu tivesse virado cantor sertanejo?

Era para ser mais um daqueles textos de about, mas deu nisso.

Entrei na faculdade de Publicidade em 2004. Eu tinha 17 anos. Bem jovem, por sinal. E cinco anos antes, conheci um grande companheiro: o cavaquinho. Sempre dividi o meu tempo entre os estudos e a música. Cheguei a tocar em grupos de pagode, aquela coisa de adolescente. O tempo passou e acabei indo parar numa banda de música baiana. Já morri de vergonha disso. Hoje, dou risadas. Até porque foi uma fase.

Conciliei o estágio com a banda e a faculdade. E bem antes de conhecer os títulos do Mohallem, a sagacidade do Nizan e os layouts impecáveis do Serpa, conheci os “brilhantes” trocadilhos de Beto Jamaica & Compadre Washington. Foi divertido.

Todos os cantores da minha época continuaram na música, menos eu. E, assim como quase todos os estilos musicais do Brasil, tudo teve que virar sertanejo. Esse também teria sido o meu fim.

Hoje, eu poderia estar com uma calça bem apertada. Hoje, eu poderia estar cantando um arrocha para você. Ou até mesmo, estrelando uma belíssima propaganda enquanto você ouve suas músicas favoritas no Spotify. Mas, para minha sorte e do mundo, isso não aconteceu.

As noites na agência me libertaram dos "tchê tchê rê rês tchê tchês" genéricos. E os dias me ensinaram o valor das boas ideias e de um bom argumento.

Nesses 6 anos de publicidade, me encontrei no digital. Todos os dias, a gente tem um desafio diferente. A internet muda rápido, igual ao penteado dos cantores sertanejos. Requer um molejo para lidar com as situações. Também fiz uma turnê por agências tradicionais, onde o varejo me ensinou muito. Hoje, procuro novos palcos. Digo, desafios. Quem sabe prêmios grandes? Ou quem sabe uma carreira fora da minha cidade? Os convites sempre são bem vindos.

Ah, sempre que ouvir aquele arrocha grudento, agradeça a minha escolha pela publicidade: poderia ser eu cantando para você.