Mulheres de Brasília: por que ter um crush que mora nas satélites?

Praça do Relógio em Taguatinga. Em uma foto excelente da Bruna Alves (http://bit.ly/2x0WxJy).

Por muito tempo, fomos excluídos. E falando em bom Taguatinguês: fomos tirados de tempo. Fomos chamados por nomes terríveis, como: pé-de-toddy, mulambos, e o pior deles: djense.

Eu sei, você já deve ter falado isso. Não tem problema, não é culpa sua. Mas saiba que nós que moramos nas satélites, ficamos bem putos com essa denominação.

Tá, até entendo que somos diferentes e temos algumas coisas que não são muito comuns como: usar calças cheias de bolsos e falar gírias estranhas, fi. Mas isso não era motivo para sofrer esse preconceito.

O tempo passou e essa distância cultural diminuiu. E, nós das satélites, conseguimos mostrar que somos iguais ou até melhores do que os boyzinhos do Plano.

Em grande parte, somos filhos de pessoas que vieram para construir Brasília. Baianos, cearenses, paraibanos, cariocas, mineiros e gente de todo Brasil. Gente que veio com esperança de uma vida melhor na capital. Gente que tem uma riqueza cultural imensa.

E é dessa mistura que nós saímos, os homens das satélites.

Agora, vou listar alguns bons motivos para você dar uma chance para um cara que mora longe do Plano Piloto.

1- O seu crush das satélites sabe onde lanchar.

Acredito que todas as relações vivem em torno do lanche. E por aqui, pode ter certeza que tem uns muito bons.

Esse requeijão com a carne de sol você só acha no Biral. É na Comercial Norte de Taguatinga.

Miquéias, Speed it Lanches, Carne de sol do Biral, pastel com caldo de cana no Mercado Norte? E o mais recente sucesso do Carcará? Aqui não faltam opções. Tem para todos os gostos e preços. Ah, e os barzinhos fecham mais tarde e, facilmente, você encontra alguém vendendo litrão barato. Quer mais afrodisíaco do que isso?

2- O seu crush das satélites conhece uma cultura diferente.

Provavelmente conhecemos artistas. Pagodeiros, rappers, cantores de axé ou sertanejo, as veias artísticas nas satélites são genuínas.

Tudo o que está acontecendo hoje no Plano, já acontecia na nossa quebrada. Essa “ocupação” que a elite tanto fala, os manifestos de boys e patricinhas no Instagram de “a rua é noiz” sempre foi realidade pra gente.

Lembro dos famosos “lazeres na QNL”, ou aquelas festas na rua que ninguém sabia quem era o dono, mas todo mundo ia.

Se você lembra dessa época, tenha certeza que foi muito feliz. Um grande abraço para Willian Dias, um dos maiores cantores de Brasília.

É bom poder encher o peito e falar “eu conheço o Tribo da Periferia antes de ser modinha”, ou então “E o Willian? Eu lembro antes do sertanejo. Era quebradeira pura na A+.com.”

Sabemos dançar. Mas é difícil confessar que tivemos grupos de danças ou conhecemos alguns amigos que nos passavam os passinhos. Podemos demorar um pouco para mostrar esse talento, mas quando toca a swingueira, já era.

Sabe porque os sucessos chegam antes nas satélites? Por causa dos sons automotivos que sempre passam nas nossas ruas. Não tem como não ficar curioso pra saber que música é aquela que tá tocando tão alto.

3- O seu crush das satélites sabe onde você pode economizar.

“ Vem ver as brusinhas na promoção, freguesa.” Foto da Feira dos Goianos vazia (por um milagre).

Vai fazer uma festinha? Ou precisa comprar umas blusinhas baratas? Pode ter certeza que esse cara vai saber aonde você vai encontrar. Independente se for no Taguacenter, Feira dos Goianos ou Feira da Ceilândia. As opções serão baratas e você vai achar tudo com qualidade. E podem ficar tranquilas: bater perna é com a gente mesmo.

A diversidade é vizinha da gente.

Morei em Taguatinga toda a minha vida. Vi muita coisa legal acontecendo, mas por não ser no centro de Brasília, achava que isso tinha um valor menor. Hoje, vejo que a Capital não seria nada sem a gente. As baladas, os rangos e as pessoas mais legais estão nas satélites.

Deu Match? Não deixa a EPTG ou Estrutural impedirem esse amor.

Ah, quando for flertar (não sei a palavra que a juventude usa hoje), se prepare para conhecer um universo totalmente novo. As pessoas se cumprimentam, sorriem e são calorosas. Bem diferente do que acontece no projeto original de Lúcio Costa e Niemeyer.

Gostou? Compartilhe com o seu crush. Pode ser que isso funcione para puxar assunto. E assim, você presencie o que eu disse e muito mais nas satélites.

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