1 Ano que eu vim Ca-nadá 🇨🇦

Hoje é um daqueles dias que não dá pra dizer realmente o que se passa na minha cabeça. Vou deixar por escrito aqui algumas impressões. Não com intuito de desabafar e sim pra ficar como reflexão principalmente a mim, no futuro, quando ler isso novamente. Lembrando que o que vou escrever não é a verdade absoluta. São as MINHAS percepções, que podem ser diferentes de pessoa pra pessoa.

1 ano longe de casa. Sim, de casa. Me mudei para um novo lar, mas mesmo que eu viva 30 anos aqui, o Brasil sempre será minha casa e onde está a maior parte das pessoas que amo.

1 ano no Canadá é muito pouco para entender e estar adaptado por completo. Só que 1 ano longe de casa é muito. A pior parte. O maior sacrifício. 😢

Passando para parte prática. Sinto que o tempo está voando por aqui. A cada dia aprendo uma coisa nova. Tudo é diferente. Não só clima, idioma e costumes. É praticamente renascer. E não é exagero dizer isso. Você chega sem conhecer nada. As leis básicas. Que documentos precisa providenciar. Como abro uma conta em banco. Coisas simples, que no Brasil parece que já sabíamos desde nascido.

Sobre o clima. Ainda do Brasil eu não conseguia imaginar o quão frio seria -25° C. É frio. É muito frio. Mas você se adapta. Até porque não vai fazer -25 todo dia. As 4 estações (já me vem a cabeça a música do Sandy e Jr.) são bem definidas e aqui em Toronto, os termômetros chegaram a 37° no verão. Cada estação tem seus prós e contras. Cabe a nós aproveitar cada uma da melhor forma. Particularmente, a lista de prós do inverno diminui bastante. (Procure por “Lá Mierda Blanca” no YouTube). É o preço de viver em um país com inverno rigoroso. Mas como disse, você se adapta. O lance todo é como você encara essa adaptação.

Ganhar em dólar não te faz rico. Ao contrário do que muita gente acha. Se gasta em dólar também. E o custo de vida não é barato. Sim, o poder de compra aumenta, e determinadas coisas que não seriam tão acessíveis do Brasil, aqui se torna mais acessível. Mas não deixa de ser caro. E essa percepção muda. Quando você começa a viver a realidade daqui, a mentalidade de como você gasta o dinheiro, muda totalmente.

A comparação com o Brasil em tudo é inevitável. E essa vai para os que acham que saindo do seu país de origem, automaticamente você perde o direito de falar dele. Muito pelo contrário. Agora com uma a visão de fora do Brasil, eu tenho uma percepção melhor onde nosso país erra feio. Por outro lado, aprendi a dar mais valor no que ele tem de bom. Pois o que tem de bom ficou para trás e a gente só percebe quando perde.

Sobre a segurança. Essa é uma das melhores partes de se viver aqui. Existe violência, existe homícidio, existe estupro. Dizer que não, é mito. Mas a sensação de segurança é notável no primeiro dia. Poder abrir um notebook dentro do transporte público, andar a vontade mexendo no celular pela rua, são só algumas das coisas que você se sente mais livre e sem medo de fazer.

Outra coisa boa de se viver aqui é estar em uma cidade multicultural. Eu já tive a oportunidade de conversar com pessoas de pelo menos umas 20 nacionalidades diferentes e é muito legal saber delas como é o seu país. Coisa que até então só tinha noção pela TV. Além do que, muitos desses países nem devo visitar, por prioridades mesmo, então essa experiência tem sido muito rica.

Pra finalizar, por trás das fotos bonitas no facebook, tem uma dificuldade. E só quem já viveu isso sabe o quão é difícil começar a vida do zero em outro país, se desprender dos comodismos e deixar de ter o convívio dos que você ama.

Like what you read? Give Paulo Soares a round of applause.

From a quick cheer to a standing ovation, clap to show how much you enjoyed this story.